domingo, 26 de abril de 2009

Adveniat - Uma nova claridade

Os telejornais estão falando de chuvas fortes por todo o Brasil. Num dia desses, enquanto eu via a imagem de um senhor atravessando sua rua num barco, divaguei nas minhas lembranças até o ano de 2002, quando presenciei as chuvas mais torrenciais que já vi na vida. Eu morava então em Natal, mas no mês de janeiro daquele ano, parecia que a capital potiguar iria se transformar na Macondo de Gabriel Garcia Marquez.

Tanta chuva nos causou grande estranheza. Natal tem o título de “Cidade do Sol” por causa dos seus 300 dias de sol por ano, em média. Segundo alguns estudiosos ela é também a cidade que tem a maior claridade natural do Brasil. Isso ocorre devido a sua posição geográfica, na esquina do Atlântico, que lhe serve como espelho d’água. O resultado disso é que as cores em Natal ganham uma tonalidade característica, confundindo os pintores estrangeiros que por ali passam.

Nesse contexto, um mês inteiro de chuvas fortes e constantes era algo penoso para nós. Lembro de um desses dias chuvosos em que acordei bem cedo, e ao sair de casa vi que o céu estava límpido. Durou pouco, mas naquelas duas horas as nuvens deram uma trégua para deixar o azul celeste nos dizer “olá” novamente. E as retinas já acostumadas aos dias de chuva sempre escuros, ficaram em festa, matando a saudade das cores que não viam há semanas.

No pouco tempo em que o sol ficou à vista, pude perceber uma vasta nuance de cores e tons que antes passavam diante de mim banalizados. Vi azuis refletidos nos paralelepípedos do calçamento e amarelos brilhando nas folhas das árvores. Verdes alegres pontuando o asfalto e cor-de-rosa sorridentes em fachadas de casinhas humildes. Aquele vislumbre de cores festivas, que são a marca da minha cidade, nunca me pareceu tão belo como naquelas duas horas entre o cinza atípico de um verão chuvoso. Percebi que talvez eu nunca tivesse reparado nisso se não tivesse conhecido a ausência da claridade e convivido com a predominância do cinza-chumbo no céu.

Essas lembranças me levaram a divagar mais. Já ouvi muitas pessoas questionando a bondade e o amor de Deus diante de um mundo cheio de tanta miséria, dor, desigualdade, morte e injustiça. Não teria sido mais fácil e justo Deus ter dado fim ao pecado desde seu início, eliminando Satanás, e com ele todas a mazelas da Terra? Por que não o fez?

Acontece que os seres puros do Universo não conheciam qualquer névoa de maldade antes de Satanás. Como natalenses diante de tempestades infindáveis, estavam confusos quando o mal surgiu pois não conheciam suas consequências. Somente quando viram o próprio Filho de Deus agonizando numa cruz em terrível dor, enquanto Satanás e seus anjos rejubilavam julgando ter vencido a batalha, é que o Universo pôde contemplar toda a monstruosidade do pecado. Os anjos fecharam os olhos e choraram diante de tão terrível cena. Compreenderam o que eram as trevas.

Mas o Plano de Salvação arquitetado por Deus era perfeito, e surpreendeu nosso inimigo: três dias depois Cristo ressuscitou dando a resposta de Deus ao Universo e a vitória a todos que O seguem. Por Cristo foi nos dado poder para viver de maneira elevada e santa, a fim de um dia estarmos juntos ao nosso Redentor numa Nova Terra completamente renovada e livre do mal.

