Eu estava em um Sábado realmente atarefado. Passei a noite de sexta-feira preparando detalhes da escola sabatina e pela manhã bem cedo estava na igreja para providenciar que tudo estivesse em ordem. Participei da classe de professores, regi os momentos prévios de louvor, certifiquei-me que os responsáveis pela abertura haviam chegado, tudo conforme eu planejara.
Depois de debatida a lição semanal com minha classe, me dirigi apressadamente até a mesa de som, e enquanto confirmava a música especial que seria cantada para as visitas, dava as últimas instruções às pessoas que fariam o encerramento da escola sabatina. Já sentia aquele gostinho satisfeito de missão cumprida: agora eu só tinha que reger a congregação no hino final, dar os avisos com respeito às programações da tarde, fazer o serviço de cânticos congregacionais e sentar (que momento aguardado!) para assistir o sermão. Foi então que apareceu Margarete.
Não vi quando ela chegou, mas ao levantar os olhos me deparei com seu rosto quase colado ao meu. Sem dar tempo para que eu reagisse, ela segurou meu braço e me olhou tensa, os lábios trêmulos murmurando que precisava falar comigo. Nesse momento estavam anunciando o hino final, que eu deveria reger, com aquele braço que Margarete prendia. Suas mãos me apertavam com força, me machucavam, como se quisessem também eles me falar de uma grande dor. Eu a olhei com ternura e espanto, e tentei dizer que falaria daqui a pouco, assim que...
- Não! Eu preciso falar com você agora! – disse ela enquanto grossas lágrimas desciam de seus olhos – você falou de oração, disse que Deus ouve a oração feita com fé, citou vários homens que oraram e receberam uma resposta! Eu preciso que você ore comigo, eu não sei mais o que fazer...
A essa altura eu também não sabia o que fazer. A plataforma que encerrara a escola sabatina olhava para mim esperando uma atitude, provavelmente sem entender a presença daquela mulher desconhecida ao meu lado, me impedindo qualquer ação. E eu permaneci dividida entre a aflição deles e de Margarete, que sem o menor pudor, segurou agora meus dois braços e contou-me que viera à igreja naquela manhã fugindo do marido, mas tinha medo de voltar para casa com sua filha. Ele bebia muito, e ficava violento, tinha ameaçado-as de morte. Enquanto eu cumpria minha tarefa de professora da classe bíblica, Margarete ouvira eu falar do poder da oração, e se convencera que seu caso tinha solução. Eu, sem perceber, lhe mostrara um feixe de esperança, e agora ela exigia, reclamava, implorava que eu lhe desse mais, e provasse que aquelas palavras também eram para ela.
A igreja começava a se agitar, e um burburinho de cabeças inquietas fez um dos irmãos que estavam na plataforma encaminhar-se até nós duas, me inquirindo com olhos angustiados sobre o que estava acontecendo. Ele me estendeu o hinário aberto. Eu me ajoelhei ali mesmo com Margarete. Segurei suas mãos tentando lhe passar toda a segurança de que ela precisava, e orei com toda a calma de que seu coração tinha sede. Enquanto orava, senti que o Espírito Santo me fazia interceder por ela com palavras certas, as quais também me encheram de infinita paz. Quando tornei a olhar para Margarete, ela sorria o sorriso. O irmão que trouxera o hinário, também, enquanto terminava de cantar com a igreja a última estrofe do hino.
Ainda tive tempo de lembrar do apóstolo Paulo, que como eu, andou por uns tempos meio estressado por causa da Igreja. Perfeccionista que era, queria sempre o melhor para Deus, e se esforçava para cumprir rigorosamente suas funções e compromissos. Certo dia, porém, Deus simplesmente o impediu de fazer o que queria. Ele agendou uma visita a Ásia, e um grande trabalho evagelístico Bitínia, "mas o Espírito de Jesus não o permitiu" (Atos 16:7). Há poucos dias, Paulo havia brigado com o irmão Barnabé, porque este se recusara a fazer as
coisas do jeito que Paulo queria. E agora Deus ensinava a Paulo quem era que agendava as coisas importantes na Igreja. Qual a Vontade que prevalecia ali. Qual olhar discernia a necessidade a ser suprida. E Paulo deixou de se guiar por sua agenda, cargo ou compromissos, para ser conduzido pela vontade divina até o clamor: "ajuda-nos".
Mas eu nem tive tempo de dizer isso a Margarete, nem pude lhe dizer obrigada. Ela me fez um aceno rápido com a cabeça, saiu, e eu não a vi mais durante todo o culto. Pensei que gostaria muito de ter uma nova oportunidade de abraçá-la, ouvir dela que tudo ficou bem, e lhe contar que nunca eu me senti tão certa de meu lugar, como no momento em que me ajoelhei com ela. Lhe dizer que o seu clamor de ajuda, foi a forma pela qual Deus me ensinou, mais uma vez, que o Espírito sopra onde quer (João 3:8); fazer minha parte é apenas me deixar levar por Ele. Mas onde estava Margarete? Posso encontrá-la ainda em muitas mãos aflitas, e muitos olhos lacrimosos, em muitas vozes embargadas de dor... espero em Deus não estar ocupada demais com meus compromissos a ponto de deixar passá-la despercebida... Livra-a, Senhor, de minha indiferença!
segunda-feira, 4 de junho de 2001
domingo, 27 de maio de 2001
Uma olhadinha microscopica sobre a perfeicao
Aí, não lembro bem porquê, a gente falou de microscópio. Tudo bem, nas nossas conversas incidentais cabe cada porção do universo. É fácil conversar e entender quando a afinidade vai de Palestrina a biscoitos de aveia e mel. E agora era a vez de um microscópio confirmar nossa intuição mútua.
*Eu, divagando: "tenho uma história com microscópios".*
Quando eu era criança meu sonho era ter uma boneca bebezinho, um "Playmobil" e um microscópio. Eu sonhava acordada com esses brinquedos que nunca vim a ter, planejando aventuras, jogos, mil divertimentos que se frustravam todo Natal. Certa vez um primo ganhou um microscópio de presente. A "primarada" toda foi à loucura, todo mundo queria olhar naquela lente já desfocada de tanto passar de mão em mão. Mas meu primo, no alto de sua glória, proibiu as meninas de terem direito àquela mágica visão... e eu fiquei chorando (sempre fui a prima chorona), ouvindo com mágoa as história de seres fantásticos que habitavam na lama do quintal de meu primo, e que apenas os meninos puderam ver.
Assim se seguiu minha fascinação pela biologia: sempre platônica, alimentada a pão e água pelos documentários da TV Cultura. A única vez que olhei através de um microscópio foi numa feira de ciências, onde se dava a oportunidade para quem estivesse disposto a enfrentar uma fila de dobrar quarteirão, de observar por cinco segundos um mosquito da dengue. Com o tempo, acabei cedendo a outras paixões, mais acessíveis, e fiz do meu olhar a lente para um microscópio próprio: o que focalizava o ser humano.
Foi então que me entreguei a área humanística e passei a investigar com a avidez antropofágica os seres humanos ao redor, me detendo em tudo que a humanidade pudesse criar ou expressar. Com isso aprendi muito sobre mim mesma, mas sem perceber, estava voltando minha lente para o lugar errado, e vou lhes dizer porquê.
O ser humano é uma criatura fantástica, não há definição que traduza essa caraterística, mas tem o fado da imperfeição. E quanto mais você se aproxima de suas obras, mais nitidamente você vê as marcas dessa imperfeição. Ao longo dos séculos filósofos, poetas, escritores, teólogos, sociólogos e políticos voltam seus olhares microscópicos para o ser humano, buscando desvendá-lo em todas as suas esferas, explicando-o e enaltecendo-o (não raro a si próprios) e o que encontraram até hoje? Não há nada feito por humanos que seja completamente perfeito. Pelo contrário. Quanto mais microscopicamente você olhar, quanto mais você buscar precisão e exatidão, mais descobrirá imperfeição e vontade de poder. Só a paixão é capaz de
encobrir essa realidade.
Quando comecei a perceber isso, me senti frustrada e insatisfeita. Foi a sensação de uma criança que vê seu brinquedo perder a graça. Eu que julgava ser capaz de descobrir a grandiosidade humana, me vi diante de seres análogos aos que meus primos descobriram na lama... . O homem foi ficando cada vez mais decepcionante à medida em que eu o via capaz de domar um átomo mas impotente para produzi-lo. Gabando-se de manipular a vida mas sempre vencido pela morte e pela falta de amor.
*Eu, intuindo-o: "já falamos sobre microscópio antes..."*
Nós reclamávamos que o Museu do Ipiranga estava fechado, mas como isso não fosse suficiente para o abrirem, nos restou a saída dos impotentes: sentamos e ontemplamos. Ao menos havia muito o que contemplar no jardim em frente ao museu, e ficamos admirando as árvores artisticamente podadas de modo a formarem, aparententemente, belas figuras geométricas. Mas quando chegamos mais perto, observamos que pequenos brotos agonizantes insistiam em quebrar aquela aparente
perfeição, fazendo sobressair suas sofridas folhinhas por cima da linha reta que a tesoura lhes impunha. Ele falou:
- Veja que interessante. Se olharmos as coisas que o homem faz deperto, percebemos que elas sempre são imperfeitas. E quanto mais próximo você olhar, mais imperfeita ela lhe parecerá... veja esse museu, um prédio muito bem planejado, construído com esmero... mas se você for em busca de precisão ao menos matemática em suas medidas,
não as encontrará. Mas olhe esses brotos... estão aqui, sobrevivendo e lutando em sua química perfeita, em sua biologia surpreendente...quanto mais aproximamos o olhar dos feitos divinos, mais admiramos a perfeição!
Mas como eu não me dera conta disso antes? Eu estava perdendo meu tempo com erros de todas as coisas humanas e esquecendo de voltar meu microscópio para o lado certo! Caso mantivesse as lentes de minha alma voltadas para os feitos divinos, teria descoberto coisas bem mais preciosas, apreciáveis, importantes para minha vida. Teria
percebido que mesmo o ser humano e seu conjunto de impotências, quando olhado pelas lentes que apontam para o céu, revela seus traços divinos e potencial para a perfeição.
O que eu quero levar você a pensar é: volte seu olhar para o lugar certo, ajuste suas lentes para as coisas perfeitas. O que ganhamos observando no dia-a-dia apenas o que as pessoas fazem? Atos em que predominam o egoísmo e a corrupção, desgaste emocional e intelectual, descrença nas relações entre os seres humanos, frustração com a própria condição, perda de um tempo precioso (hoje, tempo é salvação), e algo mais de imperfeito que não dá pra engolir (que lista de fazer inveja a Voltaire, hein?). Caso aceite voltar-se para o lado divino, você aprenderá a respeito da real (e única) Perfeição, e se descobrirá sendo olhado do outro lado da lente como um ser
perfeito – segundo o coração de Deus.
Notará, com o tempo, que a contemplação transforma, e que você é (como não percebera isso antes?!) incrivelmente feliz. Assim foi comigo, que à medida que aprofundo a dimensão deste microscópio, enxergo coisas incríveis. Me surpreendo despreocupada e inatingível pela maldade ao redor e vou me vendo mais leve, livre, lúdica e luminosa. Mais Luciana, aquela dos sonhos de Deus.
Uma semana iluminada!
