sábado, 27 de julho de 2002

Num lance de fotografia (Os Miseráveis)

Fim-de-semana passado, assisti a um filme que já é meu preferido, apesar de só ter dado para eu repetir a fita cinco vezes. Trata-se de “Os Miseráveis” (Les Misérables), drama baseado no livro homônimo de Victor Hugo, que se tornou um romance clássico da literatura universal. Dirigido por Billy August e tendo no elenco Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman – e um gatinho chamado Hans Mathison (o Marius) – o filme consegue surpreender e envolver do começo ao fim da história, especialmente a quem não leu o livro ainda, de modo que é, com certeza, o filme mais fantástico que eu já vi (sempre chego a essas conclusões, dez anos depois que todo mundo já viu tudo).

O enredo se desenvolve em torno de Jean Valijean, condenado que passou vinte anos preso e realizando trabalhos forçados, tendo entre seus algozes, o guarda Javert. Durante a liberdade condicional, Valijean foge e recomeça sua vida em outra cidade, com nova identidade, e novos valores. Mas a vida faz com que reencontre Javert, agora como inspetor de polícia, que o reconhece e fica obcecado por desmascará-lo. Valijean consegue fugir de Javert várias vezes, e isso só instiga mais ódio no inspetor – um competente e irrepreensível funcionário, fiel cumpridor da lei.

A cena mais emocionante, no final do filme, mostra Jean Vilajean finalmente nas mãos de Javert. Capturado, sem qualquer escapatória, e preparado para o trágico destino que se lhe aponta, Vilejean está em pé na beira de um rio, com Javert apontando uma singela pistola que mais parece uma bazooca em miniatura bem embaixo do seu queixo, e sentenciando: “você não entende a importância da lei”. Por um momento a gente pensa: “Mas será que Javert não vai ter piedade de Jean Vilejean? Será que ele não vai ao menos deixar o coitado viver, nem que seja na prisão?” Então Javert diz com voz fria:

- Vou poupá-lo de uma vida na prisão, Jean Vilejean. É uma pena que as leis não me permitam ter piedade – e com a arma, fasta a cabeça de Jean em sua direção.

Nesse preciso momento, o foco da câmera lança mão de um recurso de fotografia fantástico. A cena é cortada, e em seguida focalizada novamente do alto de um canto esquerdo qualquer, mostrando os dois homens à distância, de costas, Javert com a arma apontada para o pescoço de Jean, olhando-o fixamente. Fundo musical de suspense. É por causa desse lance fotográfico – a cena mostrada de longe – que a gente, sem raciocinar, conclui imediatamente: “Pronto, o cara vai morrer. Atira logo, sô! Eu quero respirar!”. É como se a câmera se afastasse para não mostrar de perto os miolos de Jean voando e o corpo tombando sem cabeça no rio. Para não respingar sangue na lente. Reação análoga a que a gente tem diante de algo repugnante: desviamos o olhar para não ver a desgraça detalhadamente.

Mas essa reação não acontece somente ao observarmos uma cena da qual estamos alheios. Às vezes, assim que a gente se dá conta que errou, pensa logo que em seguida virá o pior. Fomos ensinados que o pecado é a transgressão da Lei, e que o salário do pecado é a morte. Você pecou, e quando todos foram embora, quando só resta você, Deus e seu travesseiro, a verdade lhe aparece como uma arma apontada para a sua cabeça. Você errou, deve pagar. A câmera de sua mente se afasta dessa cena constrangedora, como se você tivesse que fugir, como se não pudesse encarar que está prestes a ser sacrificado diante da presença do Deus Justiceiro. E prefere não ver o que sente no fundo do seu coração: que Ele está com a arma apontada para você. Ele é o Todo-Poderoso que você acabou de insultar, pode haver escapatória? Ele é o Dono da Lei que você passou a vida inteira quebrando e quebrando seguidamente. Ele é o Inspetor de quem você tentou fugir por todas as formas, e agora que você O sente do teu lado, agora que você está preso nas mãos dEle, o melhor é dirigir o olhar pra longe, pra um lugar qualquer onde você não possa ver detalhadamente o modo como Ele vai te punir pela tua lista quilométrica de pecados.

Você até que conseguiu passar um bom tempo de sua vida provando para todo mundo que poderia ser feliz, muito feliz, fingindo que não fez nada errado. Por vezes quase se convenceu que quem errou foram as pessoas, foram as circunstâncias, foi a tua igreja. Você foi uma vítima do meio. Então partiu para um lugar onde ninguém sabia do que você fez - ou não dava a mínima para isso – e recomeçou. Conseguiu pensar que agora tudo estava bem, mas... Ele é terrível. E acabou te pegando outra vez. Só Ele sabe de todo o teu passado, das coisas escondidas, das tuas mentiras e hipocrisias. Só ele enxerga além das tuas frágeis máscaras. É... parece que só resta desviar o olhar e torcer para não doer muito.