Depois de vivermos tanto tempo nas trevas do pecado poderemos contemplar com novos olhos toda a claridade da luz. Conheceremos como somos conhecidos. Amaremos com também somos amados. Louvaremos, não somente porque fomos criados, mas porque fomos resgatados da escravidão e da morte. Embora nos custe viver nesse ambiente obscuro em que vivemos hoje, é ele quem nos dará um dia a noção exata da nossa necessidade do Sol da Justiça. Quando tudo isso passar, compreenderemos melhor a luz, e por isso “não se levantará por duas vezes a iniqüidade” (Naum 1:9). Se pela fé crermos nessa doutrina, poderemos aguardar com esperança o tempo em que andaremos eternamente na luz (Apocalipse 21:24).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Monólogos acompanhados - Ekklesia

Inaugurando mais um tag no blog, pensamentos esparsos, incompletos e crus que não chegaram a virar reflexões maduras.
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(1)
Você percebe que ninguém sentiu a sua falta.
E isso é triste.
Mas percebe também, e isso sim importa,
que a questão, de fato,
é o quanto você sentiu a falta de Deus.

(2)
Mal comparando, a igreja para mim é como uma prova acadêmica. Se você fez sua lição de casa, se está feliz porque conseguiu exercitar o conteúdo com que teve contato, se aprendeu de fato, vai fazer a prova contente e satisfeito porque sente que não só aproveitou os novos conhecimentos como tem o suficiente para dar. Na Igreja então, em contato com outras pessoas, você vai falar entusiasticamente sobre aquela matéria que você estudou a ponto de gostar dela (não costumamos gostar daquilo que não conhecemos). A ponto de desejar repassá-la de modo que outros possam aproveitar esse conhecimento também.
Se por infelicidade eu esquecer de fazer minhas lições de casa e aparecer na prova só para parecer que estudei ou que sei algo, meu semblante logo denunciará que estou oca. Que tenho medo e vontade de ir embora. E virá a apatia porque não consigo "acompanhar" aquele conteúdo, o isolamento porque não me identifico com aquele ambiente, a amargura porque a prova se tornou um instrumento para me pressionar a dar algo que não tenho.
E ainda que eu me esforce muito para não deixar transparecer isso tudo, e mantenha os olhos em outros objetos durante o tempo da prova (na roupa de um, nos vícios de linguagem de outro), uma hora os olhos do Mestre encontrarão os meus e...

(3)
A diferença entre o mandamento AMEM
e o cumprimento AMÉM
é um acento tônico
inclinado para o palpável
sobre uma vontade aguda de amar.

Recebi de graça - Solução para remédios amargos

Deviam inventar algo análogo para o ser humano, embora nós, ao contrário dos animais, tenhamos aprendido a nos acostumar com tudo, mesmo ao pior dos sabores, se julgamos que isso nos trará um benefício ou evitará um mal.

No texto anterior falamos sobre o quanto suportar com fé certas amarguras desta vida pode ser compensador. Mas explicar isso para os cachorros é mais difícil. Por isso a solução criativa abaixo, que recebi hoje (essa demorou meses!) e já vou repassar para minha irmã porque a minha cadelinha costuma engolir resignadamente seus remédios (melhor até que alguns humanos).
Trata-se de "bolsinhas" de ração para esconder os comprimidos e cápsulas que você tenha que dar para seu cachorro. Nos sabores carne e frango. Clique AQUI e preencha o formulário colocando Brazil e o seu CEP no campo "City", e o restante do endereço nos campos "Address" 1 e 2.

Adveniat - Ressureição

Mais uma reedição de um texto de 2002 (um ano literariamente falando). Esta foi a pedido de Mário Jorge Lima, pois ele achou que o texto tinha a ver com a páscoa. Não era o que tinha em mente quando escrevi mas de fato, o tema remete à reflexão própria do período. É tão fácil - e tão bom - escrever sobre música!
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Uma das mais belas sinfonias de Gustav Mahler é, sem dúvida, a Segunda, denominada "Ressureição". Mahler, músico dado a composições grandiosas, conseguiu dar a essa sinfonia um tamanho descomunal, tanto em se tratando da mensagem como da execução da música. Para ter noção dessa grandeza, junte aí um conjunto enorme de instrumentos de cordas, com mais 70 instrumentos diversos, alguns deles fora do palco, incluindo dois sinos, e um coro de vozes imenso – a idéia era essa!

