Às vezes pensamos ter ouvido a voz de Deus e racionalizamos: coincidência, vontade, imaginação, delírio. Mas Deus pode insistir em dizer as mesmas palavras de formas diferentes só para termos a certeza que é Sua voz. Ora, mesmo sendo este ser miserável que sou, reconheço-me como ovelha dEle, e Suas ovelhas conhecem Sua voz (João 10:27). Podem quando muito fingir não ouví-la, mas a conhecem e jamais esquecem seu timbre altisonante.
Deus tem me dito nos últimos meses, de diferentes formas, que eu preciso voltar. Essa volta passa por mim mesma, por meus escritos, meus sonhos, mas principalmente, passsa por Ele. Eu não sei como fazer isso, cheguei mesmo a duvidar que pudesse haver algum tipo de retorno, já que julgo o passado com o peso de Heráclito: não se pode pisar o mesmo rio duas vezes. Mas sei que Deus pode me fazer leve o bastante para transpor verdades minhas e alheias. Posso voltar. Não ao passado, mas a uma condição que me aproxima daquilo que Ele sonhou para mim. Não importa que já tenha tentado, sem sucesso, várias vezes, e veja a cada nova tentativa mais e mais pesos se acumularem contra mim nessa jornada. Talvez isso que eu veja como pesos seja só mais matéria-prima para reflexão. Sei que Ele me faz leve o bastante para me deixar guiar...
Então eu vou.
Estou colocando no blog todos os textos devocionais que tenho arquivados aqui no computador. Foi uma promessa que fiz ao Mário, para dispor dos textos no Adveniat, e é também uma forma de eu reler toda a minha trajetória de escrita devocional, me revendo, me reecontrando. Curioso é que sempre que releio esses textos fico surpresa, nem parece que fui eu quem escreveu aquilo. Bem, é que não foi mesmo: é duro para nós compreendermos que o que há de melhor em nós não é nosso, é dom. Pois eu quero apreender bem a percepção dessa Graça, imergir nela e contemplá-la para que possa refletí-la.
Os textos poderão ser acessados no arquivo, pois vou colocar as datas orginais em que foram escritos, e também através dos marcadores (2002, 2003, etc). Colocá-los aqui também os deixará a serviço do Espírito de Deus, que poderá guiar até eles alguém que precise da mensagem - aqui no meu computador, arquivados, eles perdem o sentido para o qual foram escritos: testemunhar.
Se depois deste reecontro vou voltar a escrever? Não sei. A Graça dirá.
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terça-feira, 4 de maio de 2010
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Interlúdio
Ontem não escrevi.
Pela manhã fizemos uma ultrassonografia de rotina, para verificar coom está se desenvolvendo meu bebê, agora que está com 21 semanas gestacionais.
Ele está bem, a não ser por uns cistos que o médico visualizou em seu cérebro. São chamados "cistos nos plexos coróides", um nome bem complicado para algo enigmático. Não se sabe ao certo porque eles aparecem, mas é bem na região onde o cérebro começa a se formar. E em alguns casos pode ser indicativo de síndromes que tem a ver com alterações nos cromossosmos, como síndrome de Down e Edwards. O prognóstico do médico, porém, e de todos os relatos que vi na internet, procuram me tranquilizar: em mais de 90% dos casos esses cistos regridem sem deixar sequelas, até as 29 semanas gestacionais.
Mas tem como ficar tranquila sabendo que o bebê que você já ama em seu ventre está com vários cistos nos cérebro, sendo o maior com mais de um centímetro num pequeno órgão de 5 cm?
Tirei o resto do dia pra curtir bem minha preocupação. Não peguei na minha monografia, não consegui escrever o devocional, chorei, pesquisei tudo na internet sobre o assunto, vi fotos de bebês deficientes, os mais tristes casos de síndrome de edwards, pensei milhões de besteiras... como o fato este bebê desde o começo mexer bem menos que o Vinícius, a TN que não fiz... lembrei de todos os bebezinhos deficientes que atendi nas sessões de musicoterapia, pensei nas piores posibilidades, como o fato dele começar a desenvolver atrofias a partir de agora, e me permiti sentir muita pena de mim. Orei bastante, é claro, com meu marido e com Vinícius também.