Mas não deixe que esse recurso de fotografia pegue você. Raciocine antes de concluir qualquer coisa. Sabe aquele versículo que fala sobre o preço do pecado, que há pouco te assaltou a memória tão vivamente? Se permita lembrar o versículo todo: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6:23) Lembrou? Há pessoas que passam a vida sem lembrar desse grande detalhe. Tecem todos os planos de fuga, e quando encontram Deus face-a-face (é, Ele não vai largar do teu pé tão fácil ), assinam a própria condenação simplesmente porque desviam seu olhar para longe da cena. Jamais se perdoam, precisam de paliativos para aliviar suas consciências, ou de remédios para entorpecê-las. Estão certas que para elas não há mais solução, nem há solução para este mundo, tudo está condenado a sofrer uma por uma as conseqüências do pecado.Com os olhos sempre voltados para um literal ponto de fuga no horizonte, desviam-se até o último momento de um encontro definitivo com Deus.

Mas perceba. Se você desviar seus olhos para os lados, nunca vai conseguir ver o perdão amoroso que emana dos olhos dEle. Se você desviar os olhos para cima, vai estar vendo o lugar aonde Ele quer te levar, porque teu lugar é no alto, junto do Altíssimo, e não nesse mundinho incompleto que você criou para sobreviver longe dEle, onde nenhuma alegria dura mais que a sua dor. Se desviar seus olhos para o chão, vai ver sangue ali – mas não se espante, não é o seu! É o sangue dEle, ainda escorrendo de Suas mãos que foram pregadas na cruz junto com todos os teus pecados.

Ninguém tem que carregar o preço daquilo que Ele já pagou com a vida. Você pode até ouvir algumas pessoas dizendo que, por causa do teu erro, você vai ter que amargar uma vida inteira de conseqüências desastrosas. Mas o meu Deus, é aquele que não tem prazer na dor de Seus filhos, e mesmo quando eles erram, Ele dá um jeitinho de fazer com que não paguem por todos os erros. Ora, quem conseguiria efetuar tal pagamento? Que seria de nós se Deus não amenizasse as conseqüências de nossas más decisões, e planejasse os mais variados atalhos para voltarmos seguros para o nosso lugar? Se as coisas estão ruins, acredite, elas vão ficar melhores daqui a pouco. Se as coisas parecem estar indo muito bem, ufa! Isso só prova que Ele já encontrou um jeito de te manter resguardado, até você voltar. Então, volte logo, porque nenhum lugar longe dEle é seguro para sempre.

Mas antes de tudo, lance um olhar sincero, próximo, direto para os Olhos de Jesus. Você vai descobrir ali, que a graça dEle é maior que a Lei, maior que a acusação que você lança sobre si mesmo, maior que o julgamento que os outros fazem dos teus erros, e bem maior que a força do pecado. “Porque o amor é forte como a morte”, e a morte já aconteceu lá no Calvário para que você tivesse vida. Não apenas uma vida de fugas e alegrias fugazes. Falo de vida em abundância. De paz, não como o mundo a dá (João 14:27).

Uma semana iluminada,

Luciana

Ps.: E quanto a Jean Valijean, o que aconteceu? Ora, claro que eu não vou dizer, assista o filme!!

sábado, 20 de julho de 2002

Para Mônica

Olá amiga.