Os três primeiros movimentos da Segunda Sinfonia são instrumentais, e de acordo com indicação do próprio Mahler, o primeiro deles lança uma pergunta: "Com que finalidade viveu você?", a qual será respondida somente ao fim. A dúvida alterna momentos de uma atmosfera dramática, tensa, com passagens singelas e suaves. Quem já não meditou sobre esse tema alguma vez?

No penúltimo movimento, aparece uma voz doce, um solo de contralto, cantando a "Luz Primordial", onde o tema da dúvida se desenvolve. Mahler deixa ver um ser humano em conflito, que vem de uma vida de sofrimentos e necessidades, querendo se manter no caminho da Luz, mas, sendo constantemente tentado a se desviar dele. Seria tão melhor estar no Céu ao invés de viver as amarguras da vida terrena... é tão cansativo travar essa luta constante contra a carne e contra anjos maus. Sua convicção, porém, não vacila, e repete contrito: "Eu sou de Deus e para Deus devo retornar.”

Essa é a primeira faceta de uma ressurreição que por vezes passa despercebida: a morte do velho homem, e a ressurreição de uma nova criatura em Cristo Jesus . Estar longe do caminho que conduz a Deus é estar, de certo modo, morto, posto que perece qualquer esperança para além desta vida fugaz. Quando nascemos de novo já não nos conformamos em viver aqui só para comer, beber, apaixonar-se e morrer. É para isso, sofrimentos, futilidades e desilusões que vivemos nesta terra? Depois de satisfazer esta carne, o que nos resta? Não. Descobrimos um sentido maior, mais elevado, para o qual caminhamos ainda que em luta constante contra nossa natureza, que teima em se apegar às coisas vãs desta vida. A pergunta permanece suspensa: Qual a razão de estarmos aqui? O lindíssimo solo de contralto, que começou apontando para Cristo, a Rosa de Saron, termina com uma única certeza: Deus iluminará o caminho daqueles que decidirem seguí-lO.

Então começa o último movimento, o mais longo de uma sinfonia até então. Aqui, Mahler explora a força de todos os elementos musicais para expressar as passagens bíblicas que vão da Volta de Jesus à Ressurreição. E o faz com maestria, colocando aquele imenso coral de que falei para cantar uma das mais poéticas visões da Ressurreição através dos versos de Friedich Klopstock. A ressurreição dos justos é representada como está em Apocalipse 14:14-16; a ceifa, onde os que morreram justificados em Cristo ressurgirão, assim como a semente que depois de um curto sono torna à vida no mesmo lugar em que foi semeada, agora em aparência de glória.

E o homem angustiado, chega ao fim de suas dúvidas: “Você não nasceu em vão. Você não viveu e sofreu em vão.” A Ressurreição é a resposta a todos os sofrimentos que foram suportados e vencidos. “Oh, sofrimento todo-poderoso, agora eu escapei de você, Oh, morte sempre vitoriosa, agora você foi vencida!”. De repente tudo parece claro como a própria luz que emana do trono de Deus. Todas as renúncias que foram feitas, todas as dolorosas decisões em favor do bem, todos os pecados a que se resistiu, mesmo que atormentassem a carne, toda fidelidade guardada a Deus a despeito de nossa dor, agora parecem tão pouco. O crente repete a si mesmo em júbilo: “Acredite, meu coração, acredite! Você não perdeu nada! Você receberá tudo que amou e desejou”. Os que amaram os pecados e desejaram só as coisas deste mundo terão aqui seus prazeres e também sua destruição. Mas – não é lindo isso? - os que passaram suas vidas amando e desejando estar junto de Jesus receberão no final a recompensa suprema: o próprio Cristo. “Com as asas que eu ganhei, no ardor do amor, eu voarei para a luz que nenhum olho jamais viu.” E por fim, o próprio Mahler conclui: “A dor que você levou, levará você a Deus.”