Luna
*Eu, divagando: "tenho uma história com microscópios".*
Quando eu era criança meu sonho era ter uma boneca bebezinho, um "Playmobil" e um microscópio. Eu sonhava acordada com esses brinquedos que nunca vim a ter, planejando aventuras, jogos, mil divertimentos que se frustravam todo Natal. Certa vez um primo ganhou um microscópio de presente. A "primarada" toda foi à loucura, todo mundo queria olhar naquela lente já desfocada de tanto passar de mão em mão. Mas meu primo, no alto de sua glória, proibiu as meninas de terem direito àquela mágica visão... e eu fiquei chorando (sempre fui a prima chorona), ouvindo com mágoa as história de seres fantásticos que habitavam na lama do quintal de meu primo, e que apenas os meninos puderam ver.
Assim se seguiu minha fascinação pela biologia: sempre platônica, alimentada a pão e água pelos documentários da TV Cultura. A única vez que olhei através de um microscópio foi numa feira de ciências, onde se dava a oportunidade para quem estivesse disposto a enfrentar uma fila de dobrar quarteirão, de observar por cinco segundos um mosquito da dengue. Com o tempo, acabei cedendo a outras paixões, mais acessíveis, e fiz do meu olhar a lente para um microscópio próprio: o que focalizava o ser humano.
Foi então que me entreguei a área humanística e passei a investigar com a avidez antropofágica os seres humanos ao redor, me detendo em tudo que a humanidade pudesse criar ou expressar. Com isso aprendi muito sobre mim mesma, mas sem perceber, estava voltando minha lente para o lugar errado, e vou lhes dizer porquê.
O ser humano é uma criatura fantástica, não há definição que traduza essa caraterística, mas tem o fado da imperfeição. E quanto mais você se aproxima de suas obras, mais nitidamente você vê as marcas dessa imperfeição. Ao longo dos séculos filósofos, poetas, escritores, teólogos, sociólogos e políticos voltam seus olhares microscópicos para o ser humano, buscando desvendá-lo em todas as suas esferas, explicando-o e enaltecendo-o (não raro a si próprios) e o que encontraram até hoje? Não há nada feito por humanos que seja completamente perfeito. Pelo contrário. Quanto mais microscopicamente você olhar, quanto mais você buscar precisão e exatidão, mais descobrirá imperfeição e vontade de poder. Só a paixão é capaz de
encobrir essa realidade.
Quando comecei a perceber isso, me senti frustrada e insatisfeita. Foi a sensação de uma criança que vê seu brinquedo perder a graça. Eu que julgava ser capaz de descobrir a grandiosidade humana, me vi diante de seres análogos aos que meus primos descobriram na lama... . O homem foi ficando cada vez mais decepcionante à medida em que eu o via capaz de domar um átomo mas impotente para produzi-lo. Gabando-se de manipular a vida mas sempre vencido pela morte e pela falta de amor.
*Eu, intuindo-o: "já falamos sobre microscópio antes..."*
Nós reclamávamos que o Museu do Ipiranga estava fechado, mas como isso não fosse suficiente para o abrirem, nos restou a saída dos impotentes: sentamos e ontemplamos. Ao menos havia muito o que contemplar no jardim em frente ao museu, e ficamos admirando as árvores artisticamente podadas de modo a formarem, aparententemente, belas figuras geométricas. Mas quando chegamos mais perto, observamos que pequenos brotos agonizantes insistiam em quebrar aquela aparente
perfeição, fazendo sobressair suas sofridas folhinhas por cima da linha reta que a tesoura lhes impunha. Ele falou:
- Veja que interessante. Se olharmos as coisas que o homem faz deperto, percebemos que elas sempre são imperfeitas. E quanto mais próximo você olhar, mais imperfeita ela lhe parecerá... veja esse museu, um prédio muito bem planejado, construído com esmero... mas se você for em busca de precisão ao menos matemática em suas medidas,
não as encontrará. Mas olhe esses brotos... estão aqui, sobrevivendo e lutando em sua química perfeita, em sua biologia surpreendente...quanto mais aproximamos o olhar dos feitos divinos, mais admiramos a perfeição!
Mas como eu não me dera conta disso antes? Eu estava perdendo meu tempo com erros de todas as coisas humanas e esquecendo de voltar meu microscópio para o lado certo! Caso mantivesse as lentes de minha alma voltadas para os feitos divinos, teria descoberto coisas bem mais preciosas, apreciáveis, importantes para minha vida. Teria
percebido que mesmo o ser humano e seu conjunto de impotências, quando olhado pelas lentes que apontam para o céu, revela seus traços divinos e potencial para a perfeição.
O que eu quero levar você a pensar é: volte seu olhar para o lugar certo, ajuste suas lentes para as coisas perfeitas. O que ganhamos observando no dia-a-dia apenas o que as pessoas fazem? Atos em que predominam o egoísmo e a corrupção, desgaste emocional e intelectual, descrença nas relações entre os seres humanos, frustração com a própria condição, perda de um tempo precioso (hoje, tempo é salvação), e algo mais de imperfeito que não dá pra engolir (que lista de fazer inveja a Voltaire, hein?). Caso aceite voltar-se para o lado divino, você aprenderá a respeito da real (e única) Perfeição, e se descobrirá sendo olhado do outro lado da lente como um ser
perfeito – segundo o coração de Deus.
Notará, com o tempo, que a contemplação transforma, e que você é (como não percebera isso antes?!) incrivelmente feliz. Assim foi comigo, que à medida que aprofundo a dimensão deste microscópio, enxergo coisas incríveis. Me surpreendo despreocupada e inatingível pela maldade ao redor e vou me vendo mais leve, livre, lúdica e luminosa. Mais Luciana, aquela dos sonhos de Deus.
Uma semana iluminada!
Luna
domingo, 20 de maio de 2001
Abuse da autoridade
A História é um romance auto-biográfico, escrito por mãos enamoradas pela Autoridade, beldade de fascinantes olhos de sol. Há exemplos gradiosos e desprezíveis de como a autoridade foi usada e abusada pelo homem ao longo de sua existência. Mas foi somente há pouco tempo que eu descobri um sentido pessoal para esta palavra em minha vida, com a ajuda da fé apaixonada de meus irmãos cristãos pentecostais. Desde então descobri também a precisão do versículo "Tudo posso nAquele que me fortalece" Filipenses 4:13.
Questione-se: você crê que esse versículo tem algo a ver com você, ou o considera apenas uma prova de que o apóstolo Paulo era um cristão excepcional? Acredita que essa autoridade de tudo poder também é válida para um ser humano "comum" como eu e você?
A Bíblia propõe uma resposta instigante. Para entendê-la, esqueçamos por um momento as associações que a palavra autoridade possa ter com CPI, ditador, Luis XIV, Conde Drácon, sogras ciumentas, mães de chinelo em punho ou traumas infantis com professoras mau humoradas. Aproveitemos também para desfazer a idéia de que, o contrário de autoridade é humildade: em se tratando de autoridade cristã, a humildade é sempre pressuposto, fundamento, propulsão.
Se passarmos pelos conflitos freudianos e pré-conceitos do parágrafo anterior, vamos estar preparados para assimilar que Jesus deu aos seus seguidores uma missão e um poder: a autoridade para "pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum." Lucas 10:19. Nada mais lógico que um ser, que ao ser criado à imagem e semelhança de Deus recebeu dEle a capacidade de dominar toda a terra e subjugar as demais espécies (Gên. 1: 26), recebesse também autoridade para lidar com o mundo espiritual. Nenhum general mandaria soldados desarmados para a guerra.
No entanto esta idéia parece ir contra o pensamento católico medieval, mas ainda reinante no cristianismo atual, de que para ser um bom filho de Deus, você precisa sofrer, suportar todos os males, se conformar com todas as dores, limitações e agruras desta vida. Parece que ter a face desfigurada e uma lista sem fim de provações é requisito para ser santo. Assim, muitas pessoas vão se deixando envenenar por serpentes e escorpiões, mesmo tendo meios para esmagá-los, vão sendo massacradas continuamente pelo poder do inimigo sem que façam absolutamente nada contra isso. Confundem a Vontade de um Deus amoroso com sua própria comodidade, seu medo de se posicionar firmemente contra o Inimigo e expulsar o domínio dele de suas vidas.
Deus está ansioso para nos ajudar, mas prefere fazê-lo usando a nós mesmos como instrumentos. Esperar que Deus resolva tudo, muitas vezes não é atributo da resignação de um santo, mas pura falta de fé. Momento haverá em que teremos de usar nossa autoridade para expulsar os males que alojamos em nossa casa, trabalho, igreja, braços, peito e espírito, só assim Deus poderá agir de forma efetiva.
Infelizmente eu ainda vejo tanta gente (e às vezes a mim mesma) vestindo uma crença morna e passiva, que fixa os olhos no Cristo sangrando numa cruz, mas passa de largo o Cristo expulsando demônios. Que acredita num Salvador poderoso, mas não se apossa desse poder. Que esquece que "servo bom e fiel" não tem que ser "servo sofredor": Jesus Cristo já sofreu a maior de todas as dores exatamente para que eu e você não tivéssemos que amargar o jugo de nenhum pecado (Isaías 53:4 – 5). E nos deu vitória sobre a morte para não permitirmos que
Satanás nos tire a vida e alegria, características de um povo vencedor.
Desde que entrei na Igreja Adventista ouço um jargão da escritora Ellen White ser repetido constantemente: "Deus precisa de homens e mulheres... que chamem o pecado pelo nome!", mas nunca ouvi ninguém meditar na necessidade de chamar seu próprio pecado pelo nome para em seguida expulsá-lo de si em nome de Jesus. Parece ser infinitamente mais divertido chamar o pecado do outro pelo nome. Há quem aceite a proposta de carteirinha de caça-pecados, e troféu para quem chamar o pecado alheio mais cabeludo. Pecados são como filhos: os nossos são sempre os mais belos. Sendo tais pecados belos também nos nomes, nada mais interessante que se ocupar de chamá-los para o fundo do mais belo, distante e profundo abismo, onde já não possam nos dominar.
O que é autoridade senão a emanação de um poder? Se não exercemos tal autoridade, podemos nós falar que conhecemos o Poder de Deus em nossas vidas? Quero convidar você neste início desta semana, a orar pedindo que Deus te invista de autoridade para espezinhar e vencer o poder do inimigo. Abuse desta autoridade. Imponha-se, em Cristo Jesus, sobre cada mal específico que te atormenta, e depois volte a contar as bênçãos.
Questione-se: você crê que esse versículo tem algo a ver com você, ou o considera apenas uma prova de que o apóstolo Paulo era um cristão excepcional? Acredita que essa autoridade de tudo poder também é válida para um ser humano "comum" como eu e você?
A Bíblia propõe uma resposta instigante. Para entendê-la, esqueçamos por um momento as associações que a palavra autoridade possa ter com CPI, ditador, Luis XIV, Conde Drácon, sogras ciumentas, mães de chinelo em punho ou traumas infantis com professoras mau humoradas. Aproveitemos também para desfazer a idéia de que, o contrário de autoridade é humildade: em se tratando de autoridade cristã, a humildade é sempre pressuposto, fundamento, propulsão.
Se passarmos pelos conflitos freudianos e pré-conceitos do parágrafo anterior, vamos estar preparados para assimilar que Jesus deu aos seus seguidores uma missão e um poder: a autoridade para "pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum." Lucas 10:19. Nada mais lógico que um ser, que ao ser criado à imagem e semelhança de Deus recebeu dEle a capacidade de dominar toda a terra e subjugar as demais espécies (Gên. 1: 26), recebesse também autoridade para lidar com o mundo espiritual. Nenhum general mandaria soldados desarmados para a guerra.