Escrevo a você, porque o Direito é essa Ilha da Fantasia, e você sabe. Escrevo-te também porque mesmo não tendo assistindo a defesa da sua tese de mestrado, sei que você se saiu muitíssimo bem. Talvez por isso, sempre que alguém se refere a Direito Penal eu lembro de você. Talvez também por isso eu tenha lembrado de você naquela noite.
Era por volta das vinte e duas horas. Eu e um amigo estávamos no ônibus, osolhos ardendo um pouco de sono, as línguas pesadas impedindo qualquer diálogo. O dia tinha consumido todas as nossas energias, agora queríamos simplesmente chegar em nossas casas. No interior do ônibus, as mesmas caras de sempre: alguns estudantes que acabaram de sair da aula, um casal estranho sentado à nossa frente, conversando sobre a economia no mundo globalizado, um rapaz ao lado, de camisa xadrez. As coisas só ficaram esquisitas quando o ônibus descreveu uma curva para entrar no bairro das Rocas, um dos maispobres da cidade, mas que está no itinerário de quase todos os coletivos daqui.
Uma barreira policial apareceu, e nossos olhos os vasculhavam, querendo saber do que se tratava. A princípio pensei ser só mais uma blitz da polícia rodoviária ou coisa assim. Mas pouco depois do ônibus parar, uma policial militar, muito distinta e educadamente, entrou no ônibus, olhou-nos fixamente por alguns segundos e começou a falar num tom cordial e firme:- Boa noite, senhoras e senhores. Nós estamos realizando um procedimento de rotina para a melhor segurança dos cidadãos.
"Segurança? Campanha educativa a essa hora?", eu pensei. "Rotina? Isso nuncaaconteceu aqui antes!", pensou meu amigo.
- Por isso queremos pedir que as senhoras abram suas bolsas e os senhores ponham-se de pé para uma revista que será feita pelos policiais.
Enquanto falava, vários homens armados entraram no ônibus pela porta de trás e passaram a revistar os cavalheiros que, automática e abobalhadamente, se punham de pé, e a olhar com o máximo de discrição as bolsas escancaradas das damas boquiabertas.
- Obrigada, tenham uma boa noite.
O homem de camisa xadrez demorou um pouco para tornar a sentar. Um coro de estudantes excitados com a novidade respondeu: "Boa noite!", e eufóricos, deram tchauzinhos para os policiais enquanto o ônibus continuava seu caminho.
Meus olhos ainda ardiam de sono, mas minha língua, de repente, começou a tagarelar. Meu amigo fazia força para compreender aqueles termos técnicos de Direito ditos entre o barulho alto do motor do ônibus e das risadinhas dos estudantes espevitados. Eu falava, ao mesmo tempo em que recordava, todas aquelas coisas que nós duas aprendemos nos bancos da faculdade. Você sabe, a tal presunção de inocência. Sei que isso tem uma dezena de desdobramentos, mas eu queria me deter no mais elementar.
Disseram-nos que esse princípio estava garantido pela Constituição Federal, nossa Lei Magna, que governa todas as demais leis no país. Explicaram que se tratava de um direito que todo cidadão tem, o jus libertatis, que apesar do latim, a gente logo desconfiou ser o velho direito à liberdade. Disseram que por esse princípio, ninguém pode ser acusado de crime algum, a não ser por uma sentença definitiva, decorrente de um julgamento justo. Você deve lembrar melhor que eu. Falaram que o Direito existe para dar ao homemgarantias, nesse caso, a garantia de que ele não será privado da sua liberdade nem da sua prerrogativa de bom cidadão, cumpridor de seus deveres, só porque alguém não foi com a cara dele. E a gente saiu da aula acreditando que o Estado jamais ousaria violar a Lei Maior, e nos punir por algo que não fizemos. Que nossa inocência estava garantida, e quem a questionasse teria que provar isso em juízo. Que mesmo que fôssemos acusadas de um crime e as evidências não estivessem ao nosso favor, receberíamos durante o processocriminal, um tratamento digno, tratamento de um cidadão respeitável e honesto. Que se durante esse processo houvesse alguma dúvida, o juiz decidiria em nosso favor: "in dubio pro reo", falou o professor sempre ávido de latim. Arremataram citando a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto de São José da Costa Rica. Enfim, minha amiga, saímos da aula deslumbradas com nosso Estado de Direito, que defende os seus com justiça e equidade.
Mas ao pegarmos o ônibus a fim de irmos para casa, lá estava o adesivo amarelinho dizendo: "Sorria! Você está sendo filmado". E quando quisemos entrar no banco, tivemos que depositar nossas chaves e celulares naquela caixinha de acrílico. Uma ou outra vez esquecemos uma sombrinha dentro da bolsa e passamos por aquele constrangimento de ficarmos presas na porta travada, com todos os olhares em nossa direção insinuando algo que preferimos ignorar. Quando fomos gastar nosso primeiro salário, comprando aquele móvel em prestações, pediram documentos que a gente nem sabia que existia, comprovante de renda e carteirinha de vacinação. Ligaram para nossos amigos para saber se éramos confiáveis, perguntando até se faltávamos às aulas de educação física no colégio. Ouvimos histórias engraçadas de amigos que tiveram as roupas íntimas expostas em alfândegas, e nenhum deles ousou mencionar o Pacto de São José da Costa Rica. No estágio obrigatório do nosso curso, ouvimos histórias bem mais horripilantes de cidadãos, que deveriam estar protegidos pela Lei Magna, mas encontravam-se presos em cadeias públicas e delegacias, sofrendo todo tipo de violência física, mental e moral, apesar de não terem sido ainda condenados, ou de já terem pagado a pena que lhes cabia.
Bem, até aí já desconfiávamos de que alguma coisa estava errada, e talvez não tivessem avisado nada aos nossos professores. Na verdade nos acostumamos a conviver na sociedade sendo tratadas como criminosas, por adesivos amarelinhos, portas de bancos, e o pessoal das alfândegas e financeiras. Dissemos a nós mesmas que era o preço por nossa segurança. Lamentamos a situação dos milhares de presos em situação irregular. Mas minha amiga, precisei passar pela experiência naquela blitz policial, para ter noção de quão utópicas são nossas teorias sobre presunção de inocência, garantias, direitos do cidadão, liberdade e - uma coisa de que não falaram no curso – respeito.
Por mais bela que seja a Constituição, somos considerados todos criminosos até que provemos o contrário. E contra isso, nada pode o nosso Direito, pouco vale a nossa Justiça. Não importa se nos acusam ou não de um delito específico, reina a desconfiança universal de que somos infratores. E se não o somos, temos o potencial de o ser, é o que dizem os desivos nas lojas e provadores: "nossa mercadoria está protegida eletronicamente contra qualquer tentativa de você nos roubar, é você mesmo aí com essa cara de inocente, seufingido. Pensa que eu não sei que você matou aquela aula na terceira série? Pensa que eu não vi você cortando aquele sinal vermelho? E aquela grana que pegou emprestado do teu amigo, seu inadimplente, pensa que eu não sei?". Não adianta muito achar seu crime pequeno: "quem mente, rouba, e quem rouba, mata", diz o ditado popular.
Sabe, amiga Mônica, é por isso que me conforta tanto a Pessoa da Justiça em Jesus Cristo, em detrimento do nosso mesquinho senso de justiça. Somente no sangue de Cordeiro de Deus há a verdadeira presunção de inocência amparando a cada um de nós. Contra o poder redentor desse sangue não subsiste nenhuma acusação. Por mais que, nesse caso, tenhamos verdadeiramente cometido o delito, e o Inimigo aponte com fúria para nossos pecados, Jesus nos concede a graça de alvejarmos nossas vestes em Seu sangue, e assim sermoscompletamente justificados. Porque ele nos amou enquanto ainda éramos culpados. No momento em que aceitamos o sacrifício da cruz e o poder da tumba vazia em nossas vidas, nossos pecados são apagados e somos considerados inocentes perante o Universo. Ele já carregou os sofrimentos e culpas que nos pertenciam. Fomos reconciliados com o Pai, que agora ao olhar para nós, não enxerga mais nossas transgressões, mas vê os traços do SeuFilho Jesus em nossos rostos. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou, antes, ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós... Agora, pois, já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus." (Romanos 8: 33, 34, 1)
Quanto ao mais, Cristo já deixou todos os sinais de que estamos seguros em Seu amor, que somos cidadãos do Céu, e a ninguém debaixo deste Céu, foi dada autoridade para acusar os filhos de Deus, desrespeitá-los, nem tratá-los abaixo do padrão principesco com o qual merecem ser tratados. Nem anjos, nem poderes, nem eu mesma ou qualquer outra criatura podem escapar a essa norma que Deus pôs sobre o meu e o teu viver. Quem o fizer prestará contas a Deus, por violar a Lei Magna que nos rege: a Lei do Amor Infinito dEle pelo serhumano.Pelo princípio da presunção da inocência - o verdadeiro - Cristo nos concede o direito à liberdade, e o dever de amar. Livres e felizes, você sabe: exatamente a condição para que fomos criados.