Que a contemplação de uma Nova Terra onde veremos Jesus face a face, onde “não haverá nem luto, nem pranto, nem dor”, onde “nunca mais haverá qualquer maldição”, (Apocalipse 21: 4, 22: 3,4), possa nos impressionar uma vez mais no início desta semana. E que a “Luz Primordial” dê força à nossa fé, e sentido a nossa breve existência neste mundo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Acreditar (ou não)

Eu não conhecia, encontrei hoje por acaso. A música se chama "O Adventista", composição do Camisa de Vênus (Marcelo Nova/ Franz Hummel)

"Eu acredito no bem e no mal
Eu acredito no imposto predial
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flávio Cavalcante
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no seu ponto de vista
Eu acredito no partido trabalhista
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito em toda essa cascata
Eu acredito no beijo do papa
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
eu acredito em quem anda com fé
Eu acredito em Xuxa e em Pelé
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito na escada pro sucesso
Eu acredito na ordem e no progresso
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito que o amor atrai
Eu acredito em mamãe e papai
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito no Cristo que padece
Eu acredito no INPS
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no milagre que não vem
Eu acredito nos homens de bem
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nas boas intenções
Mais este papo ja encheu os meus culhões
Eu não acredito, eu não acredito"

Vi no YouTube o vídeo dessa música com um comentário abaixo que falava de uma entrevista que o Marcelo deu na MTV dizendo que, em certo show (o do vídeo), parou, viu aquele monte de garotos de 16, 17 gritando "Não vai haver amor nessa P. nunca mais" e começou a improvisar um pai nosso.
Esta outra música abaixo eu já conheço de longas datas. Chama-se "Escolhi acreditar". Música de Lineu Soares e letra de Mario Jorge Lima.

"Modernas Teorias, novas formas de pensar
Existem por aí nos meios intelectuais
Que vão do ateísmo mais profundo e radical
Até o humanismo com tinturas sociais
E hoje mesmo a crença tenta se modificar
E quer que o homem seja o fim da sua pregação
Senhor dos seus problemas, dos seus sonhos e ideais
Buscando aqui e agora a total libertação
No entanto eu escolhi acreditar
Que existe um plano para a salvação
E que há um Deus no céu a governar o meu viver
Mas que me dá poder até pra aceitá-lo ou não
O seu reino é liberdade é amor
Espera sem forçar a decisão
Ele é descomplicado, não confunde o pecador
E fala tanto a minha mente como fala ao coração
O ser humano hoje só volta para si
Buscando atender necessidades essenciais
Mas sem levar em conta que há uma vida superior
Que poderá suprir os seus anseios mais reais
E há os que procuram tudo racionalizar
Só crendo no que a ciência e a cultura podem ver
Querendo um milagre pela lógica explicar
Se fecham para as coisas do espírito e da fé
No entanto eu escolhi acreditar
E esperar assim em meu Jesus
Filósofos e mestres nunca irão avaliar
Aquilo que o amor de Deus mostrou na cruz
O meu Deus é poderoso é real
Só nEle eu encontrei enfim perdão
Prefiro depender de sua força sem igual
E quero ter, então, por Ele transformado o coração."

Nem todo ser humano quer o mesmo para si. Embora todos precisem do mesmo.
Impressionante como a crença faz diferença entre essas duas músicas.
Pode fazer diferença na vida da gente também.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Faça você mesmo - Bíblia para bebês

Este post inaugura uma nova tag no blog, que ao meu ver também tem a ver com a Graça. É que Deus nos concede dons e talentos para criar, e a ação criativa nos aproxima do Criador, nos dá uma felicidade de quem reconhece em si algo do caráter divino.

Lembro que tive dificuldade de encontrar uma Bíblia para meu filhote porque mesmo as mais bonitas eram feitas daquele papel fininho que os pequenos adoram rasgar em três tempos. Então, Jaqueline, uma das melhores professoras infantis que já conheci, deu esta idéia que desenvolvemos juntas. Ao invés de dar R$ 15,00 numa Bíblia toda em papel cartonado, você pode, com cerca de R$ 4,00, confeccionar você mesmo uma, que seu filho também vai amar.