No entanto esta idéia parece ir contra o pensamento católico medieval, mas ainda reinante no cristianismo atual, de que para ser um bom filho de Deus, você precisa sofrer, suportar todos os males, se conformar com todas as dores, limitações e agruras desta vida. Parece que ter a face desfigurada e uma lista sem fim de provações é requisito para ser santo. Assim, muitas pessoas vão se deixando envenenar por serpentes e escorpiões, mesmo tendo meios para esmagá-los, vão sendo massacradas continuamente pelo poder do inimigo sem que façam absolutamente nada contra isso. Confundem a Vontade de um Deus amoroso com sua própria comodidade, seu medo de se posicionar firmemente contra o Inimigo e expulsar o domínio dele de suas vidas.
Deus está ansioso para nos ajudar, mas prefere fazê-lo usando a nós mesmos como instrumentos. Esperar que Deus resolva tudo, muitas vezes não é atributo da resignação de um santo, mas pura falta de fé. Momento haverá em que teremos de usar nossa autoridade para expulsar os males que alojamos em nossa casa, trabalho, igreja, braços, peito e espírito, só assim Deus poderá agir de forma efetiva.
Infelizmente eu ainda vejo tanta gente (e às vezes a mim mesma) vestindo uma crença morna e passiva, que fixa os olhos no Cristo sangrando numa cruz, mas passa de largo o Cristo expulsando demônios. Que acredita num Salvador poderoso, mas não se apossa desse poder. Que esquece que "servo bom e fiel" não tem que ser "servo sofredor": Jesus Cristo já sofreu a maior de todas as dores exatamente para que eu e você não tivéssemos que amargar o jugo de nenhum pecado (Isaías 53:4 – 5). E nos deu vitória sobre a morte para não permitirmos que
Satanás nos tire a vida e alegria, características de um povo vencedor.
Desde que entrei na Igreja Adventista ouço um jargão da escritora Ellen White ser repetido constantemente: "Deus precisa de homens e mulheres... que chamem o pecado pelo nome!", mas nunca ouvi ninguém meditar na necessidade de chamar seu próprio pecado pelo nome para em seguida expulsá-lo de si em nome de Jesus. Parece ser infinitamente mais divertido chamar o pecado do outro pelo nome. Há quem aceite a proposta de carteirinha de caça-pecados, e troféu para quem chamar o pecado alheio mais cabeludo. Pecados são como filhos: os nossos são sempre os mais belos. Sendo tais pecados belos também nos nomes, nada mais interessante que se ocupar de chamá-los para o fundo do mais belo, distante e profundo abismo, onde já não possam nos dominar.
O que é autoridade senão a emanação de um poder? Se não exercemos tal autoridade, podemos nós falar que conhecemos o Poder de Deus em nossas vidas? Quero convidar você neste início desta semana, a orar pedindo que Deus te invista de autoridade para espezinhar e vencer o poder do inimigo. Abuse desta autoridade. Imponha-se, em Cristo Jesus, sobre cada mal específico que te atormenta, e depois volte a contar as bênçãos.
domingo, 13 de maio de 2001
Amigos e afins
Oi!
Será que vocês têm percebido que eu ando numa fase meio minimalista?... reparei nisto esta semana, enquanto ouvia uma música da Annie Lennox que diz: "the language is leaving me". De fato, as respostas a maioria de meus e-mails pessoais têm, inacreditavelmente, se reduzido a poucas linhas, meu repertório de palavras usadas na
faculdade e no trabalho cabem em menos linhas ainda, e tenho me surpreendido usando uma lógica de raciocínio tão objetiva, que tenho começado a sentir saudade de minhas divagações desvairadas.
Acho que esta rotina maquinal tem me desumanizado um pouco. Ou simplesmente me deixado mais prática... mas quando as conversas com os amigos começam a acontecer apenas em lugares cada vez mais bizarros como dentro do ônibus, no intervalo de um semáforo fechado, ou na fila de um banheiro público, deve haver algo errado, concorda?
Estou preocupada! Se eu continuar assim, em breve estarei usando código morse ao telefone, alfabeto de bandeiras para falar com minha família e comprando CDs de Philip Glass!! Nãaaaaoooooo!!!!
Ainda estou me acostumando a estas faces superficiais do mundoadulto. Já que para tocar a vida há que se alterar necessariamente a vida social, eu espero ao menos que consiga manter um bom grupo de afins. De modo que mesmo ausente (eu ia usar a locução "um pouco", mas tenho de ser sincera...), estes amigos ainda consigam entender o quanto os amo, mesmo em meu silêncio, algo assim como uma telepatia
que os dê a certeza que queria ter mais tempo para me demorar neles e nos meus sentimentos. Não estou tentando me escusar da culpa que tenho, acredito que administrando melhor meu tempo, conseguiria um pouco mais do que tenho feito neste sentido... mas até lá eu confio no poder da afinidade, que faz os seres perceberem a presença do outro, e sentirem com ele, e partilharem a existência acima de qualquer tipo de distância. Uma afinidade que tem o poder de suprimir ausências: quando você vê a criatura depois de dez anos, retoma o convívio com o mesmo sentimento de felicidade, no ponto exato onde ele parou.
Entendo a necessidade que nós temos de gestos que demonstrem concretamente o que sentimos, mas olha, eu ainda acho que a afinidade é mais importante. Isso eu vim entender profundamente outro dia quando liguei para meu amigo Tibi. Depois de vários meses sem nos falarmos, eu reconheci sua voz imediatamente, e ouvi dele que tinha ligado no momento exato em que ele estava precisando. Aquela telepatia de que lhe falei ali em cima. É ela que faz a distinção entre meus amigos verdadeiros e os colegas passantes. Não que a presença física seja dispensável – eu sou uma firme defensora dela –, o que tento expressar é que ela não é o mais importante, o substancial é sua plácida expectativa.
Sabe, já que o assunto é amigos... eu bem que gostaria que Jesus viesse almoçar de vez em quando aqui em casa. Prepararia até meu prato especial: a melhor lasanha congelada de caixinha da história da culinária. Queria encontrar com ele depois do trabalho para um passeio, ou uma conversa tomando o suco sensacional da Dona Sônia na
lanchonete dela. Seria bem legal virar uma noite conversando com Ele, como as velhas noitadas na casa da Du, sem compromisso com os livros de Direito Internacional (argh!). Eu tenho certeza que Ele também adoraria estar presente desta forma. E é esta certeza que me anima a esperar o dia de vê-lO, para continuarmos nosso convívio do ponto onde parou no Édem! O nosso tipo de amizade se distingue como verdadeira exatamente pelo fato de eu sentir que posso contar com Ele, mesmo sem Sua presença física. Até Seu silêncio é amável, a certeza que Ele está ao meu lado transcende essas coisas tangíveis. E nem te conto com que graça nosso amor dispensa o Aurélio! Meu contato com Ele não se resume apenas a conversas entre dois distantes, mas durante todo o dia, somos onipresentes um para o outro, até naqueles momentos em que o amor vira um leve estado de dormência...inconsciência antenada, sonambulismo parabólico. :-P
Afim é alguém assim, sem fim, de quem se está sempre a fim. Uma amizade dessas acaba se tornando forte a ponto de moldar toda uma vida, de modo a fundí-la à outra. Ser e estar estão tão vinculados como no significado do verbo to be. Amigos afins, como os que Jesus me deu aqui, e que Ele mesmo é para mim, são o motivo de nunca me faltar motivo para sorrir. Durante esta semana que se inicia, permita-se reconhecer mais uma vez o valor de cada um de seus afins, viver com mais atenção estas afinidades – você não precisa de tempo para isso, só de um pouco de espaço dentro de si mesmo. Vamos assimilar a tática divina de deixar nossos afins sentirem (e sentirmos nós
mesmos!), do ato mais minimalista até o exagero de uma expressão super-luciânica-hiperbólica-megalomaníaca-típica, a voz telepática de alguém dizendo: te amo, te amo, te amo, tum tum...
Uma semana iluminada!!
Luna
Ps.: Minha intenção era, verdadeiramente, fazer uma meditação, mas meu teclado insistiu em fazer poesia. Bem, ao menos matei a saudade de minhas divagações desvairadas...
Será que vocês têm percebido que eu ando numa fase meio minimalista?... reparei nisto esta semana, enquanto ouvia uma música da Annie Lennox que diz: "the language is leaving me". De fato, as respostas a maioria de meus e-mails pessoais têm, inacreditavelmente, se reduzido a poucas linhas, meu repertório de palavras usadas na
faculdade e no trabalho cabem em menos linhas ainda, e tenho me surpreendido usando uma lógica de raciocínio tão objetiva, que tenho começado a sentir saudade de minhas divagações desvairadas.
Acho que esta rotina maquinal tem me desumanizado um pouco. Ou simplesmente me deixado mais prática... mas quando as conversas com os amigos começam a acontecer apenas em lugares cada vez mais bizarros como dentro do ônibus, no intervalo de um semáforo fechado, ou na fila de um banheiro público, deve haver algo errado, concorda?
Estou preocupada! Se eu continuar assim, em breve estarei usando código morse ao telefone, alfabeto de bandeiras para falar com minha família e comprando CDs de Philip Glass!! Nãaaaaoooooo!!!!
Ainda estou me acostumando a estas faces superficiais do mundoadulto. Já que para tocar a vida há que se alterar necessariamente a vida social, eu espero ao menos que consiga manter um bom grupo de afins. De modo que mesmo ausente (eu ia usar a locução "um pouco", mas tenho de ser sincera...), estes amigos ainda consigam entender o quanto os amo, mesmo em meu silêncio, algo assim como uma telepatia
que os dê a certeza que queria ter mais tempo para me demorar neles e nos meus sentimentos. Não estou tentando me escusar da culpa que tenho, acredito que administrando melhor meu tempo, conseguiria um pouco mais do que tenho feito neste sentido... mas até lá eu confio no poder da afinidade, que faz os seres perceberem a presença do outro, e sentirem com ele, e partilharem a existência acima de qualquer tipo de distância. Uma afinidade que tem o poder de suprimir ausências: quando você vê a criatura depois de dez anos, retoma o convívio com o mesmo sentimento de felicidade, no ponto exato onde ele parou.
Entendo a necessidade que nós temos de gestos que demonstrem concretamente o que sentimos, mas olha, eu ainda acho que a afinidade é mais importante. Isso eu vim entender profundamente outro dia quando liguei para meu amigo Tibi. Depois de vários meses sem nos falarmos, eu reconheci sua voz imediatamente, e ouvi dele que tinha ligado no momento exato em que ele estava precisando. Aquela telepatia de que lhe falei ali em cima. É ela que faz a distinção entre meus amigos verdadeiros e os colegas passantes. Não que a presença física seja dispensável – eu sou uma firme defensora dela –, o que tento expressar é que ela não é o mais importante, o substancial é sua plácida expectativa.