Uma semana iluminada,

Luciana

sábado, 13 de julho de 2002

Amor-perfeito

Domingo

Tem que ser um pouco romântico e muito doido para concordar comigo. Mas ele concordou. Estávamos caminhando aqui perto de casa, quando ele viu uma roseira e cismou de arrancar uma rosa para mim. Protestei que não era correto, arrancar a pobrezinha só porque ela era bonita, não senhor, que mania má essa de se apossar de tudo que é bonito: rosa, peixe, passarinho, pele de urso. Viva e deixe viver!
Ele não engoliu muito meu discurso de militante do Greenpeace, mas concordou.
Mais tarde, lá vem ele de novo. Já que não podia arrancar uma flor e me dar, plantaríamos uma. Era até mais econômico: toda vez que eu olhasse para ela, lembraria do nosso amor. Achei tão bonitinha a idéia, que topei. Fomos comprar as sementes. Crisântemos, margaridas, cravos vermelhos... mas o que melhor nos representaria?
“Amor-perfeito”, decidimos.

Segunda-feira

De repente me dei conta que nunca plantei nada antes. Fui até o mercado comprar alguns acessórios: adubo, fertilizante, pazinha de jardinagem. O mais difícil – que tempos esses! – foi encontrar a terra. Ninguém mais tem quintal nem jardim, tive que traficar a terra de um vaso da repartição onde trabalho. Não foi muito confortável fazer isso.
Enquanto remexia a terra, encontrei uma minhoca. Bichinho simpático. Batizei-a de Clotilde.
Depois que plantei as sementes, percebi que não tinha lido as instruções no verso do envelope em que elas vieram. Mas o que pode haver de tão difícil em plantar uma florzinha? Minha mãe falou que quando eu fosse regar não encharcasse a terra. Eu estou usando um borrifador de água, desses de cabeleireiro. Deve servir. Já começo a achar que a idéia dele não foi tão bonitinha: isso dá mais trabalho que eu imaginei!