Para isso você vai precisar de:

- 1 álbum de fotografias, desses que se encontra ns lojas de 1,99, com cerca de 12 folhas. O coração recortado que aparece neste aqui veio nele mesmo. Pode também ser um fichário do tamanho de um caderno pequeno com capa e folhas de plástico, à venda em papelarias por um precinho bem camarada. Se você encontrar nem precisa encapar com feltro, só colar um figura bonita na capa.








- Uma impressora para imprimir ESTES DESENHOS ou outros a seu critério. Estes eu preparei já no tamanho certo para o álbum. São em preto e branco e mostram figuras de Jesus comcrianças e cenas de Sua vida. Se tiver tinta colorida pra gastar, você pode baixar ESTES ARQUIVOS DA EBD (procure pelos arquivos dos pré-primários e juniores também) e fazer a festa. Esta Bíblia é própria para bebês que ainda não lêem, mas você pode acrescentar palavras ou pequenas frases para estimular.
- Cola plástica (BRASCOLA, à venda em qualquer papelaria ou loja de construção)
- Feltro
- Tesoura
- Tinta dimensional (vem num tubinho com bico para facilitar a aplicação)

Passo-a-passo:

1- Encape o álbum com feltro, colando-o com cola plástica sobre a capa. Deixe o recorte abaixo nas pontas.













2- Feche as pontas com cola plástica também.
3 - Decore com tinta dimensional a seu gosto. Para quem não tem prática é bom treinar antes num papel.
4- Recorte e encaixe as figuras no álbum. Para ficar mais seguro você pode colar as bordas com durex depois que encaixar a figura (é mais difícil para as maozinhas puxarem os desenhos)
5- Está pronta! Você pode usar a mesma idéia para fazer livrinhos temáticos, sobre animais, plantas, instrumentos musicais e tudo que seu bebê gosta.
6 - Deixe o bebê manusear livremente o livro, e vá falando o que significa cada figura. Você pode passar uma vez explicando e depois deixar que ele mesmo se divirta manuseando. Logo você perceberá que ele o imita e tenta falar o que é cada figura também, como se estivesse contanto a história para você:-) Acredite, antes de 1 ano eles já podem fazer isso, o que pode fazer bastante diferença para o desenvolvimento de sua linguagem e capacidade de expressão.
7 - Cultive pequenos leitores e colherás grandes homens. O meu filhotinho é apaixonado por livros e vive me pedindo para contar histórias, que eu conto desde o ventre. Os livros ele já manuseia desde os três meses, quando aprendeu a agarrar objetos. Me chama para fazer sua liçaozinha bíblica todos os dias e se diverte com isso. Alguns de seus livros estão entre sues brinquedos preferidos, e ele passa um tempão "lendo" e "contando" histórias em nenenês, hehehe.

sábado, 21 de março de 2009

Adveniat - Algo mais

Ok, mais um texto antigo. Este é de 2004. Mas não é por falta de inspiração ou vontade de escrever, é que está difícil mesmo sentar na frente do computador, ou fazê-lo com a mente e o espírito abertos para a escrita. Esta semana ainda venho aqui escrever ao invés de reeditar.

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Acsa é uma personagem bíblica que só aparece em cinco versículos bíblicos (Josué 15:17 - 19 e Juízes 1:13-15), mas imprime uma mensagem de força indispensável em quem anda à busca de seu papel como cristão.