Mas decidi que minha angústia duraria só até ontem. Hoje vou retomar minha vida, minha monografia, minhas meditações, e não vou me permitir mais deter meu pensamento sobre minhas preocupações nem sentir pena de mim.
Fé é isso mesmo, é uma decisão, e eu decidi crer que esses cistos só apareceram para provar minha fé e, às 29 semanas, servirem de testemunho da atuação de Deus. Eu não vou me tranquilizar por estatísticas. Não importa que em mais de 90% dos casos esses cistos regridam, porque eu já faço parte de uma estatística ínfima: sou parte do menos de 1% das gestações onde esses cistos ocorrem, como vou confiar em estatísticas?
"Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei abalado. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio." (Salmo 62: 5 - 7)
Confio em Deus, já entreguei minhas lágrimas e preces a Ele, agora me tranquilizar é a prova de que estou confiando.
Pela manhã fizemos uma ultrassonografia de rotina, para verificar coom está se desenvolvendo meu bebê, agora que está com 21 semanas gestacionais.
Ele está bem, a não ser por uns cistos que o médico visualizou em seu cérebro. São chamados "cistos nos plexos coróides", um nome bem complicado para algo enigmático. Não se sabe ao certo porque eles aparecem, mas é bem na região onde o cérebro começa a se formar. E em alguns casos pode ser indicativo de síndromes que tem a ver com alterações nos cromossosmos, como síndrome de Down e Edwards. O prognóstico do médico, porém, e de todos os relatos que vi na internet, procuram me tranquilizar: em mais de 90% dos casos esses cistos regridem sem deixar sequelas, até as 29 semanas gestacionais.
Mas tem como ficar tranquila sabendo que o bebê que você já ama em seu ventre está com vários cistos nos cérebro, sendo o maior com mais de um centímetro num pequeno órgão de 5 cm?
Tirei o resto do dia pra curtir bem minha preocupação. Não peguei na minha monografia, não consegui escrever o devocional, chorei, pesquisei tudo na internet sobre o assunto, vi fotos de bebês deficientes, os mais tristes casos de síndrome de edwards, pensei milhões de besteiras... como o fato este bebê desde o começo mexer bem menos que o Vinícius, a TN que não fiz... lembrei de todos os bebezinhos deficientes que atendi nas sessões de musicoterapia, pensei nas piores posibilidades, como o fato dele começar a desenvolver atrofias a partir de agora, e me permiti sentir muita pena de mim. Orei bastante, é claro, com meu marido e com Vinícius também.
Mas decidi que minha angústia duraria só até ontem. Hoje vou retomar minha vida, minha monografia, minhas meditações, e não vou me permitir mais deter meu pensamento sobre minhas preocupações nem sentir pena de mim.
Fé é isso mesmo, é uma decisão, e eu decidi crer que esses cistos só apareceram para provar minha fé e, às 29 semanas, servirem de testemunho da atuação de Deus. Eu não vou me tranquilizar por estatísticas. Não importa que em mais de 90% dos casos esses cistos regridam, porque eu já faço parte de uma estatística ínfima: sou parte do menos de 1% das gestações onde esses cistos ocorrem, como vou confiar em estatísticas?
"Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei abalado. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio." (Salmo 62: 5 - 7)
Confio em Deus, já entreguei minhas lágrimas e preces a Ele, agora me tranquilizar é a prova de que estou confiando.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Intróito
Passei um bom tempo sem escrever devocionais. Os pequenos transtornos cotidianos acabaram por se acumular e provocar um grande incômodo de ordem emocional e psíquica, que tive de tratar em silêncio, porque o silêncio denota cura, não é à toa que há cartazes nos hospitais pedindo por ele.
Depois, já convalescendo, comecei a retomar aos poucos minhas atividades intelectuais, que por causa da pausa se avolumaram de modo a eu sentir que não daria conta de "ter que" escrever meus devocionais semanalmente.
Semana passada recebi a prazenteira mensagem abaixo, do meu amigo Marcão, pessoa que foi e é pontapé e motivação para eu escrever. Mais uma vez ele veio me acudir mostrando a necessidade de não afastar o Espírito com meus "compromissos inadiáveis".