Sabe, já que o assunto é amigos... eu bem que gostaria que Jesus viesse almoçar de vez em quando aqui em casa. Prepararia até meu prato especial: a melhor lasanha congelada de caixinha da história da culinária. Queria encontrar com ele depois do trabalho para um passeio, ou uma conversa tomando o suco sensacional da Dona Sônia na
lanchonete dela. Seria bem legal virar uma noite conversando com Ele, como as velhas noitadas na casa da Du, sem compromisso com os livros de Direito Internacional (argh!). Eu tenho certeza que Ele também adoraria estar presente desta forma. E é esta certeza que me anima a esperar o dia de vê-lO, para continuarmos nosso convívio do ponto onde parou no Édem! O nosso tipo de amizade se distingue como verdadeira exatamente pelo fato de eu sentir que posso contar com Ele, mesmo sem Sua presença física. Até Seu silêncio é amável, a certeza que Ele está ao meu lado transcende essas coisas tangíveis. E nem te conto com que graça nosso amor dispensa o Aurélio! Meu contato com Ele não se resume apenas a conversas entre dois distantes, mas durante todo o dia, somos onipresentes um para o outro, até naqueles momentos em que o amor vira um leve estado de dormência...inconsciência antenada, sonambulismo parabólico. :-P
Afim é alguém assim, sem fim, de quem se está sempre a fim. Uma amizade dessas acaba se tornando forte a ponto de moldar toda uma vida, de modo a fundí-la à outra. Ser e estar estão tão vinculados como no significado do verbo to be. Amigos afins, como os que Jesus me deu aqui, e que Ele mesmo é para mim, são o motivo de nunca me faltar motivo para sorrir. Durante esta semana que se inicia, permita-se reconhecer mais uma vez o valor de cada um de seus afins, viver com mais atenção estas afinidades – você não precisa de tempo para isso, só de um pouco de espaço dentro de si mesmo. Vamos assimilar a tática divina de deixar nossos afins sentirem (e sentirmos nós
mesmos!), do ato mais minimalista até o exagero de uma expressão super-luciânica-hiperbólica-megalomaníaca-típica, a voz telepática de alguém dizendo: te amo, te amo, te amo, tum tum...
Uma semana iluminada!!
Luna
Ps.: Minha intenção era, verdadeiramente, fazer uma meditação, mas meu teclado insistiu em fazer poesia. Bem, ao menos matei a saudade de minhas divagações desvairadas...
domingo, 6 de maio de 2001
Autógrafo
Toda a linguagem escrita, corporal e artística se rende à força mágica dele. A Sacha, filha da Xuxa, já descobriu isso e desenha formidáveis bolinhas quando reconhecida por seus fãs. Um autógrafo é algo tão pessoal, que quem o recebe tem a firme impressão que capturou as qualidades e a presença de quem o deu. Uma simples
assinatura pode multiplicar consideravelmente o valor de um documento, uma partitura, uma tela, uma roupa, um perfume, entre outras coisas. Hoje certas assinaturas valem mais do que os objetos em questão e não raro, bem mais que o talento de quem assinou...
Nem mesmo os cristãos primitivos escaparam ao uso do autógrafo, e consta que uns mais fervorosos tatuavam a forma de um peixe no corpo. Eu, na época que cantei num grupo vocal de relativa fama local, treinei até o meu, que conseguiu fundir ao meu nome uma linda pombinha com um ramo singelo no bico. Por favor, sejam benevolentes na gozação, era uma bonita pombinha.
Hoje queria que você meditasse no autógrafo que você está dando através de suas atitudes. Sim, em cada gesto, palavra ou decisão sua, está implícita a marca de um autógrafo que personaliza essas ações. É isso que distingue o seu modo de ser dos outros bilhões de habitantes da Terra, é essa assinatura que expressa suas qualidades e dá aos outros a medida do que você é. E o que você é? Alguma vez decidiu-se pelo adjetivo "cristão"? Se esse for seu caso, e você esteja vivendo realmente seu cristianismo, então já sou capaz de reconhecer seu autógrafo. E como ele é valioso! "Porque... o Alto e o Excelso..." Nome que você professa seguir, "...habita na eternidade..." do seu autógrafo (Isaías 57:15).
No mundo moderno há excesso de coisas fúteis, fugazes, passageiras. É nos recomendado desde sempre que gozemos o momento presente, pois ele se esvai com tudo que o acompanha: as pessoas mudam, as comidas
estragam, as luzes se apagam, o prazer é volátil, a alegria escorrega entre os dedos, vivemos sob o império da transitoriedade. Qual a diferença marcante entre os móveis, casamentos e músicas do século XVIII e os de hoje? É que hoje, ao contrário daquela época, ninguém mais os faz pensando em durarem para sempre. A modernidade traz como alternativa a substituição constante, até à exaustão - enquanto houver o que se exaurir...
Mas Deus "pôs na mente do homem a idéia da eternidade" (Eclesiastes 3:11), para que nós puséssemos essa idéia em cada atitude, como um autógrafo que as acompanha. É a eternidade implícita nos seus atos que lhes dará um valor especial, que dirá algo íntimo e pessoal sobre quem você é como filho de Deus. Qualquer um consegue fazer as coisas pensando em si, em dinheiro, prosperidade, amor, satisfação, recompensa. Difícil, amigo, é assinar os próprios atos pensando em eternidade. Nas consequências eternas desta nossa vidinha aqui.
Deus habita na eternidade que há no pensar, agir, falar e decidir do cristão. E se for para sentir e chamar de amor, então tem que ser para sempre: somos seres feitos para a eternidade. Que nessa semana mostremos o nosso Deus de atitude em atitude. E "Bendito" seja o Senhor Deus de Israel de eternidade a eternidade. Amém e amém". Salmo
41:13
assinatura pode multiplicar consideravelmente o valor de um documento, uma partitura, uma tela, uma roupa, um perfume, entre outras coisas. Hoje certas assinaturas valem mais do que os objetos em questão e não raro, bem mais que o talento de quem assinou...
Nem mesmo os cristãos primitivos escaparam ao uso do autógrafo, e consta que uns mais fervorosos tatuavam a forma de um peixe no corpo. Eu, na época que cantei num grupo vocal de relativa fama local, treinei até o meu, que conseguiu fundir ao meu nome uma linda pombinha com um ramo singelo no bico. Por favor, sejam benevolentes na gozação, era uma bonita pombinha.
Hoje queria que você meditasse no autógrafo que você está dando através de suas atitudes. Sim, em cada gesto, palavra ou decisão sua, está implícita a marca de um autógrafo que personaliza essas ações. É isso que distingue o seu modo de ser dos outros bilhões de habitantes da Terra, é essa assinatura que expressa suas qualidades e dá aos outros a medida do que você é. E o que você é? Alguma vez decidiu-se pelo adjetivo "cristão"? Se esse for seu caso, e você esteja vivendo realmente seu cristianismo, então já sou capaz de reconhecer seu autógrafo. E como ele é valioso! "Porque... o Alto e o Excelso..." Nome que você professa seguir, "...habita na eternidade..." do seu autógrafo (Isaías 57:15).
No mundo moderno há excesso de coisas fúteis, fugazes, passageiras. É nos recomendado desde sempre que gozemos o momento presente, pois ele se esvai com tudo que o acompanha: as pessoas mudam, as comidas
estragam, as luzes se apagam, o prazer é volátil, a alegria escorrega entre os dedos, vivemos sob o império da transitoriedade. Qual a diferença marcante entre os móveis, casamentos e músicas do século XVIII e os de hoje? É que hoje, ao contrário daquela época, ninguém mais os faz pensando em durarem para sempre. A modernidade traz como alternativa a substituição constante, até à exaustão - enquanto houver o que se exaurir...
Mas Deus "pôs na mente do homem a idéia da eternidade" (Eclesiastes 3:11), para que nós puséssemos essa idéia em cada atitude, como um autógrafo que as acompanha. É a eternidade implícita nos seus atos que lhes dará um valor especial, que dirá algo íntimo e pessoal sobre quem você é como filho de Deus. Qualquer um consegue fazer as coisas pensando em si, em dinheiro, prosperidade, amor, satisfação, recompensa. Difícil, amigo, é assinar os próprios atos pensando em eternidade. Nas consequências eternas desta nossa vidinha aqui.
Deus habita na eternidade que há no pensar, agir, falar e decidir do cristão. E se for para sentir e chamar de amor, então tem que ser para sempre: somos seres feitos para a eternidade. Que nessa semana mostremos o nosso Deus de atitude em atitude. E "Bendito" seja o Senhor Deus de Israel de eternidade a eternidade. Amém e amém". Salmo
41:13
domingo, 29 de abril de 2001
Sobre o besouro do p.s,
Cheguei a pensar que não iria acabar nunca, mas o período de provas da primeira unidade na faculdade teve fim. Depois de noites mal dormidas e horas infindas sofridas na leitura exaustiva de livros enormes, eu cheguei ao fim desta semana me abstendo de ler até outdoor. Estava disposta a passar um bom tempo em estado de desinformação total: jogar banco imobiliário, assistir um vídeo de comédia, andar pelo shopping, talvez chegar ao cúmulo de ver TV no domingo... . Mas como esse roteiro me deixasse com a estranha sensação de morte iminente por tédio, eu fiz uma trégua com a leitura e despenquei numa rede, com um pote de sorvete de coco de um lado, e do outro um livrinho simples, sem pretensões intelectuais, fininho e próprio para ser folheado aleatória e despreocupadamente.
Trata-se de "P.S.: eu te amo", do escritor H. Jackson Bronw Jr. Eu o ganhei de presente há muito tempo, mas ainda não tinha me detido para o ler na íntegra. Trata-se de uma compilação que o autor fez de todos os "post scriptum" das cartas que sua mãe lhe enviou ao longo da vida. Segundo as palavras dele, ela sempre deixava o melhor para o final, e neste pequenino espaço escrevia grandes conselhos e observações inteligentes, sempre acompanhados da afirmação do amor materno.
Acho que isso é que faz este modesto livrinho se destacar entre os livros de pensamentos do gênero: o "post scriptum", via de regra, tem um conteúdo intrigante, e costuma ser a parte mais significativa dos e-mails que recebo. Isso faz parte de uma regra geral infalível: você deve tomar nota cuidadosa de tudo que lhe for dito de passagem... o que importa só é dito depois da primeira conjunção adversativa (mas... porém...) e um discurso inteiro não vale a sua conclusão.
Um dos "P.S.s" da senhora Brown que me chamou atenção, dizia: " Pelas leis da aerodinâmica o besouro não pode voar. Esqueceram de dizer isso para ele!"
E é apenas sobre isso que eu queria que você meditasse no início desta semana: quais são os limites que você tem se imposto? Os limites forjados pela voz de quem te deprecia, e diz que você não pode, que não vai conseguir, que deve tentar outro caminho, que já não há chances, que você é incapaz e seu caso, sinto muito, não tem solução? Pior: terá você feito dessa, a sua própria voz? Ou seus limites são ditados pela voz da vontade divina? Se for assim, não tenha dúvidas que Deus sempre estabelecerá o melhor alvo para você. Isso mesmo, inclusive aquele ali, que você tem medo de ir buscar.
Eu estou certa de que há momentos na vida em que nos sentimos fracos, e por uma razão ou outra somos levados a crer nessa voz castradora aí de cima. Mas por que se acorrentar à incapacidade, se você tem aos seu dispôr um Espírito Santo e Poderoso para te transformar num ser vitorioso em todos os sentidos? Se você reconhecer isso, seus problemas não vão desaparecer, mas você vai lidar com eles de forma diferente. Muitas vozes continuarão falando de nossas fraquezas e limitações "...mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas." Daniel 11:32.
Uma semana iluminada!
Luna
Trata-se de "P.S.: eu te amo", do escritor H. Jackson Bronw Jr. Eu o ganhei de presente há muito tempo, mas ainda não tinha me detido para o ler na íntegra. Trata-se de uma compilação que o autor fez de todos os "post scriptum" das cartas que sua mãe lhe enviou ao longo da vida. Segundo as palavras dele, ela sempre deixava o melhor para o final, e neste pequenino espaço escrevia grandes conselhos e observações inteligentes, sempre acompanhados da afirmação do amor materno.