O pai de Acsa resolveu dá-la em casamento ao guerreiro que conseguisse conquistar uma certa região ao sul da Palestina chamada então de Quiriate-Sefer. Embora esse tipo de arranjo matrimonial nos pareça esquisito à primeira vista, é preciso analisar o contexto histórico para observar que nessa época a conquista de terras era o maior interesse dos povos, pois da posse da terra dependia toda a estabilidade deles. O pai de Acsa estava preocupado em lhe dar um marido que demonstrasse ter vontade suficiente de conquistar uma terra, pois esse demonstraria também aptidão para dar um lar seguro e próspero para sua filha. Depois, na mente de seu pai, um marido guerreiro, corajoso, era o melhor que ele poderia dar a Acsa, que devia ser uma mulher muito valorosa, a ponto do pagamento do seu dote ser a vitória de uma importante batalha.

Otoniel, primo de Acsa, conseguiu essa proeza e, conseqüentemente, a terra que conquistara. Se a história terminasse aqui todos os méritos pareceriam devidos a Otoniel, mas este fez apenas a sua parte no trato, conseguiu só aquilo que lhe era por direito humanamente. Acsa foi mais além. Ela percebeu que as terras do seu marido eram boas, mas não seriam produtivas sem água, que existia franca nas nascentes próximas, em terras de seu pai . E embora seu quinhão já fosse muito bom, ele não era tudo de que precisava: o clã de seu marido, agora o seu, precisava de mais, do melhor.
Não entendo a atitude de Acsa como ganância, mas como uma visão clara das vantagens a que tinha direito. Ela não se contentou em perceber suas necessidades e pediu ao pai aquilo que ele não poderia negar: um presente, como sinal de bênção sobre aquele casamento. Assim, os queneus conseguiram se estabelecer sobre ótimas terras e abundantes águas, sem o que as terras e todo o esforço do valente guerreiro Otoniel pouco teriam valido.

O que Acsa tem a nos dizer? Acredito que as nossas melhores conquistas são o fruto de uma parceria entre nós e Deus. Ele nos aponta as oportunidades – e é preciso conseguirmos distingui-las daquelas empreitadas que são meramente nossa vontade –, e nós nos lançamos na batalha com determinação até alcançar o alvo. Mas a história não deve parar por aqui, como a de Acsa não parou. Qualquer livro de auto-ajuda aconselharia a ter coragem de vencer as batalhas e se apossar do prêmio. Mas a Bíblia indica que os cristãos devemos reclamar a bênção completa que Deus tem para nós, aquilo que a fará fértil para gerar outras bênçãos.
Para isso é preciso perceber o que é que nos faz completos, depois ir até Ele, pedir que nos oriente a chegar até onde Ele quer que realmente cheguemos. E normalmente Ele apontará que quer que cheguemos ao Céu. Será que é uma atmosfera celestial que está faltando àquela bênção que Deus te ajudou a conquistar? Um perfume do Céu não tornaria o emprego, a casa, o casamento, o filho ou qualquer outra vitória que ele te apontou? Sem a água da vida que corre dos mananciais celestes (João 4:14), nossas conquistas serão tão efêmeras quanto o bocado deste mundo que conquistamos.
Uma vitória é sempre algo bom. Uma vitória com Deus é algo eterno. É preciso ter visão ampla para compreender aquilo de mais amplo que nós mais precisamos, e ir buscá-lo humildemente, mas com segurança, nas mãos dAquele que nos pode dar (Mateus 7:7), dAquele que, como nosso Pai amável, não nos pode negar uma bênção completa e abundante. Qual deve ser o tamanho de sua bênção esta semana? O que Deus pode ajuntar aos seus esforços? O que Ele deseja fazer que pode suprir por completo suas necessidades? Deixe que Ele lhe fale agora mesmo!

domingo, 15 de março de 2009

Só um suspiro

Estou tão cansada...
Que só consigo esperar.


sexta-feira, 6 de março de 2009

A pedidos - Músicas complementares

Não sei como não atinei com isso antes: é melhor refletir sobre uma obra musical quando se pode ouví-la, certo? Portanto, para o Marcão e para qualquer outro dos meus seis leitores ocasionais, seguem abaixo os arquivos em mp3 com as músicas mencionadas nos dois devocionais abaixo.