E Deus me fez, durante toda a semana, sentir mais e mais sede dEle. Uma sede que, concluí, não daria fim de outra maneira senão me colocando na presença dEle. Resolvi então - ou Ele resolveu por mim - que será assim. Também preciso convalescer espiritualmente, e para tanto preciso de um tipo especial de silêncio, aquele em que a gente se posta aos pés da cruz e espera, serenamente, pela voz de Deus.
Hoje amanheci com este propósito no coração: todos os dias vou vir aqui, antes de tudo, sentar na cadeira em frente ao computador, encarar a cruz e pedir que Deus fale comigo. O que Ele falar, escreverei. Não sei por quantos dias o farei, e não quero me preocupar com isso, já tenho prazos demais a cumprir. Quero apenas buscá-lO e a Sua força, buscar Sua face continuamente (Salmo 105: 4). Quero buscá-lo e viver (Amos 5:4).
ps.: Eu ia linkar o texto do Marcão, mas como não o achei no blog dele, vou colocar aqui.
Para ilustrar o que eu gostaria de dizer com este texto, poderiamencionar esse casal que conheço lá da igreja. Eles têm três filhos, omais velho com acho que nove anos e a caçulinha tem uns quatro. Talvezvocê tenha ideia de quanto três filhos não absorvem de tempo... Bem,eles trabalham duro e vivem nessa confusão a que costumamos chamar SãoPaulo e você também pode calcular quanto de tempo isso consome. Aindaassim, são voluntários no clube de aventureiros da igreja, o que tomatodas as manhãs de domingo e outras horitas mais. Parece, porém, queainda sobra algum tempo, porque nas horas vagas que sobram, corremmaratonas juntos.
Você já sabe isso, ou ao menos intui, mas de quando em vez é bom quealguém o lembre: quer saber quais são suas prioridades reais na vida?Veja com o que gasta seu tempo. Simples assim. Não sobra tempo paranada? Esse "nada" seria algo agradável, divertido, importante ou algoessencial? Você consegue mesmo viver sem o essencial? Até quando?
Existe um pequeno problema com nossas desculpas: existe muita gentetão pressionada pelas demandas da vida moderna quanto nós e que aindaassim realizam coisas fantásticas. Existe gente como a gente que nãodescura do que é essencial, está em contato com Deus diariamente,aplicada a ouvir a voz dEle e ainda por cima crescendo, vivendo eacontecendo. Isso parece invalidar nossas desculpas, não acha?
Talvez valha a pena lembrar de Lutero, que orava uma hora por diaantes de o sol nascer e, quando teria um dia especialmente cheio decoisas e de trabalho, orava três. Ou então o pr. David Cho, líder damaior igreja do mundo, em Seul, para quem um dia perguntaram como éque ele dava conta de uma igreja com 800.000 membros, umauniversidade, um jornal e nem sei mais o que e ainda assim passar amanhã inteira orando e estudando a Bíblia. Ele pareceu um poucoespantado com a pergunta e respondeu: como é que eu conseguiria fazertudo isso SEM passar as manhãs orando?
Sua vida é o que você está fazendo com ela agora, neste instante.Pense nisso.
Feliz sábado, @migos!
Depois, já convalescendo, comecei a retomar aos poucos minhas atividades intelectuais, que por causa da pausa se avolumaram de modo a eu sentir que não daria conta de "ter que" escrever meus devocionais semanalmente.
Semana passada recebi a prazenteira mensagem abaixo, do meu amigo Marcão, pessoa que foi e é pontapé e motivação para eu escrever. Mais uma vez ele veio me acudir mostrando a necessidade de não afastar o Espírito com meus "compromissos inadiáveis".
E Deus me fez, durante toda a semana, sentir mais e mais sede dEle. Uma sede que, concluí, não daria fim de outra maneira senão me colocando na presença dEle. Resolvi então - ou Ele resolveu por mim - que será assim. Também preciso convalescer espiritualmente, e para tanto preciso de um tipo especial de silêncio, aquele em que a gente se posta aos pés da cruz e espera, serenamente, pela voz de Deus.