Sábado

Hoje aconteceu uma coisa horrível.
Eu estava desconfiada que tinha alguma coisa dando errado. Já faz quase uma semana que plantei as sementes e até agora não nasceu nada! Resolvi mexer um pouco mais a terra, e descobri que embaixo da superfície ela estava completamente seca. O borrifador não a encharcava, mas também não regava como devia!
O pior de tudo foi encontrar Clotilde, coitada, morta e esturricada.
Amanhã vou comprar um regador.

Terça-feira.

Que alegria! Nasceu o primeiro brotinho! É lindo, verdinho, tem uma folha alongada que prenuncia uma planta maravilhosa. Nasceram também duas ervas daninhas. Feias, uma haste fininha e descorada, e duas folhinhas insignificantes. Arranquei-as na hora.

Sexta-feira

Estou preocupada. O brotinho continua crescendo com a mesma beleza e viço, mas têm nascido muitas ervas daninhas! Todo dia nascem uma ou duas, mas eu arranco a todas, não deixo nenhuma. Vou pôr mais fertilizante para ver se nascem mais brotinhos.

Um mês depois

Preocupado com o fato de não ter nascido ainda nenhuma flor, ele foi até uma floricultura e comprou um arranjo de amores-perfeitos para eu comparar com o nosso. Foi quando constatei o fato lamentável! Arranquei todos os brotos de amor-perfeito e deixei que crescesse a erva daninha!
Fiquei tão arrasada que escrevi este “Pequeno Manual Para Fazer Nascer o Amor-Perfeito”. É literatura essencial para jardineiros de primeira viagem, casais em qualquer estágio de relacionamento, e cristãos interessados em praticar os ensinos de Jesus.

1. Leias as instruções – É preciso bem mais que alguns acessórios para fazer florescer um amor-perfeito. Você tem que aprender de quem já sabe tudo sobre ele, não pode confiar só na sua intuição. E o melhor manual que já inventaram chama-se Bíblia, mais especificamente um capítulo só sobre o amor-perfeito: I Coríntios 13. Consulte-o sempre!

2. Alimente profundamente – Preste muita atenção na terra, no substrato onde você quer que cresça o seu amor-perfeito. É firme o bastante para que as raízes estejam seguras e ao mesmo tempo arejado o suficiente para que elas se nutram devidamente? Recorrendo ao nosso manual, encontramos a experiência importantíssima de quem já aprendeu a semear: a terra tem que estar livre de pássaros importunos que comem as sementes (empenho em estudar a Palavra, entendê-la e praticá-la para que o Maligno não a leve de nós), não pode ser solo rochoso (persistência, ânimo e fé para resistir às angústias), e nem pode ter espinhos que as sufoquem (as fascinações dos outros amores deste mundo impedem que o amor-perfeito floresça) (Mateus 13: 1 – 8; 19 - 23). Tem que ser terra boa! E lembre que abaixo da superfície também existe terra sedenta. Deixe que a água da vida, Jesus Cristo (João 4:14), atinja profundamente o coração. Para quê ficarmos só na superfície, borrifando nosso cristianismo com gotas de religião, quando temos a fonte do amor de Deus à nossa disposição? Vamos a essa fonte todos os dias, alimentar nossas sementes, ou elas não terão como nascer na terra seca, debaixo de uma religião superficial. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

3. Não passe por cima de ninguém – Não saia por aí matando Clotildes. Existem outros seres vivos ao redor do seu amor-perfeito. Preste atenção neles, respeite-os, e aos seus sentimentos: ele podem ajudar muito se você souber amá-los também. Em nosso relacionamento a dois, seja com o próximo, seja com Deus, há sempre espaço para amar outras pessoas e nos alimentarmos desse amor. O amor-perfeito nunca nascerá onde houver egoísmo, individualismo, egocentrismo. Ele florescerá sem ter que fazer mal aos outros. Crescerá sem machucar ninguém.

4. Cuidado com o julgamento precipitado – Não elimine uma chance de nascer o amor-perfeito. Pode ser que aos seus olhos ele pareça feio, sem graça, insignificante no início. E você se pergunte: “mas o que isto tem a me oferecer?”. Cautela! O amor-perfeito quase sempre leva muito tempo para crescer, para mostrar sua beleza completa. Se você decidir arrancar tudo que não lhe seja aprazível aos sentidos, pode ser que acabe deixando crescer só ervas daninhas! E sua terra não foi feita para qualquer coisa não. Você vai gastar tempo e desperdiçar alimento com ervas daninhas? Paixões mundanas, aventuras pecaminosas, prazeres fáceis, crescem rápido e parecem tão lindos, mas depois que criam raiz, não deixam espaço para o amor-perfeito nascer. E só mais tarde você reconhece, tristinho, tristinho, que pouco valor eles têm...