A PRIMEIRA é a ária para soprano e contralto do Messias de Handel, "He shall feed His flock".
Você pode baixar a obra completa (com a que é considerada por especialistas a melhor interpretação da obra), bem AQUI, no Blog do P.Q.P. BACH. Se quiser comparar, pode baixar essa OUTRA versão e aproveitar para ler mais comentários sobre o Messias.

Ária (Contralto) - Isaías 40:11

He shall feed His flock like a shepherd,
and He shall gather the lambs with His arm,
and carry them in His bosom,
and gently lead those that are with young.

Ária (Soprano) - Mateus 11:28-29

Come unto Him, all yet that labour,
that are heavy laden, and He will give you rest.
Take His yoke upon you, and learn of Him,
for He is meek and lowly of heart,
and ye shall find rest unto your souls.

Veja a TRADUÇÃO INTELINEAR do Levi Tavares.

A SEGUNDA é o conjunto de recitativos e coros citados no texto sobre a Paixão Segundo São Mateus. Você pode baixar a obra completa AQUI, créditos para o mesmo blog.

1. Recitativo - Evangelista (track 9)
Então, no primeiro dia da comemoração do pão ázimo, os discípulos vieram a Jesus dizendo-lhe:

2. Coro
Onde queres que preparemos a ceia para Tu comeres na Páscoa?

3. Recitativo - Evangelista
E Ele disse:

4. Recitativo - Jesus
Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe, o MEstre disse: Meu tempo está perto, Eu passarei a Páscoa em tua casa com Meus discípulos.

5. Recitativo - Evangelista
E os discípulos fizeram como Jesus lhe dissera, e eles aprontaram a Páscoa. Agora que o entardecer chegou, Ele sentou-se com os doze. E enquanto comiam, Ele disse:

6. Recitativo - Jesus
Na verdade, Eu vos digo, que um de Vós Me trairá.

7. Recitativo - Evangelista
E eles dicaram excessivamente tristes, e cada umd eles começpu a dizer-Lhe:

8. Coro
Senhor, serei eu?

9. Coral (track 10)
Sou Eu que devo ficar só, mão e pé amarrados na Sepultura.
Açoites e grilhões e vossos sofrimentos
redimiram minha alma.

Para os mais ortodoxos, todos os CDs aqui postados para avaliação estão à venda na AMAZON.
Ouça tudo hoje mesmo e desejar-lhe um feliz sábado será redundante, hehehe.

Adveniat - Senhor, serei eu?

Seguindo a mesma linha do devocional anterior, este, escrito para o site Adveniat também retomou um escrito antigo (de 2002) sobre uma obra de que gosto muito. Só retoquei o texto para o formato so site, "enxugando-o" Ai, preciso retomar minhas audições sabáticas de música sacra. Este hábito, que aprendi na casa do meu saudoso amigo Elias Tavares, é algo que mantém a atmosfera do meu sábado bem próxima a do Céu.
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Você sabia que nesta semana comemorou-se pela primeira vez no Brasil o Dia Nacional da Música Clássica? Cinco de Março foi o dia escolhido por tratar-se do aniversário do compositor Heitor Villa-Lobos. Como o tema “Música” muito me apraz, eu não poderia deixar de recomendar uma de minhas obras preferidas, embora ela não seja exatamente Clássica no sentido mais estrito do termo. Trata-se, na verdade, de uma música barroca, e certamente uma das mais belas obras de música sacra. Chama-se “A Paixão segundo São Mateus”, de Bach. Mesmo que seu gosto pessoal não o motive a comemorar a mais nova celebração nacional, há algo de espiritual nessa composição que você não pode deixar passar.

O pesquisador Otto Maria Carpeaux classifica A Paixão Segundo São Mateus como “uma obra de tão profunda emoção religiosa a ponto de converter um ateu”. De fato, ela é de uma mensagem tão poderosa que já se deu a Bach o título de “Quinto evangelista”. A pregação não se limita à exposição de um drama distante: o uso genial da forma coral permite que Bach transforme a música em prece íntima, e realize a introspecção da mensagem na congregação.