Hoje amanheci com este propósito no coração: todos os dias vou vir aqui, antes de tudo, sentar na cadeira em frente ao computador, encarar a cruz e pedir que Deus fale comigo. O que Ele falar, escreverei. Não sei por quantos dias o farei, e não quero me preocupar com isso, já tenho prazos demais a cumprir. Quero apenas buscá-lO e a Sua força, buscar Sua face continuamente (Salmo 105: 4). Quero buscá-lo e viver (Amos 5:4).
ps.: Eu ia linkar o texto do Marcão, mas como não o achei no blog dele, vou colocar aqui.
Para ilustrar o que eu gostaria de dizer com este texto, poderiamencionar esse casal que conheço lá da igreja. Eles têm três filhos, omais velho com acho que nove anos e a caçulinha tem uns quatro. Talvezvocê tenha ideia de quanto três filhos não absorvem de tempo... Bem,eles trabalham duro e vivem nessa confusão a que costumamos chamar SãoPaulo e você também pode calcular quanto de tempo isso consome. Aindaassim, são voluntários no clube de aventureiros da igreja, o que tomatodas as manhãs de domingo e outras horitas mais. Parece, porém, queainda sobra algum tempo, porque nas horas vagas que sobram, corremmaratonas juntos.
Você já sabe isso, ou ao menos intui, mas de quando em vez é bom quealguém o lembre: quer saber quais são suas prioridades reais na vida?Veja com o que gasta seu tempo. Simples assim. Não sobra tempo paranada? Esse "nada" seria algo agradável, divertido, importante ou algoessencial? Você consegue mesmo viver sem o essencial? Até quando?
Existe um pequeno problema com nossas desculpas: existe muita gentetão pressionada pelas demandas da vida moderna quanto nós e que aindaassim realizam coisas fantásticas. Existe gente como a gente que nãodescura do que é essencial, está em contato com Deus diariamente,aplicada a ouvir a voz dEle e ainda por cima crescendo, vivendo eacontecendo. Isso parece invalidar nossas desculpas, não acha?
Talvez valha a pena lembrar de Lutero, que orava uma hora por diaantes de o sol nascer e, quando teria um dia especialmente cheio decoisas e de trabalho, orava três. Ou então o pr. David Cho, líder damaior igreja do mundo, em Seul, para quem um dia perguntaram como éque ele dava conta de uma igreja com 800.000 membros, umauniversidade, um jornal e nem sei mais o que e ainda assim passar amanhã inteira orando e estudando a Bíblia. Ele pareceu um poucoespantado com a pergunta e respondeu: como é que eu conseguiria fazertudo isso SEM passar as manhãs orando?
Sua vida é o que você está fazendo com ela agora, neste instante.Pense nisso.
Feliz sábado, @migos!
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Monólogos acompanhados - Ekklesia
Inaugurando mais um tag no blog, pensamentos esparsos, incompletos e crus que não chegaram a virar reflexões maduras.
(2)
(3)
--------------------------------------------------
(1)Você percebe que ninguém sentiu a sua falta.
E isso é triste.
Mas percebe também, e isso sim importa,
que a questão, de fato,
é o quanto você sentiu a falta de Deus.
(2)
Mal comparando, a igreja para mim é como uma prova acadêmica. Se você fez sua lição de casa, se está feliz porque conseguiu exercitar o conteúdo com que teve contato, se aprendeu de fato, vai fazer a prova contente e satisfeito porque sente que não só aproveitou os novos conhecimentos como tem o suficiente para dar. Na Igreja então, em contato com outras pessoas, você vai falar entusiasticamente sobre aquela matéria que você estudou a ponto de gostar dela (não costumamos gostar daquilo que não conhecemos). A ponto de desejar repassá-la de modo que outros possam aproveitar esse conhecimento também.
Se por infelicidade eu esquecer de fazer minhas lições de casa e aparecer na prova só para parecer que estudei ou que sei algo, meu semblante logo denunciará que estou oca. Que tenho medo e vontade de ir embora. E virá a apatia porque não consigo "acompanhar" aquele conteúdo, o isolamento porque não me identifico com aquele ambiente, a amargura porque a prova se tornou um instrumento para me pressionar a dar algo que não tenho.