Acho que isso é que faz este modesto livrinho se destacar entre os livros de pensamentos do gênero: o "post scriptum", via de regra, tem um conteúdo intrigante, e costuma ser a parte mais significativa dos e-mails que recebo. Isso faz parte de uma regra geral infalível: você deve tomar nota cuidadosa de tudo que lhe for dito de passagem... o que importa só é dito depois da primeira conjunção adversativa (mas... porém...) e um discurso inteiro não vale a sua conclusão.
Um dos "P.S.s" da senhora Brown que me chamou atenção, dizia: " Pelas leis da aerodinâmica o besouro não pode voar. Esqueceram de dizer isso para ele!"
E é apenas sobre isso que eu queria que você meditasse no início desta semana: quais são os limites que você tem se imposto? Os limites forjados pela voz de quem te deprecia, e diz que você não pode, que não vai conseguir, que deve tentar outro caminho, que já não há chances, que você é incapaz e seu caso, sinto muito, não tem solução? Pior: terá você feito dessa, a sua própria voz? Ou seus limites são ditados pela voz da vontade divina? Se for assim, não tenha dúvidas que Deus sempre estabelecerá o melhor alvo para você. Isso mesmo, inclusive aquele ali, que você tem medo de ir buscar.
Eu estou certa de que há momentos na vida em que nos sentimos fracos, e por uma razão ou outra somos levados a crer nessa voz castradora aí de cima. Mas por que se acorrentar à incapacidade, se você tem aos seu dispôr um Espírito Santo e Poderoso para te transformar num ser vitorioso em todos os sentidos? Se você reconhecer isso, seus problemas não vão desaparecer, mas você vai lidar com eles de forma diferente. Muitas vozes continuarão falando de nossas fraquezas e limitações "...mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas." Daniel 11:32.
Uma semana iluminada!
Luna
domingo, 22 de abril de 2001
Possibilidades
Olá amigos,
Os que convivem comigo hão de concordar: em se tratando deimaginação, a minha só é superada pelo vôo do condor. Essacaracterística foi alimentada principalmente em minha infância,quando a ausência de um monte de coisas foi terreno fértil para estamente alada. A escassez de livros me fez escrever os meus próprios, afalta de brinquedos industrializados me fez inventar jogos ebrincadeiras, a dificuldade financeira me fazia aproveitar tudo queeu tinha ao meu alcance como matéria-prima de sonho. Afinal, serfeliz era uma urgência. Curiosidade, criatividade, lápis, papel emais umas bugigangas eram o suficiente para eu construir reinos eaventuras em meu quintal.
Por isso olho com certa tristeza essa tendência moderna de tornartudo muito óbvio, prático, real. São poucos os brinquedos e a culturaque estimulam a imaginação das crianças, as quais ficam adultas cada vez mais precocemente – tem coisa mais triste que uma criança de cinco anos tecendo discursos sobre sexo, pena de morte (uma malufista!!) e germes, como se a realidade dos telejornais fosse amais óbvia e única verdade? Outro dia, num consultório médico, vi uma cena dessas e enquanto a mãe sorria orgulhosa eu controlava minha vontade vomitar (e o médico nem era um gastroenterologista).Talvez por nos acostumarmos com o óbvio, desconheçamos as nossas possibilidades. Vejam por exemplo aquele grupo numeroso reunido ali,ao pé do monte. Por alto dá para contar umas quinze mil pessoas entre homens, mulheres e crianças, muitos cansados e todos com fome ,reunidos em torno de um único Homem. Este povo o seguia em busca deconforto espiritual, porque tinham ouvido falar de como Ele curava e pregava pelo poder de Deus. Mas também precisavam fartar sua fome física.
Simples, tragam a comida!. "Mas não há comida.", você responde.Olhe de novo, tenha mais cuidado dessa vez. Tem certeza que não hácomo alimentar essa multidão?"Bem, pode-se fazer uma vaquinha e comprar algo, mas mesmo assim vai ser preciso juntar um monte de dinheiro!!"Pois eu acho que há outra solução. Fuja do óbvio e use a imaginação,amigo! Olhe aquele rapaz ali adiante. Você não prestou atençãonele.
"Tá bom. Tou vendo. Ele tem cinco pães e dois peixes, agora o quevocê sugere? Nem distribuindo só o cheiro ia dar para tanta gente.Faça o favor de ser prático e dar uma solução mais real, porque não temos muito tempo para ficar brincando, o problema está aí!"Não acho. Você olha para cinco pães e dois peixes e vê um problema.Eu olho para os mesmo cinco pães e dois peixes e vejo possibilidades.Vejo gente com a fome saciada e comida sobrando para outra refeição.Consegue enxergar agora? Leia João 6: 1 – 14.
Uma das qualidades que mais admiro em Deus é Sua criatividade. Como bom artista, ele ousa fugir do óbvio para agir em nosso favor. Se temos fé para permitir isso, é outra história.Seja um entusiasta do poder divino. Durante esta nova semana, olhe com mais atenção o que você tem em mãos e se pergunte o que você e Deus podem fazer com isso. Não se espante em descobrir que, onde antes você via um problema, apareçam possibilidades estimulantes,soluções surpreendentes e até aquela tão sonhada paz. Aí sua semana será realmente iluminada ;-)
Luna
Os que convivem comigo hão de concordar: em se tratando deimaginação, a minha só é superada pelo vôo do condor. Essacaracterística foi alimentada principalmente em minha infância,quando a ausência de um monte de coisas foi terreno fértil para estamente alada. A escassez de livros me fez escrever os meus próprios, afalta de brinquedos industrializados me fez inventar jogos ebrincadeiras, a dificuldade financeira me fazia aproveitar tudo queeu tinha ao meu alcance como matéria-prima de sonho. Afinal, serfeliz era uma urgência. Curiosidade, criatividade, lápis, papel emais umas bugigangas eram o suficiente para eu construir reinos eaventuras em meu quintal.
Por isso olho com certa tristeza essa tendência moderna de tornartudo muito óbvio, prático, real. São poucos os brinquedos e a culturaque estimulam a imaginação das crianças, as quais ficam adultas cada vez mais precocemente – tem coisa mais triste que uma criança de cinco anos tecendo discursos sobre sexo, pena de morte (uma malufista!!) e germes, como se a realidade dos telejornais fosse amais óbvia e única verdade? Outro dia, num consultório médico, vi uma cena dessas e enquanto a mãe sorria orgulhosa eu controlava minha vontade vomitar (e o médico nem era um gastroenterologista).Talvez por nos acostumarmos com o óbvio, desconheçamos as nossas possibilidades. Vejam por exemplo aquele grupo numeroso reunido ali,ao pé do monte. Por alto dá para contar umas quinze mil pessoas entre homens, mulheres e crianças, muitos cansados e todos com fome ,reunidos em torno de um único Homem. Este povo o seguia em busca deconforto espiritual, porque tinham ouvido falar de como Ele curava e pregava pelo poder de Deus. Mas também precisavam fartar sua fome física.
Simples, tragam a comida!. "Mas não há comida.", você responde.Olhe de novo, tenha mais cuidado dessa vez. Tem certeza que não hácomo alimentar essa multidão?"Bem, pode-se fazer uma vaquinha e comprar algo, mas mesmo assim vai ser preciso juntar um monte de dinheiro!!"Pois eu acho que há outra solução. Fuja do óbvio e use a imaginação,amigo! Olhe aquele rapaz ali adiante. Você não prestou atençãonele.
"Tá bom. Tou vendo. Ele tem cinco pães e dois peixes, agora o quevocê sugere? Nem distribuindo só o cheiro ia dar para tanta gente.Faça o favor de ser prático e dar uma solução mais real, porque não temos muito tempo para ficar brincando, o problema está aí!"Não acho. Você olha para cinco pães e dois peixes e vê um problema.Eu olho para os mesmo cinco pães e dois peixes e vejo possibilidades.Vejo gente com a fome saciada e comida sobrando para outra refeição.Consegue enxergar agora? Leia João 6: 1 – 14.
Uma das qualidades que mais admiro em Deus é Sua criatividade. Como bom artista, ele ousa fugir do óbvio para agir em nosso favor. Se temos fé para permitir isso, é outra história.Seja um entusiasta do poder divino. Durante esta nova semana, olhe com mais atenção o que você tem em mãos e se pergunte o que você e Deus podem fazer com isso. Não se espante em descobrir que, onde antes você via um problema, apareçam possibilidades estimulantes,soluções surpreendentes e até aquela tão sonhada paz. Aí sua semana será realmente iluminada ;-)
Luna
domingo, 15 de abril de 2001
Uma ovelha em três vozes (Handel)
Olá amigos iluminados!
Eu já falei para vocês o quanto gosto de Handel? Só não afirmo que ele é meu compositor favorito porque também sou fascinada pela exuberância de Bach, a expressividade de Vivaldi, e a "mediocridade" de Mozart (o garante minha querida e saudosa amiga Renata). Se a minha vida pudesse ter trilha musical (tenho esta neurose), George Frideric Handel fulguraria em destaque nos créditos, tanto me identifico com sua música.
Eu estava aqui prestando atenção numa das muitas belas árias compostas por ele, que também é uma obra-prima teológica pelo simples ajuntar de dois versículos. A voz de uma contralto (as contraltos são formidáveis) desabrocha no meio de violinos e canta: "Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará junto ao peito; as que amamentam, ele as guiará mansamente." (Isaías 40:11). Chegue mais perto e repare: o pastor agora está sozinho, e tem o olhar fixo no horizonte, onde busca uma ovelha. Por um momento ele interrompe a caminhada, para e suspira. A voz soprano que estava agachada a contemplar a flor da voz contralto, toma-a nas mãos, levanta-se três tons acima e diz: "Ide a Ele, todos os que estais cansados e oprimidos, e Ele vos aliviará.. Tomai sobre vós o Seu jugo, e aprendei dEle, que é manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (ver Mateus 11:28, 29).
E agora eu ouso ir além, fazendo um arranjo nessa harmonia tocante. Quero ver a ovelha que o pastor procura. E sabe o que vejo? A ovelha de Lucas 3:4 – 6, aquela famosa ovelhinha perdida.
Quero que você imagine-se no lugar daquele pastor. Ele amava suas ovelhas, e tanto cuidava, dava carinho e atenção que estas já lhe conheciam pela voz. Mas uma dessas ovelhas sumiu, deixando-o preocupado, temeroso e decepcionado. Imagino esse pastor andando pelo deserto, fazendo sua voz ecoar nas montanhas pedregosas em busca de sua preciosa ovelha perdida. Mas parece que quanto mais a busca, mais a ovelha se distancia dele. O sol lhe queima a face ansiosa... ele começa a sentir sede e fome. Seus pés doem, mas ele continua a andar e – estranho – seu semblante transmite ânimo inabalável, sua voz firme não deixa de ser doce enquanto diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... e achareis descanso para as vossas almas"
Consegue perceber que enquanto procura a sua ovelha perdida, o pastor chama para si não só ela, mas todos os que estão cansados e oprimidos? Pode imaginar que, naqueles vales desérticos talvez hajam outra ovelhas perdidas precisando dos braços amoráveis do pastor, onde possam descansar junto ao seu peito? Nota que mesmo fatigado da busca, decepcionado com a perda de sua querida ovelhinha, e sem certezas de que tornará a vê-la, ele persiste em ser pastor acolhedor a toda criatura que cruze seu caminho? Você enxerga que este pastor não se ocupa das próprias lágrimas, mas persegue com teimosia um alvo, sem jamais duvidar de sua capacidade de amar, sem questionar se vale a pena tamanha jornada pedregosa por causa de uma simples ovelha?