Uma semana feliz e iluminada,

Luciana

quarta-feira, 10 de julho de 2002

Saudade!

Hoje, enquanto o ócio me conduzia àquele navegar impreciso pela internet, encontrei o site do Milton. Embora seja um site pessoal, ele fez uma seleção bem interessante e diversificada de temas, com boas atualizações (infelizmente o site saiu do ar).

Uma das sessões interessantes, é seu blog. Ora, quem pode resistir a uma olhadela num diário, mesmo que virtual? Entre curiosas fórmulas químicas e listas de verbos em inglês, encontrei uma pequena mensagem direcionada a sua esposa, Cristiane. Linhas do mais depurado amor. Enxerto aqui um trechinho que mais me chamou atenção:

“Chego em casa, são 23 horas, venho da escola. Ao abrir a porta, minha esposa (Cris...) fala lá do quarto: "Saudade!".
O que é saudade? Com sete anos de casamento, mais quatro e meio de namoro, são onze anos e meio. Dos sete anos de casamento, aproximadamente cinco trabalhamos juntos, ou seja, ficamos juntos 24 horas por dia. Neste dia, 29 de abril de 2002, havíamos feito compras às 18:00 h. Havíamos ficado apenas 5 horas separados, chego em casa e ouço: "saudade!".
Já deitado, o sono me fugiu, e comecei a pensar que a saudade não é caracterizada apenas por "tempo e espaço", há um sentimento envolvido. Vontade de estar perto, de compartilhar, de dividir e de somar. Quando a ouvi, tive um senso de valor próprio: "sou amado!", "alguém pensa em mim, sempre!". E esse sentimento expresso em uma só palavra, num momento "meio-dormindo", sem razão considerável ou discutível, demonstra o verdadeiro amor! Sincero, sem intenções paralelas.
Saudade! Uma só palavra, mas que disse tudo. Disse que os 7 anos de convivência até aqui, são apenas um ensaio dos longos anos que passaremos juntos, felizes!
Euamoestamulher, muitíssimo!!”

Sorrio pensando: olha a preocupação do Milton em plena madrugada de segunda-feira. Enquanto todos os debates na TV profetizam uma “crise dos sete anos” para os casais, ele os comemora como se acabasse de descrever seu primeiro encontro. Enquanto alguns psicólogos sugerem soluções vazias para a tal crise, como os casais conviverem menos tempo juntos, morarem em casas separadas, ou se verem só à noite para não enjoarem da cara um do outro, ele nos conta de uma saudade grande e sincera que nasceu em apenas cinco horas de distância. E qual a resposta pra isso Milton? Você formulou a sua, falou de um sentimento. Acho que a resposta está nas reticências carinhosas que você colocou lá na primeira linha, depois do nome da Cris. Está também na sua última frase, escrita toda junta, sem espaço para respirar, esbaforido de felicidade. A resposta está no próprio amor, Milton!

Pois é, o amor, ele de novo. Que crise que nada, “fundamental é mesmo o amor”, o vínculo da perfeição (Col. 3:14). O problema é que as pessoas estão desaprendendo que tal vínculo existe para tornar o que era parte, um único todo. O amor une; nada mais simples.

A gente pode sentir falta de um monte de coisas fora de nós mesmos: lugares, pessoas, comidas, presidentes ou carnavais. Mas saudade, saudade assim como a da Cris, só sente quem ama a ponto de ser um. Ela não sente falta de um acessório ou anexo, mas de parte dela mesma, o Milton, que com ela é um único ser. A ausência dele não é menos percebida do que a que ela sentiria de um membro do próprio corpo.

Não é só romantismo da minha parte. Todos os dias, pessoas menos românticas percebem isso. O ruim, é que geralmente só notam a importância da pessoa amada quando ela não está mais lá. Não é sempre assim? Quantas vezes hoje você prestou atenção no seu nariz? Ele é um membro do seu corpo. Importantíssimo. Mas você nem percebe, a menos que o perca...

Ah, mas a gente sempre acha que as pessoas vão estar lá, com uma espécie de amor autótrofo, que se alimenta só de si mesmo. Já é tão difícil carregar os nossos próprios problemas, que preferimos adiar a saudade e pensar: “é claro que os verei outra vez.” Há quem vá mais longe, e pense simplesmente “ora, eu não preciso deles”. Mas experimente viver sem o seu nariz. Imagine-se com uma grande bochecha adicional no lugar de suas narinas. A princípio seria bem difícil conseguir respirar assim, mas com um esforço muito, muito grande, talvez você consiga se adaptar. Depois de se submeter a um período incômodo em que você descobre que a boca não serve para respirar o tempo todo, depois de desenvolver técnicas complexas, sempre acreditando piamente na desnecessidade do nariz, você conseguirá respirar pelas orelhas. Que tal? Impressionante, não? Só tem um detalhe: você terá se descaracterizado como ser humano completo, não refletirá mais a imagem de Deus. Será o homo bochechus.