E ainda que eu me esforce muito para não deixar transparecer isso tudo, e mantenha os olhos em outros objetos durante o tempo da prova (na roupa de um, nos vícios de linguagem de outro), uma hora os olhos do Mestre encontrarão os meus e...
(3)
A diferença entre o mandamento AMEM
e o cumprimento AMÉM
é um acento tônico
inclinado para o palpável
sobre uma vontade aguda de amar.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Acreditar (ou não)
Eu não conhecia, encontrei hoje por acaso. A música se chama "O Adventista", composição do Camisa de Vênus (Marcelo Nova/ Franz Hummel)
"Eu acredito no bem e no mal
Eu acredito no imposto predial
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flávio Cavalcante
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no seu ponto de vista
Eu acredito no partido trabalhista
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito em toda essa cascata
Eu acredito no beijo do papa
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
eu acredito em quem anda com fé
Eu acredito em Xuxa e em Pelé
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito na escada pro sucesso
Eu acredito na ordem e no progresso
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito que o amor atrai
Eu acredito em mamãe e papai
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito no Cristo que padece
Eu acredito no INPS
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no milagre que não vem
Eu acredito nos homens de bem
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nas boas intenções
Mais este papo ja encheu os meus culhões
Eu não acredito, eu não acredito"
Vi no YouTube o vídeo dessa música com um comentário abaixo que falava de uma entrevista que o Marcelo deu na MTV dizendo que, em certo show (o do vídeo), parou, viu aquele monte de garotos de 16, 17 gritando "Não vai haver amor nessa P. nunca mais" e começou a improvisar um pai nosso.
Esta outra música abaixo eu já conheço de longas datas. Chama-se "Escolhi acreditar". Música de Lineu Soares e letra de Mario Jorge Lima.
"Modernas Teorias, novas formas de pensar
Existem por aí nos meios intelectuais
Que vão do ateísmo mais profundo e radical
Até o humanismo com tinturas sociais
E hoje mesmo a crença tenta se modificar
E quer que o homem seja o fim da sua pregação
Senhor dos seus problemas, dos seus sonhos e ideais
Buscando aqui e agora a total libertação
No entanto eu escolhi acreditar
Que existe um plano para a salvação
E que há um Deus no céu a governar o meu viver
Mas que me dá poder até pra aceitá-lo ou não
O seu reino é liberdade é amor
Espera sem forçar a decisão
Ele é descomplicado, não confunde o pecador
E fala tanto a minha mente como fala ao coração
O ser humano hoje só volta para si
Buscando atender necessidades essenciais
Mas sem levar em conta que há uma vida superior
Que poderá suprir os seus anseios mais reais
E há os que procuram tudo racionalizar
Só crendo no que a ciência e a cultura podem ver
Querendo um milagre pela lógica explicar
Se fecham para as coisas do espírito e da fé
No entanto eu escolhi acreditar
E esperar assim em meu Jesus
Filósofos e mestres nunca irão avaliar
Aquilo que o amor de Deus mostrou na cruz
O meu Deus é poderoso é real
Só nEle eu encontrei enfim perdão
Prefiro depender de sua força sem igual
E quero ter, então, por Ele transformado o coração."
Nem todo ser humano quer o mesmo para si. Embora todos precisem do mesmo.
Impressionante como a crença faz diferença entre essas duas músicas.
Pode fazer diferença na vida da gente também.
"Eu acredito no bem e no mal
Eu acredito no imposto predial
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flávio Cavalcante
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no seu ponto de vista
Eu acredito no partido trabalhista
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito em toda essa cascata
Eu acredito no beijo do papa
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
eu acredito em quem anda com fé
Eu acredito em Xuxa e em Pelé
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito na escada pro sucesso
Eu acredito na ordem e no progresso
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito que o amor atrai
Eu acredito em mamãe e papai
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito no Cristo que padece
Eu acredito no INPS
Eu acredito, eu acredito
Não vai haver amor neste mundo nunca mais
Eu acredito no milagre que não vem
Eu acredito nos homens de bem
Eu acredito, eu acredito
Eu acredito nas boas intenções
Mais este papo ja encheu os meus culhões
Eu não acredito, eu não acredito"
Vi no YouTube o vídeo dessa música com um comentário abaixo que falava de uma entrevista que o Marcelo deu na MTV dizendo que, em certo show (o do vídeo), parou, viu aquele monte de garotos de 16, 17 gritando "Não vai haver amor nessa P. nunca mais" e começou a improvisar um pai nosso.