Olhe para sua vida e pense nas coisas que você perdeu. Talvez você saiba exatamente o que faz falta, a saudade precisa do que um dia foi tão seu, tão você, a dor de uma ausência bem conhecida: algo que se perdeu de dentro de você. Talvez você nem tenha parado para se dar conta das perdas que carrega como fardo vida afora. Algumas pessoas preferem não pensar muito na forma como perderam a pureza ingênua, a esperança de melhorar as coisas erradas ao redor ou em si mesmo, a capacidade de amar e confiar sinceramente no ser humano, até mesmo a crença num Deus presente e amoroso e num novo mundo transformado, muito embora essas perdas se acumulem formando rugas no espírito de quem as leva.
O que eu desejo para mim e para todos aqueles que sofreram grandes perdas e decepções, é que assumam a postura daquele pastor. Não desistir de ir atrás do que se perdeu. Se isso lhe pertencia, era parte de você, então é extremamente precioso e deve voltar ao seu verdadeiro lugar. Não podemos nos sentir felizes se estamos incompletos, portanto continue procurando o amor, a amizade, a confiança, a fé, a crença. Se você fizer isso, vai estar você mesmo voltando para o seu verdadeiro lugar, pois o caminho pedregoso dos que lutam por reconquistar a felicidade, vai dar na Nova Terra, onde finalmente encontraremos tudo que um dia fomos, e que se perdeu nesses milênios de pecado.
Continue buscando. E não siga cabisbaixo e murmurante, não se isole no vale de sua dor; vá oferecendo amor e sorrisos a todos que cruzarem seu caminho. Enquanto procura sua ovelha perdida, dê o abrigo de seus braços aos que seguem cansados e oprimidos, seja alívio e descanso para os outros que estão perdidos. Você estará recuperando muitas ovelhas preciosas que a humanidade perdeu. Seja manso e humilde de coração, e você já terá achado algo muito importante: companhia para dividir o peso do jugo, e ajuda para buscar e comemorar a volta da sua ovelhinha.
Uma semana cheia dessa melodia luminosa,
Luna
Ps.: Tuca, esse é o tipo de verdade que a gente sabe mas insiste em esquecer na primeira lágrima. Alguns nos oferecem um lenço para enxugá-la; e nosso olhar só fica mais encoberto e detido na dor. Outros, sem perguntas, nos tomam pela mão e andam conosco até o melhor caminho, deixando que a lágrima seque ao vento; e nosso olhar se abre para horizontes cheios de vida. Obrigada, você é um grande amigo.
Ps2.:Ária do oratório "O Messias" de Handel.
Eu já falei para vocês o quanto gosto de Handel? Só não afirmo que ele é meu compositor favorito porque também sou fascinada pela exuberância de Bach, a expressividade de Vivaldi, e a "mediocridade" de Mozart (o garante minha querida e saudosa amiga Renata). Se a minha vida pudesse ter trilha musical (tenho esta neurose), George Frideric Handel fulguraria em destaque nos créditos, tanto me identifico com sua música.
Eu estava aqui prestando atenção numa das muitas belas árias compostas por ele, que também é uma obra-prima teológica pelo simples ajuntar de dois versículos. A voz de uma contralto (as contraltos são formidáveis) desabrocha no meio de violinos e canta: "Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará junto ao peito; as que amamentam, ele as guiará mansamente." (Isaías 40:11). Chegue mais perto e repare: o pastor agora está sozinho, e tem o olhar fixo no horizonte, onde busca uma ovelha. Por um momento ele interrompe a caminhada, para e suspira. A voz soprano que estava agachada a contemplar a flor da voz contralto, toma-a nas mãos, levanta-se três tons acima e diz: "Ide a Ele, todos os que estais cansados e oprimidos, e Ele vos aliviará.. Tomai sobre vós o Seu jugo, e aprendei dEle, que é manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (ver Mateus 11:28, 29).
E agora eu ouso ir além, fazendo um arranjo nessa harmonia tocante. Quero ver a ovelha que o pastor procura. E sabe o que vejo? A ovelha de Lucas 3:4 – 6, aquela famosa ovelhinha perdida.
Quero que você imagine-se no lugar daquele pastor. Ele amava suas ovelhas, e tanto cuidava, dava carinho e atenção que estas já lhe conheciam pela voz. Mas uma dessas ovelhas sumiu, deixando-o preocupado, temeroso e decepcionado. Imagino esse pastor andando pelo deserto, fazendo sua voz ecoar nas montanhas pedregosas em busca de sua preciosa ovelha perdida. Mas parece que quanto mais a busca, mais a ovelha se distancia dele. O sol lhe queima a face ansiosa... ele começa a sentir sede e fome. Seus pés doem, mas ele continua a andar e – estranho – seu semblante transmite ânimo inabalável, sua voz firme não deixa de ser doce enquanto diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... e achareis descanso para as vossas almas"
Consegue perceber que enquanto procura a sua ovelha perdida, o pastor chama para si não só ela, mas todos os que estão cansados e oprimidos? Pode imaginar que, naqueles vales desérticos talvez hajam outra ovelhas perdidas precisando dos braços amoráveis do pastor, onde possam descansar junto ao seu peito? Nota que mesmo fatigado da busca, decepcionado com a perda de sua querida ovelhinha, e sem certezas de que tornará a vê-la, ele persiste em ser pastor acolhedor a toda criatura que cruze seu caminho? Você enxerga que este pastor não se ocupa das próprias lágrimas, mas persegue com teimosia um alvo, sem jamais duvidar de sua capacidade de amar, sem questionar se vale a pena tamanha jornada pedregosa por causa de uma simples ovelha?
Olhe para sua vida e pense nas coisas que você perdeu. Talvez você saiba exatamente o que faz falta, a saudade precisa do que um dia foi tão seu, tão você, a dor de uma ausência bem conhecida: algo que se perdeu de dentro de você. Talvez você nem tenha parado para se dar conta das perdas que carrega como fardo vida afora. Algumas pessoas preferem não pensar muito na forma como perderam a pureza ingênua, a esperança de melhorar as coisas erradas ao redor ou em si mesmo, a capacidade de amar e confiar sinceramente no ser humano, até mesmo a crença num Deus presente e amoroso e num novo mundo transformado, muito embora essas perdas se acumulem formando rugas no espírito de quem as leva.
O que eu desejo para mim e para todos aqueles que sofreram grandes perdas e decepções, é que assumam a postura daquele pastor. Não desistir de ir atrás do que se perdeu. Se isso lhe pertencia, era parte de você, então é extremamente precioso e deve voltar ao seu verdadeiro lugar. Não podemos nos sentir felizes se estamos incompletos, portanto continue procurando o amor, a amizade, a confiança, a fé, a crença. Se você fizer isso, vai estar você mesmo voltando para o seu verdadeiro lugar, pois o caminho pedregoso dos que lutam por reconquistar a felicidade, vai dar na Nova Terra, onde finalmente encontraremos tudo que um dia fomos, e que se perdeu nesses milênios de pecado.
Continue buscando. E não siga cabisbaixo e murmurante, não se isole no vale de sua dor; vá oferecendo amor e sorrisos a todos que cruzarem seu caminho. Enquanto procura sua ovelha perdida, dê o abrigo de seus braços aos que seguem cansados e oprimidos, seja alívio e descanso para os outros que estão perdidos. Você estará recuperando muitas ovelhas preciosas que a humanidade perdeu. Seja manso e humilde de coração, e você já terá achado algo muito importante: companhia para dividir o peso do jugo, e ajuda para buscar e comemorar a volta da sua ovelhinha.
Uma semana cheia dessa melodia luminosa,
Luna
Ps.: Tuca, esse é o tipo de verdade que a gente sabe mas insiste em esquecer na primeira lágrima. Alguns nos oferecem um lenço para enxugá-la; e nosso olhar só fica mais encoberto e detido na dor. Outros, sem perguntas, nos tomam pela mão e andam conosco até o melhor caminho, deixando que a lágrima seque ao vento; e nosso olhar se abre para horizontes cheios de vida. Obrigada, você é um grande amigo.
Ps2.:Ária do oratório "O Messias" de Handel.
segunda-feira, 9 de abril de 2001
Hora do banho
Ele me fala do que anda fazendo, dos planos em que tem investido,pergunta se eu já reconheci que ele sempre teve razão. A princípio euolhava enfastiada aquela pessoa que eu transformei num ilustredesconhecido, mas que ainda insistia em ser estranhamente conhecedorde mim. Nós namoramos quase quatro anos, brigamos dois terços dessetempo, o outro terço passei desenhando a planta da nossa casa quenunca veio a existir. Terminamos nosso relacionamento por um monte deporquês vagos, e agora, enquanto ele falava eu ficava ali avaliando oque sobrou depois de tanto tempo. Percebi que o que ficou de maisbonito, foram as mesmas coisas que desaprendemos a cultivar: nossasconversas. Eu adorava quando ele se permitia tirar a capa de "machão"e falar dos seus sentimentos... e por gostar de vê-lo assimvulnerável, sempre me emocionava quando ele falava do pai. Era quandoeu sentia mais prazer em chamá-lo de "meu lindinho".
Quando criança ele costumava sair para brincar com os amigos na rua,e como todo garoto de subúrbio, o prazer estava na molecagem dessasbrincadeiras. Sua casa fica próximo ao Rio Potengi, e a aventura maisemocionante naquela época era ir fazer estripulias na lama domanguezal. Ali, naquela selva inóspita, eles exploravam fauna e florasem compromisso ecológico... ao fim da tarde estavam completamentecobertos com a lama escura, só os olhinhos lembrando um ser humano.Mas havia um problema... o pai dele era muito severo, e já o proibirapor diversas vezes de ir brincar no mangue. Era perigoso, e caso aordem fosse desobedecida... bem, aqueles olhinhos ficavam maisarregalados ao pensarem nisso. A solução encontrada pelos meninos erasair do mangue e correr para o campinho de futebol. Lá eles deitavamno barro e se espojavam na terra até que ela aderisse completamente àlama e tirasse o odor característico dela. Chegando em casa, ponta depés, ele entrava de fininho. Quando (quase sempre) o pai via aquelacoisinha barrenta, chegava perto, cheirava-o e perguntava por queestava sujo daquele jeito. Ele respondia que estivera jogando nocampo de futebol... e o pai, com o olfato confundido, o mandava tomarum banho bem tomado senão... e os olhinhos tornavam a se arregalar...
Lembrei de alguém na Bíblia que também gostava de lama. Naamã era orei da Síria: poderoso, grande estrategista militar e conquistador demuitas terras e povos. Mas apesar da aparente glória em que vivia,Naamã se revolvia na lama de seus próprios pecados, e saboreava issocom imensurável prazer. Mas havia ali um cheiro que o incomodava, umtriste cheiro de lepra. E quanto mais Naamã tentava esconder adesgraça por debaixo daquela aparência de glória, pior era. Ele punhaum sorriso nos lábios e dava festas em comemoração àquela vida cheiade prazeres, se cobria de honras humanas e satisfações materiais, mastudo isso era como espojar-se no barro... podia-se até esconder aignomínia da lama embaixo daquela camada superficial de felicidade.Mas tudo que ele conseguia era ficar mais e mais sujo. Quandoconfrontado com a gravidade de seus pecados, Naamã se cobria com maisbarro das glórias humanas e achava que ninguém iria reparar. Ninguémia sentir o cheiro da podridão que o consumia lentamente. Mas chegouum tempo em que suas deformidades estavam ficando impossíveis de serescondidas.