Bem, a metáfora é ruim, mas acho que você entendeu o recado. Sem que haja amor nos vinculando à perfeição, tudo volta a ser parte, a ser só, daquela solidão que Adão suplicou a Deus escapar. A distância – emocional e espiritual – quebra o vínculo. Mas quando amamos, estamos irremediavelmente unidos, não dá para viver sem, para encarar a ausência como algo aceitável, natural. Por isso a definição do Chico Buarque: “Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.” Mesmo a morte, a pior forma de separação, que temos de engolir, não é algo natural e aceitável, tanto que Jesus sacrificou a si mesmo a fim de termos vida em abundância, de readquirirmos o direito de nunca mais nos separarmos uns dos outros. Estar longe de quem se ama é tão natural quanto ter uma bochecha no lugar do nariz, baby. A diferença é que seu nariz não vai ficar cada vez mais fora do seu alcance se você esquecer de demonstrar que o ama (na dúvida, nada impede de fazer isso por ele agora mesmo. Só dê uma olhadinha em volta se for tentar beijá-lo, para não chamar muita atenção...)

Para estar junto assim, nem é preciso ser gêmeo siamês. Há como se estar junto, mesmo que não se veja a pessoa amada há cinqüenta anos. Como? Sentindo saudade. Mas saudade mesmo, não aquele sentimento covarde que se esquiva da própria necessidade de amar. Falo de uma saudade recheada de esperança, vontade doida de estar junto e sempre que possível, comunicação, troca, união. Na vida cristã, chamamos essa saudade de fé. É ela quem nos faz esperar, há dois mil anos pelo Amado, e nos move a buscar todas as formas de nos comunicarmos com Ele enquanto o dia da Vinda não chega... Essa fé-saudade é a base de toda nossa esperança como cristãos. Você sente saudade de Jesus?

Há pessoas que pedem: “Dá-me mais fé!”, mas isso é tão estranho quanto pedir a alguém que se ama, para sentir ais saudade. A fé, como a saudade, aumenta conforme o grau de intimidade entre as pessoas. Mais fé é resultado de um relacionamento mais chegado com Deus.

Na definição do Milton, saudade é essa vontade de estar perto, de compartilhar, é uma faceta do próprio amor. É o amor esperando, mas ainda vivo, ativo e presente acima de qualquer ausência. Não deixemos que as pessoas que amamos adivinhem o quanto elas são importantes para nós, o quanto nós as amamos com todasasletrasjuntas e bem audíveis.

Há quanto tempo você não expressa sua saudade, e não faz um carinho nas pessoas que você quer que estejam ao teu lado para sempre? Custa parecer um pouco bobo para ser um bocado feliz? Ainda que custe, eu garanto, vale a pena. Vai lá, e se não for compensador você acerta comigo depois. Mantenha o vínculo da perfeição, sinta e expresse sua saudade. E aqui também entra o Teu Deus. Que tal começar a semana dizendo o quanto você O ama e não vê a hora de O abraçar?

Luciana Dantas Teixeira
(escrito em 03/05/2002)

domingo, 7 de julho de 2002

A Ressurreição segundo Mahler

Quando a ouvi pela primeira vez, estava em São Paulo, escutando a FM Cultura no banco de trás do carro de um grande amigo meu. Acostumada que eu estava em ouvir apenas obras barrocas, curtinhas e sem predomínio de expressões emotivas, não tive estrutura para agüentar o peso daquela música me invadindo. No fim do primeiro movimento eu já estava aos prantos, emocionada com a sua força. Mais tarde, quando a ouvi por inteiro, minha paixão tornou-se completa.
Uma das mais belas sinfonias de Gustav Mahler é, sem dúvida, a Segunda, denominada "Ressureição". Mahler, músico dado a composições grandiosas, conseguiu dar a essa sinfonia um tamanho descomunal, tanto em se tratando da mensagem, como da execução da música (para ter noção dessa grandeza, junte aí um conjunto enorme de instrumentos de cordas, com mais 70 instrumentos diversos, alguns deles fora do palco, incluindo dois sinos, e um coro de vozes imenso – a idéia era essa!).
Os três primeiros movimentos da Segunda Sinfonia são todos instrumentais, e de acordo com indicação do próprio Mahler, o primeiro deles lança uma pergunta: "Com que finalidade viveu você?", a qual será respondida somente ao fim. A dúvida alterna momentos de uma atmosfera dramática, tensa, com passagens singelas e suaves. Quem já não meditou sobre esse tema alguma vez?