Esta outra música abaixo eu já conheço de longas datas. Chama-se "Escolhi acreditar". Música de Lineu Soares e letra de Mario Jorge Lima.
"Modernas Teorias, novas formas de pensar
Existem por aí nos meios intelectuais
Que vão do ateísmo mais profundo e radical
Até o humanismo com tinturas sociais
E hoje mesmo a crença tenta se modificar
E quer que o homem seja o fim da sua pregação
Senhor dos seus problemas, dos seus sonhos e ideais
Buscando aqui e agora a total libertação
No entanto eu escolhi acreditar
Que existe um plano para a salvação
E que há um Deus no céu a governar o meu viver
Mas que me dá poder até pra aceitá-lo ou não
O seu reino é liberdade é amor
Espera sem forçar a decisão
Ele é descomplicado, não confunde o pecador
E fala tanto a minha mente como fala ao coração
O ser humano hoje só volta para si
Buscando atender necessidades essenciais
Mas sem levar em conta que há uma vida superior
Que poderá suprir os seus anseios mais reais
E há os que procuram tudo racionalizar
Só crendo no que a ciência e a cultura podem ver
Querendo um milagre pela lógica explicar
Se fecham para as coisas do espírito e da fé
No entanto eu escolhi acreditar
E esperar assim em meu Jesus
Filósofos e mestres nunca irão avaliar
Aquilo que o amor de Deus mostrou na cruz
O meu Deus é poderoso é real
Só nEle eu encontrei enfim perdão
Prefiro depender de sua força sem igual
E quero ter, então, por Ele transformado o coração."
Nem todo ser humano quer o mesmo para si. Embora todos precisem do mesmo.
Impressionante como a crença faz diferença entre essas duas músicas.
Pode fazer diferença na vida da gente também.
domingo, 15 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
A pedidos - Músicas complementares
Não sei como não atinei com isso antes: é melhor refletir sobre uma obra musical quando se pode ouví-la, certo? Portanto, para o Marcão e para qualquer outro dos meus seis leitores ocasionais, seguem abaixo os arquivos em mp3 com as músicas mencionadas nos dois devocionais abaixo.
A PRIMEIRA é a ária para soprano e contralto do Messias de Handel, "He shall feed His flock".
Você pode baixar a obra completa (com a que é considerada por especialistas a melhor interpretação da obra), bem AQUI, no Blog do P.Q.P. BACH. Se quiser comparar, pode baixar essa OUTRA versão e aproveitar para ler mais comentários sobre o Messias.
Ária (Contralto) - Isaías 40:11
He shall feed His flock like a shepherd,
and He shall gather the lambs with His arm,
and carry them in His bosom,
and gently lead those that are with young.
Ária (Soprano) - Mateus 11:28-29
Come unto Him, all yet that labour,
that are heavy laden, and He will give you rest.
Take His yoke upon you, and learn of Him,
for He is meek and lowly of heart,
and ye shall find rest unto your souls.
Veja a TRADUÇÃO INTELINEAR do Levi Tavares.
A SEGUNDA é o conjunto de recitativos e coros citados no texto sobre a Paixão Segundo São Mateus. Você pode baixar a obra completa AQUI, créditos para o mesmo blog.
1. Recitativo - Evangelista (track 9)
Então, no primeiro dia da comemoração do pão ázimo, os discípulos vieram a Jesus dizendo-lhe:
2. Coro
Onde queres que preparemos a ceia para Tu comeres na Páscoa?
3. Recitativo - Evangelista
E Ele disse:
4. Recitativo - Jesus
Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe, o MEstre disse: Meu tempo está perto, Eu passarei a Páscoa em tua casa com Meus discípulos.