Um exemplo desse magnífico efeito está na primeira parte da Paixão Segundo São Mateus, que expõe o momento em que Jesus anuncia aos discípulos que será traído. “Um de vós me trairá”, canta a voz do baixo. O narrador diz: “E eles, mutíssimo tristes começam a perguntar...” (Mateus 26:22). Então entra o coro dramático dos apóstolos perguntando “Senhor, serei eu?”, pergunta que é repetida onze vezes, o que nos faz lembrar que Judas calou-se. Nesse momento, todos esperam que se siga a narração conforme está na Bíblia, com Jesus indicando os sinais do traidor. A pergunta “Senhor, serei eu?” ainda está suspensa por um acorde interrogativo. Bach toma um rumo menos óbvio e quando se espera que Jesus diga que Judas é o traidor, entra um novo coro de vozes, que, representando as vozes da congregação, anuncia outro culpado: “Sou eu!”.

De repente, os olhares que se voltavam para Judas, passam a olhar para si mesmos, e cada pessoa presente na igreja passa a se sentir pessoalmente culpada pela morte de Cristo. Ao contrário do que poderia se imaginar, esse coro não tem em nenhuma de suas notas um tom acusador, mas contrito, de um pecador que se reconhece mau. Ninguém pode ouvir esse coro sem sentir em seu coração que, em algum momento, também traiu Jesus, e merecia sofrer as penas do pecado no lugar dEle. “Vossos sofrimentos redimiram minha alma”, termina o coro deixando emocionado e surpreso o ouvinte.

Só depois disso é que o relato prossegue. Judas pergunta: “Senhor, serei eu?” e Jesus termina afirmando: “Tu o disseste”. Pronto, Bach mostrou a Cristo. Não um Cristo que chama nossos nomes para acusar, mas um Cristo que por Seu sacrifício de amor nos constrange a reconhecermos nossas culpas. Um Cristo a quem nós, todos os dias, crucificamos mais uma vez, e traímos tal como Judas quando cedemos ao pecado. Um Cristo que, ainda assim, sofreu para redimir nossas almas. Bach nos faz imaginar que até aquele “Tu o disseste” foi dito com amor e compaixão.

O sangue que flui das mãos onde cravamos, por nossas culpas, dolorosos pregos, é o mesmo sangue que nos limpa e reconcilia com Deus. A culpa do pecado, que é também a culpa que temos pela morte de Cristo, não nos é imputada devido a graça amorável dEle. Que ao começarmos esta semana possamos perguntar: “Senhor, serei eu?” E quando nos vir arrependidos, Jesus chamará o nosso nome, não para nos acusar, mas para nos dizer: “Filho, alegre-se! Perdoados estão os teus pecados” (Mateus 9:2).

Eis, Jesus estende Suas mãos para nos segurar. Vem!
Onde?
Para os braços de Jesus! Procura redenção, procura misericórdia, procura-te!
Onde?
Nos braços de Jesus! Vive, morre, fica aqui, Tu aflito. Fica aqui.
Onde?
Nos braços de Jesus!

Mas isso já é outro coro...


Nota: Paixão é como se chama o relato do sofrimento e crucifixão de Cristo nos quatro dias que antecedem a páscoa. Cantar a Paixão de Cristo era tradição na liturgia da igreja católica desde o século XIII, que mais tarde foi introduzida na liturgia protestante por Martinho Lutero, e alcançou seu clímax em Bach, que a apresentou na forma de oratórios. A Paixão Segundo São Mateus foi apresentada pela primeira vez em 1729, na igreja de São Tomás em Leipzig. Mas depois a Europa quase esqueceu que um dia existira um compositor chamado Bach. Exatamente cem anos depois, sob a regência de Mendelssohn, o impacto que esse oratório causou foi tão grande que fez a obra de Bach ser “ressuscitada”, estudada e reconhecida como um dos cumes da História da Música.