Pensando no que poderia ser seu fim e vendo que ele se aproximava,Naamã sentiu-se desesperado. E cedeu a uma esperança mínima, saídados lábios de uma pequena garota israelita que ele fizeraprisioneira. Agora chegara o momento de Naamã encarar o Deus Pai TodoPoderoso.
A primeira coisa que Deus fez foi colocar aquele filho teimoso em seudevido lugar. Eliseu, o profeta do Senhor, sequer o recebeu, mandouapenas um recado, e o recado de Deus era: "Naamã, enquanto vocêinsistir em viver na lama que tanto te apraz, eu não poderei fazernada por você, a própria podridão te devorará aos poucos. Que realmente se livrar do cheiro da lama? Abandone então o barro de suaspróprias vontades e limpe-se! Lave-se para tirar toda essa crosta desujeira que se acumulou no seu espírito! Vai ao Rio Jordão e mergulhalá sete vezes!"
"Sete vezes?", pensou Naamã, "Ora, que desaforo. Venho de longe embusca deste Deus, e Seu profeta nem me recebe, nem me falapessoalmente, só me manda o recado. E depois me manda ao rio dosisraelitas, quando há rios bem melhores e mais bonitos na minhaterra. Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? Tem que ser nesserio de... Israel?!" e fez uma cara de nojo. "No mais, por que tem queser sete mergulhos? Esse Deus não tem poder para me tornar limpo sócom um mergulho??"É Naamã... mas as coisas estão em desvantagem para você. É você quemestá sujo. É você quem precisa de cura e agora, pois pode perder seuespírito. São seus os sofrimentos a amargar por causa dos seus enormes pecados. Por isso reconheça sua impotência e faça o que Deuslhe pede. "Por que Ele não desce do Céu para me falar pessoalmente?Se eu sou mesmo importante para Ele, por que não Ele não me recebefrente a frente e diz exatamente o que devo fazer, de maneira clara?"Bem Naamã, Ele mandou o recado, está nessa Bíblia aí do seu lado. "Mas eu tenho ir mesmo a essa Igreja cheia de homens imperfeitos, cujos membros já me decepcionaram, onde muitos pastorese membros fazem coisas erradas, e há um monte de pecados e falhas portodos os lados?"
É Naamã, é aí mesmo que você tem de ir! Sei que vocêdeve ter em mente rios de água mais cristalina, mas é nesse rio deIsrael que você deve banhar-se. "E tem que ser todos os mandamentos?Cumprir um por um, todos os preceitos bíblicos? Não poderia apenas resumir isso em duas ou três regras, e mais uma porção de frasesfeitas para estar limpo?" Sinto muito Naamã. Quem tropeça num sóponto é culpado de tudo, se Deus quer que você siga todos osmandamentos, são todos.
Naamã decidiu ir ao Rio Jordão e deu sete mergulhos. A medida que iamergulhando, deixava ali cada um de seus pecados: o orgulho do bravoguerreiro, a idolatria ao seu deus Rimom, o preconceito para com osoutros povos, a arrogância de sentir-se o único sábio e rei de simesmo, a injustiça de seus procedimentos, o egoísmo... e no sétimomergulho, Naamã afogou o próprio Naamã. Com o Eu submergido naquelaságuas, aquele homem pode renascer, liberto do pecado e curado de suasenfermidades físicas e espirituais. Naamã agora vivia, sabe o que éisso? Agora sim ele era feliz de verdade. Sem ter de cobrir-se dobarro das aparências e inúteis tentativas humanas, ele sorria porcompleto e cheirava a novo. E você sabe como é bom cheirinho de coisanova! Por que não experimentamos agora sermos o que Deus sempresonhou sermos? O que conseguiremos sustentando nossa lepra escondida?Até quando lama e barro vão nos encobrir a glória de sermos chamadosfilhos de Deus?
Uma semana iluminada!
Luna
Quando criança ele costumava sair para brincar com os amigos na rua,e como todo garoto de subúrbio, o prazer estava na molecagem dessasbrincadeiras. Sua casa fica próximo ao Rio Potengi, e a aventura maisemocionante naquela época era ir fazer estripulias na lama domanguezal. Ali, naquela selva inóspita, eles exploravam fauna e florasem compromisso ecológico... ao fim da tarde estavam completamentecobertos com a lama escura, só os olhinhos lembrando um ser humano.Mas havia um problema... o pai dele era muito severo, e já o proibirapor diversas vezes de ir brincar no mangue. Era perigoso, e caso aordem fosse desobedecida... bem, aqueles olhinhos ficavam maisarregalados ao pensarem nisso. A solução encontrada pelos meninos erasair do mangue e correr para o campinho de futebol. Lá eles deitavamno barro e se espojavam na terra até que ela aderisse completamente àlama e tirasse o odor característico dela. Chegando em casa, ponta depés, ele entrava de fininho. Quando (quase sempre) o pai via aquelacoisinha barrenta, chegava perto, cheirava-o e perguntava por queestava sujo daquele jeito. Ele respondia que estivera jogando nocampo de futebol... e o pai, com o olfato confundido, o mandava tomarum banho bem tomado senão... e os olhinhos tornavam a se arregalar...
Lembrei de alguém na Bíblia que também gostava de lama. Naamã era orei da Síria: poderoso, grande estrategista militar e conquistador demuitas terras e povos. Mas apesar da aparente glória em que vivia,Naamã se revolvia na lama de seus próprios pecados, e saboreava issocom imensurável prazer. Mas havia ali um cheiro que o incomodava, umtriste cheiro de lepra. E quanto mais Naamã tentava esconder adesgraça por debaixo daquela aparência de glória, pior era. Ele punhaum sorriso nos lábios e dava festas em comemoração àquela vida cheiade prazeres, se cobria de honras humanas e satisfações materiais, mastudo isso era como espojar-se no barro... podia-se até esconder aignomínia da lama embaixo daquela camada superficial de felicidade.Mas tudo que ele conseguia era ficar mais e mais sujo. Quandoconfrontado com a gravidade de seus pecados, Naamã se cobria com maisbarro das glórias humanas e achava que ninguém iria reparar. Ninguémia sentir o cheiro da podridão que o consumia lentamente. Mas chegouum tempo em que suas deformidades estavam ficando impossíveis de serescondidas.
Pensando no que poderia ser seu fim e vendo que ele se aproximava,Naamã sentiu-se desesperado. E cedeu a uma esperança mínima, saídados lábios de uma pequena garota israelita que ele fizeraprisioneira. Agora chegara o momento de Naamã encarar o Deus Pai TodoPoderoso.
A primeira coisa que Deus fez foi colocar aquele filho teimoso em seudevido lugar. Eliseu, o profeta do Senhor, sequer o recebeu, mandouapenas um recado, e o recado de Deus era: "Naamã, enquanto vocêinsistir em viver na lama que tanto te apraz, eu não poderei fazernada por você, a própria podridão te devorará aos poucos. Que realmente se livrar do cheiro da lama? Abandone então o barro de suaspróprias vontades e limpe-se! Lave-se para tirar toda essa crosta desujeira que se acumulou no seu espírito! Vai ao Rio Jordão e mergulhalá sete vezes!"
"Sete vezes?", pensou Naamã, "Ora, que desaforo. Venho de longe embusca deste Deus, e Seu profeta nem me recebe, nem me falapessoalmente, só me manda o recado. E depois me manda ao rio dosisraelitas, quando há rios bem melhores e mais bonitos na minhaterra. Não poderia eu lavar-me neles e ficar limpo? Tem que ser nesserio de... Israel?!" e fez uma cara de nojo. "No mais, por que tem queser sete mergulhos? Esse Deus não tem poder para me tornar limpo sócom um mergulho??"É Naamã... mas as coisas estão em desvantagem para você. É você quemestá sujo. É você quem precisa de cura e agora, pois pode perder seuespírito. São seus os sofrimentos a amargar por causa dos seus enormes pecados. Por isso reconheça sua impotência e faça o que Deuslhe pede. "Por que Ele não desce do Céu para me falar pessoalmente?Se eu sou mesmo importante para Ele, por que não Ele não me recebefrente a frente e diz exatamente o que devo fazer, de maneira clara?"Bem Naamã, Ele mandou o recado, está nessa Bíblia aí do seu lado. "Mas eu tenho ir mesmo a essa Igreja cheia de homens imperfeitos, cujos membros já me decepcionaram, onde muitos pastorese membros fazem coisas erradas, e há um monte de pecados e falhas portodos os lados?"
É Naamã, é aí mesmo que você tem de ir! Sei que vocêdeve ter em mente rios de água mais cristalina, mas é nesse rio deIsrael que você deve banhar-se. "E tem que ser todos os mandamentos?Cumprir um por um, todos os preceitos bíblicos? Não poderia apenas resumir isso em duas ou três regras, e mais uma porção de frasesfeitas para estar limpo?" Sinto muito Naamã. Quem tropeça num sóponto é culpado de tudo, se Deus quer que você siga todos osmandamentos, são todos.
Naamã decidiu ir ao Rio Jordão e deu sete mergulhos. A medida que iamergulhando, deixava ali cada um de seus pecados: o orgulho do bravoguerreiro, a idolatria ao seu deus Rimom, o preconceito para com osoutros povos, a arrogância de sentir-se o único sábio e rei de simesmo, a injustiça de seus procedimentos, o egoísmo... e no sétimomergulho, Naamã afogou o próprio Naamã. Com o Eu submergido naquelaságuas, aquele homem pode renascer, liberto do pecado e curado de suasenfermidades físicas e espirituais. Naamã agora vivia, sabe o que éisso? Agora sim ele era feliz de verdade. Sem ter de cobrir-se dobarro das aparências e inúteis tentativas humanas, ele sorria porcompleto e cheirava a novo. E você sabe como é bom cheirinho de coisanova! Por que não experimentamos agora sermos o que Deus sempresonhou sermos? O que conseguiremos sustentando nossa lepra escondida?Até quando lama e barro vão nos encobrir a glória de sermos chamadosfilhos de Deus?
Uma semana iluminada!
Luna
domingo, 1 de abril de 2001
Enquanto eu achava que tinha perdido a lente de contato... de novo.
Alguns seres humanos convivem inexplicavelmente bem com a adrenalina. Correm perigo, vão aos limites de sua capacidade. Por isso, uns escalam montanhas, outros saltam de pára-quedas, outros ainda esquiam de alturas vertiginosas, pulam de cima de prédios amarrados por cordas elásticas... e eu, uso lentes de contato.
Se você acha que esse é um hábito desproporcional em relação aos demais citados, meça o nível de adrenalina em alguém que tem de enfiar um corpo estranho de flúor-carbonato nos olhos todos os dias. Depois observe como esse pobre ser passa o dia inteiro se precavendo de perigosos grãos de areia que ninguém liga, tenebrosos ventos capazes de lhe arrancar as coisinhas dos olhos, onde os outros só sentem uma leve brisa, e aterrorizantes ar condicionados, que todos insistem em aumentar a potência, enquanto a pobre alma tem seus globos oculares ressecados até expulsarem as lentes.
Incompreendida é a sina de quem usa essas torturas oftalmológicas por obrigação, como é meu caso. Mas nada se compara a observar a estranha e inexplicável tendência que as lentes de contato têm para alçarem vôo quando eu as tento colocar nos meus olhos. Isso que faz a experiência de usar lentes, ser uma fonte de tensão constante: a possibilidade de ver R$ 300,00 indo parar no obscuro e insondável ralo da pia; a versão do "underground" de Hamlet para lentes de contato, o lugar de onde não há volta.