5. Recitativo - Evangelista
E os discípulos fizeram como Jesus lhe dissera, e eles aprontaram a Páscoa. Agora que o entardecer chegou, Ele sentou-se com os doze. E enquanto comiam, Ele disse:
6. Recitativo - Jesus
Na verdade, Eu vos digo, que um de Vós Me trairá.
7. Recitativo - Evangelista
E eles dicaram excessivamente tristes, e cada umd eles começpu a dizer-Lhe:
8. Coro
Senhor, serei eu?
9. Coral (track 10)
Sou Eu que devo ficar só, mão e pé amarrados na Sepultura.
Açoites e grilhões e vossos sofrimentos
redimiram minha alma.
Para os mais ortodoxos, todos os CDs aqui postados para avaliação estão à venda na AMAZON.
Ouça tudo hoje mesmo e desejar-lhe um feliz sábado será redundante, hehehe.
A PRIMEIRA é a ária para soprano e contralto do Messias de Handel, "He shall feed His flock".
Você pode baixar a obra completa (com a que é considerada por especialistas a melhor interpretação da obra), bem AQUI, no Blog do P.Q.P. BACH. Se quiser comparar, pode baixar essa OUTRA versão e aproveitar para ler mais comentários sobre o Messias.
Ária (Contralto) - Isaías 40:11
He shall feed His flock like a shepherd,
and He shall gather the lambs with His arm,
and carry them in His bosom,
and gently lead those that are with young.
Ária (Soprano) - Mateus 11:28-29
Come unto Him, all yet that labour,
that are heavy laden, and He will give you rest.
Take His yoke upon you, and learn of Him,
for He is meek and lowly of heart,
and ye shall find rest unto your souls.
Veja a TRADUÇÃO INTELINEAR do Levi Tavares.
A SEGUNDA é o conjunto de recitativos e coros citados no texto sobre a Paixão Segundo São Mateus. Você pode baixar a obra completa AQUI, créditos para o mesmo blog.
1. Recitativo - Evangelista (track 9)
Então, no primeiro dia da comemoração do pão ázimo, os discípulos vieram a Jesus dizendo-lhe:
2. Coro
Onde queres que preparemos a ceia para Tu comeres na Páscoa?
3. Recitativo - Evangelista
E Ele disse:
4. Recitativo - Jesus
Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe, o MEstre disse: Meu tempo está perto, Eu passarei a Páscoa em tua casa com Meus discípulos.
5. Recitativo - Evangelista
E os discípulos fizeram como Jesus lhe dissera, e eles aprontaram a Páscoa. Agora que o entardecer chegou, Ele sentou-se com os doze. E enquanto comiam, Ele disse:
6. Recitativo - Jesus
Na verdade, Eu vos digo, que um de Vós Me trairá.
7. Recitativo - Evangelista
E eles dicaram excessivamente tristes, e cada umd eles começpu a dizer-Lhe:
8. Coro
Senhor, serei eu?
9. Coral (track 10)
Sou Eu que devo ficar só, mão e pé amarrados na Sepultura.
Açoites e grilhões e vossos sofrimentos
redimiram minha alma.
Para os mais ortodoxos, todos os CDs aqui postados para avaliação estão à venda na AMAZON.
Ouça tudo hoje mesmo e desejar-lhe um feliz sábado será redundante, hehehe.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Feliz dia da música clássica
Hoje, revirando alguns escritos antigos, achei uns devocionais que escrevi inspirada por obras musicais em específico. E como fiquei sabendo pelo blog do Joêzer que hoje é oficialmente dia nacional da Música Clássica, pesquei esse texto aí embaixo para colocar aqui. Foi escrita em 2001, quando eu começava a adentrar o "magnífico" mundo da música erudita. Sabia tão pouco da técnica, da teoria e dos esnobismos que cercam esse mundo! Não que hoje eu saiba alguma coisa, mas digamos que, na faculdadede Música adquiri um certo conhecimento do bem e do mal.