"Por que amamos se vamos morrer?
Por que morrer se amamos?
Por que falta sentido
No sentido de viver, amar, morrer?"


Já perguntava Drummond.
No penúltimo movimento, aparece uma voz doce, um solo de contralto, cantando a "Luz primordial", onde o tema da dúvida se desenvolve. Mahler deixa ver um ser humano em conflito, que vem de uma vida de sofrimentos e necessidades, querendo se manter no caminho de Deus, mas sendo constantemente tentado a se desviar dele. Seria tão melhor estar no Céu, ao invés de viver as amarguras da vida terrena... é tão cansativo travar essa luta constante, contra a carne e contra anjos maus. Sua convicção, porém, não vacila, e repete contrito: "Eu sou de Deus e para Deus devo retornar.”
Essa é a primeira faceta de uma ressurreição, que por vezes passa despercebida: a morte do velho homem, e a ressurreição de uma nova criatura em Cristo Jesus . Estar longe do caminho que conduz a Deus, é estar de certo modo, morto, posto que perece qualquer esperança para além desta vida fugaz. Quando nascemos de novo, já não nos conformamos em viver aqui só para comer, beber, apaixonar-se e morrer. É para isso, somente para sofrimentos, futilidades e desilusões que vivemos nesta terra? Depois de satisfazer esta carne, o que nos resta? Não, descobrimos um sentido maior, mais elevado, para o qual caminhamos, ainda que em luta constante contra nossa natureza, que teima em se apegar às coisas vãs desta vida. A pergunta permanece suspensa: Qual a razão de estarmos aqui? O solo de contralto termina com uma única certeza: Deus iluminará o caminho daqueles que decidirem seguí-lO.
Então começa o último movimento, o mais longo de uma sinfonia até então. Aqui, Mahler explora a força de todos os elementos musicais para expressar as passagens bíblicas que vão da Volta de Jesus à Ressurreição. Quem já leu os últimos capítulos do "Grande Conflito"[1], ou já deu ao menos uma espiada no Apocalipse, pode imaginar o que Mahler conseguiu – e como conseguiu! – traduzir musicalmente. Nenhum filme de Hollywood, desses muitos de fim do mundo, com qualidade DVD ou em terceira dimensão, conseguiria passar uma idéia tão real do Juízo Final como Mahler o faz através desse movimento. E de sobra, ele coloca aquele coral imenso para nos falar de uma das mais belas e poéticas visões da Ressurreição, através dos versos de Friedich Klopstock.

Os versos são teologicamente perfeitos. A ressurreição dos justos é representada como está em Apocalipse 14:14-16; a ceifa, onde aqueles que morreram justificados em Cristo, ressurgirão, assim como a semente que morre, depois de um curto sono, torna à vida no mesmo lugar em que foi semeada, agora em aparência de glória.

E o homem angustiado, chega ao fim de suas dúvidas: “Você não nasceu em vão. Você não viveu e sofreu em vão.” A Ressurreição é a resposta a todos os sofrimentos que foram suportados e vencidos. “Oh, sofrimento todo-poderoso, agora eu escapei de você, Oh, morte sempre vitoriosa, agora você foi vencida!”. Aquele que deixou morrer o velho homem e confiou na “Luz primordial”, vencerá o mundo e a própria morte. De repente tudo parece claro, como a própria luz que emana do trono de Deus. Todas as renúncias que foram feitas, todas as dolorosas decisões em favor do bem, todos os pecados a que se resistiu, mesmo que atormentassem a carne, toda fidelidade guardada a Deus a despeito de nossa dor, agora parecem tão pouco. O crente repete a si mesmo em júbilo: “Acredite, meu coração, acredite! Você não perdeu nada! Você receberá tudo que amou e desejou”. Não é lindo isso? Os que amaram os pecados e desejaram só as coisas deste mundo, terão aqui seus prazeres, e também sua destruição. Mas os que passaram suas vidas amando e desejando estar junto de Jesus, receberão no final a recompensa suprema: o próprio Cristo. “Com as asas que eu ganhei, no ardor do amor, eu voarei para a luz que nenhum olho jamais viu.” E por fim, o próprio Mahler conclui: “A dor que você levou, levará você a Deus.”

Que a contemplação de uma Nova Terra, onde “não haverá nem luto, nem pranto, nem dor”, onde “nunca mais haverá qualquer maldição”, onde veremos Jesus face a face (Apocalipse 21: 4, 22: 3, 4), possa nos impressionar uma vez mais no início desta semana. E que a “Luz Primordial” dê força à nossa fé, e sentido a nossa breve existência neste mundo.

Uma semana iluminada,

Luciana

[1] WHITE, Ellen G. O Grande Conflito. São Paulo: CASA Publicadora, 2000. Capítulo “O livramento dos justos” e seguintes.