Ano passado eu descrevi para vocês um desses vôos desesperadores, que ocorreu exatamente no meio de um black-out. Esta semana, me deparei com a mesma sensação. A lente já estava quase no olho, quando minha pálpebra piscou bem em cima dela. No segundo que se seguiu, um gelo percorreu toda minha espinha... ouvi nitidamente o barulhinho da lente batendo duas vezes, uma na pia, e outra no chão.
E logo em seguida, estavam eu e minha irmã naquela cena antológica: tateando cada centímetro cúbico do piso do banheiro, sem achar nada. Como já estava atrasada, fui para o estágio e deixei minha irmã naquela missão nada agradável. Passei a tarde diante do computador digitando números e orando... já havia passado por situações idênticas antes, e sabia que só um milagre poderia fazer aquela lente ser achada. E eu esperava por isso, embora também me preparasse para enfrentar mais uma temporada de enxaquecas e visão anuviada (ainda estou pagando as prestações desta última lente suicida).
Bem, deixe-me aí na frente do computador no escritório e venha até ouitro computador, no meu quarto. Não se preocupe, fique a vontade e pode bisbilhotar. Ligue o computador e abra, despretensiosamente (acidentalmente para os mais pudicos), minha caixa de e-mails. Você encontrará uma pasta chamada "interessantes", que é onde guardo os e-mails que acho mais significativos, para serem salvos e catalogados posteriormente... é uma versão virtual de bolsa de mulher. Entre poemas, textos jurídicos e teológicos, você verá alguns e-mails pessoais. Veja o que diz este, de um certo amigo, depois de meu desfile de lamúrias: "...Mas não esqueça que a cada instante há um milagre acontecendo. Você só precisa abrir o olho para ver".
Nunca senti tanta paz em menos de vinte palavras do que quando li essas palavras. Eu vivia uma daquelas situações em que você sente que só um milagre divino pode intervir a seu favor. Que sua dor é muito grande e ninguém pode entender a dimensão de seu sofrimento. Que seu problema é o mais importante agora, e até os conflitos no Oriente Médio não são tão trágicos quanto ele. Você sabe os motivos para estar desanimado, e não minimiza a grandiosidade da solução: precisa de um milagre, de uma saída específica, clara e eficaz. Mas não tem como buscá-la, precisa ser conduzido por Deus até lá, e essa impotência lhe cansa ainda mais.
Os olhos ficam tão fixos na própria angústia que deixam passar despercebidos os pequenos milagres que Deus está fazendo neste momento. Enquanto Ele está providenciando a melhor solução, continua cuidando de você, que está muito desolado para percebê-lo. E muitas vezes, tão convicto de seu problema, você acaba deixando passar o milagre que tanto queria, que pode estar bem aí, na sua frente, do seu lado, esperando que você o perceba e o acolha em sua vida.
Acho melhor você sair da frente do computador do meu quarto porque tem alguém abrindo a porta e acho que sou eu que acabei de chegar...
Meu semblante abatido se deve ao fato de minha irmã ter acabado de me dizer que não encontrou a lente de contato, como eu tanto desejava. E dos cálculos orçamentais para os próximos meses, que se me afiguram bem mais "apertados" do que eu havia previsto. Sento-me na frente do computador onde você estava ainda há pouco (sem notar que você o deixou ligado na ânsia de se esconder atrás da porta), e começo a responder meus e-mails. Já está tarde, e vem o primeiro bocejo anunciando o sono...sinto as pálpebras cansadas e esfrego os olhos, quando de repente...ei, o que é isso arranhando no meu olho esquerdo???? Sim, minha lente está lá, no meu olho, esteve o tempo todo lá!!! Mas espere, então o que foi o barulhinho que ouvi no banheiro quando pensei que ela tivesse caído? Por que não senti o olho arder e lacrimejar como sempre sinto quando ela adere à minha córnea? Por que não senti o vento e o ar-condicionado incomodarem este olho como normalmente o fazem? Eu não perceberia que estava enxergando melhor durante o dia, se a lente estivesse mesmo o tempo todo ali?
Não é minha intenção aqui tecer discursos fanatizados sobre milagres. Muito menos quero destilar polêmicas: sei que existem tantas explicações para este fato quanto há ciências no mundo, e não é preciso pertencer a comissão de canonização do Vaticano para também elaborar as mais diferentes teses para o acontecido...
Minha intenção é apenas reafirmar o que disse acima: o milagre que você espera tanto pode estar acontecendo agora, pode estar diante de você sem que você ainda não tenha conseguido senti-lo, não permitindo portanto vivê-lo. Não espere por luzes incandescentes descendo do Céu em sua direção, anjos luminosos com a resposta exata e uma varinha (espada?) de condão, grandes prodígios, um aperto comovente no coração seguido de visão miraculosa... Deus tem caminhos diferentes e sábios para atuar em nossas vidas, alguns incompreensíveis, outros com aparente lógica, milagres são apenas mais um modo de Deus nos falar, coisas simples, tão simples quanto a paz que vem da certeza que Ele está agindo em seu favor exatamente agora. Você é capaz de aceitar isso?
Continue orando, confiando na vontade de Deus para você. "...Mas não esqueça que a cada instante há um milagre acontecendo. Você só precisa abrir o olho para ver".
Uma semana iluminada!
Luna
Se você acha que esse é um hábito desproporcional em relação aos demais citados, meça o nível de adrenalina em alguém que tem de enfiar um corpo estranho de flúor-carbonato nos olhos todos os dias. Depois observe como esse pobre ser passa o dia inteiro se precavendo de perigosos grãos de areia que ninguém liga, tenebrosos ventos capazes de lhe arrancar as coisinhas dos olhos, onde os outros só sentem uma leve brisa, e aterrorizantes ar condicionados, que todos insistem em aumentar a potência, enquanto a pobre alma tem seus globos oculares ressecados até expulsarem as lentes.
Incompreendida é a sina de quem usa essas torturas oftalmológicas por obrigação, como é meu caso. Mas nada se compara a observar a estranha e inexplicável tendência que as lentes de contato têm para alçarem vôo quando eu as tento colocar nos meus olhos. Isso que faz a experiência de usar lentes, ser uma fonte de tensão constante: a possibilidade de ver R$ 300,00 indo parar no obscuro e insondável ralo da pia; a versão do "underground" de Hamlet para lentes de contato, o lugar de onde não há volta.
Ano passado eu descrevi para vocês um desses vôos desesperadores, que ocorreu exatamente no meio de um black-out. Esta semana, me deparei com a mesma sensação. A lente já estava quase no olho, quando minha pálpebra piscou bem em cima dela. No segundo que se seguiu, um gelo percorreu toda minha espinha... ouvi nitidamente o barulhinho da lente batendo duas vezes, uma na pia, e outra no chão.
E logo em seguida, estavam eu e minha irmã naquela cena antológica: tateando cada centímetro cúbico do piso do banheiro, sem achar nada. Como já estava atrasada, fui para o estágio e deixei minha irmã naquela missão nada agradável. Passei a tarde diante do computador digitando números e orando... já havia passado por situações idênticas antes, e sabia que só um milagre poderia fazer aquela lente ser achada. E eu esperava por isso, embora também me preparasse para enfrentar mais uma temporada de enxaquecas e visão anuviada (ainda estou pagando as prestações desta última lente suicida).
Bem, deixe-me aí na frente do computador no escritório e venha até ouitro computador, no meu quarto. Não se preocupe, fique a vontade e pode bisbilhotar. Ligue o computador e abra, despretensiosamente (acidentalmente para os mais pudicos), minha caixa de e-mails. Você encontrará uma pasta chamada "interessantes", que é onde guardo os e-mails que acho mais significativos, para serem salvos e catalogados posteriormente... é uma versão virtual de bolsa de mulher. Entre poemas, textos jurídicos e teológicos, você verá alguns e-mails pessoais. Veja o que diz este, de um certo amigo, depois de meu desfile de lamúrias: "...Mas não esqueça que a cada instante há um milagre acontecendo. Você só precisa abrir o olho para ver".
Nunca senti tanta paz em menos de vinte palavras do que quando li essas palavras. Eu vivia uma daquelas situações em que você sente que só um milagre divino pode intervir a seu favor. Que sua dor é muito grande e ninguém pode entender a dimensão de seu sofrimento. Que seu problema é o mais importante agora, e até os conflitos no Oriente Médio não são tão trágicos quanto ele. Você sabe os motivos para estar desanimado, e não minimiza a grandiosidade da solução: precisa de um milagre, de uma saída específica, clara e eficaz. Mas não tem como buscá-la, precisa ser conduzido por Deus até lá, e essa impotência lhe cansa ainda mais.
Os olhos ficam tão fixos na própria angústia que deixam passar despercebidos os pequenos milagres que Deus está fazendo neste momento. Enquanto Ele está providenciando a melhor solução, continua cuidando de você, que está muito desolado para percebê-lo. E muitas vezes, tão convicto de seu problema, você acaba deixando passar o milagre que tanto queria, que pode estar bem aí, na sua frente, do seu lado, esperando que você o perceba e o acolha em sua vida.
Acho melhor você sair da frente do computador do meu quarto porque tem alguém abrindo a porta e acho que sou eu que acabei de chegar...
Meu semblante abatido se deve ao fato de minha irmã ter acabado de me dizer que não encontrou a lente de contato, como eu tanto desejava. E dos cálculos orçamentais para os próximos meses, que se me afiguram bem mais "apertados" do que eu havia previsto. Sento-me na frente do computador onde você estava ainda há pouco (sem notar que você o deixou ligado na ânsia de se esconder atrás da porta), e começo a responder meus e-mails. Já está tarde, e vem o primeiro bocejo anunciando o sono...sinto as pálpebras cansadas e esfrego os olhos, quando de repente...ei, o que é isso arranhando no meu olho esquerdo???? Sim, minha lente está lá, no meu olho, esteve o tempo todo lá!!! Mas espere, então o que foi o barulhinho que ouvi no banheiro quando pensei que ela tivesse caído? Por que não senti o olho arder e lacrimejar como sempre sinto quando ela adere à minha córnea? Por que não senti o vento e o ar-condicionado incomodarem este olho como normalmente o fazem? Eu não perceberia que estava enxergando melhor durante o dia, se a lente estivesse mesmo o tempo todo ali?
Não é minha intenção aqui tecer discursos fanatizados sobre milagres. Muito menos quero destilar polêmicas: sei que existem tantas explicações para este fato quanto há ciências no mundo, e não é preciso pertencer a comissão de canonização do Vaticano para também elaborar as mais diferentes teses para o acontecido...
Minha intenção é apenas reafirmar o que disse acima: o milagre que você espera tanto pode estar acontecendo agora, pode estar diante de você sem que você ainda não tenha conseguido senti-lo, não permitindo portanto vivê-lo. Não espere por luzes incandescentes descendo do Céu em sua direção, anjos luminosos com a resposta exata e uma varinha (espada?) de condão, grandes prodígios, um aperto comovente no coração seguido de visão miraculosa... Deus tem caminhos diferentes e sábios para atuar em nossas vidas, alguns incompreensíveis, outros com aparente lógica, milagres são apenas mais um modo de Deus nos falar, coisas simples, tão simples quanto a paz que vem da certeza que Ele está agindo em seu favor exatamente agora. Você é capaz de aceitar isso?
Continue orando, confiando na vontade de Deus para você. "...Mas não esqueça que a cada instante há um milagre acontecendo. Você só precisa abrir o olho para ver".
Uma semana iluminada!
Luna
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