Hoje estou especialmente triste e bastante desanimada. Recorro a lembranças da minha obra sacra "erudita" preferida, o Messias de Handel (sim, o Messias, aquele do Aleluia). Poderia citar obras muito mais "eruditas" e até mais "sacras", poderia ter escolhido um devocional menos ingênuo e piegas. Mas esta preferência é também uma necessidade de consolo. Uma vontade de colher afeto na Beleza que me toca. Não acho que recuperarei a comoção tão autêntica, característica desta época de minha vida. Mas a Música sempre aponta uma claridade.
---------------------------------------
Eu já falei para vocês o quanto gosto de Handel? Só não afirmo que ele é meu compositor favorito porque também sou fascinada pela exuberância de Bach, a expressividade de Vivaldi, e a mediocridade de Mozart (o garante minha querida e saudosa amiga Renata). Se a minha vida pudesse ter trilha musical (tenho esta neurose), George Frideric Handel fulguraria em destaque nos créditos, tanto me identifico com sua música.
Eu estava aqui prestando atenção numa das muitas belas árias compostas por ele, que também é uma obra-prima teológica pelo simples ajuntar de dois versículos. A voz de uma contralto (as contraltos são formidáveis) desabrocha no meio de violinos e canta: "Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará junto ao peito; as que amamentam, ele as guiará mansamente." (Isaías 40:11). Chegue mais perto e repare: o pastor agora está sozinho, e tem o olhar fixo no horizonte, onde busca uma ovelha. Por um momento ele interrompe a caminhada, para e suspira. A voz soprano que estava agachada a contemplar a flor da voz contralto, toma-a nas mãos, levanta-se três tons acima e diz: "Ide a Ele, todos os que estais cansados e oprimidos, e Ele vos aliviará.. Tomai sobre vós o Seu jugo, e aprendei dEle, que é manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (ver Mateus 11:28, 29).
E agora eu ouso ir além, fazendo um arranjo nessa harmonia tocante. Quero ver a ovelha que o pastor procura. E sabe o que vejo? A ovelha de Lucas 3:4 – 6, aquela famosa ovelhinha perdida.
Quero que você imagine-se no lugar daquele pastor. Ele amava suas ovelhas, e tanto cuidava, dava carinho e atenção que estas já lhe conheciam pela voz. Mas uma dessas ovelhas sumiu, deixando-o preocupado, temeroso e decepcionado. Imagino esse pastor andando pelo deserto, fazendo sua voz ecoar nas montanhas pedregosas em busca de sua preciosa ovelha perdida. Mas parece que quanto mais a busca, mais a ovelha se distancia dele. O sol lhe queima a face ansiosa... ele começa a sentir sede e fome. Seus pés doem, mas ele continua a andar e – estranho – seu semblante transmite ânimo inabalável, sua voz firme não deixa de ser doce enquanto diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... e achareis descanso para as vossas almas".
Consegue perceber que enquanto procura a sua ovelha perdida, o pastor chama para si não só ela, mas todos os que estão cansados e oprimidos? Pode imaginar que, naqueles vales desérticos talvez haja outras ovelhas perdidas precisando dos braços amoráveis do pastor, onde possam descansar junto ao seu peito? Nota que mesmo fatigado da busca, decepcionado com a perda de sua querida ovelhinha, e sem certezas de que tornará a vê-la, ele persiste em ser pastor acolhedor a toda criatura que cruze seu caminho? Você enxerga que este pastor não se ocupa das próprias lágrimas, mas persegue com teimosia um alvo, sem jamais duvidar de sua capacidade de amar, sem questionar se vale a pena tamanha jornada pedregosa por causa de uma simples ovelha?
Olhe para sua vida e pense nas coisas que você perdeu. Talvez você saiba exatamente o que faz falta, a saudade precisa do que um dia foi tão seu, tão você, a dor de uma ausência bem conhecida: algo que se perdeu de dentro de você. Talvez você nem tenha parado para se dar conta das perdas que carrega como fardo vida afora. Algumas pessoas preferem não pensar muito na forma como perderam a pureza ingênua, a esperança de melhorar as coisas erradas ao redor ou em si mesmo, a capacidade de amar e confiar sinceramente no ser humano, até mesmo a crença num Deus presente e amoroso e num novo mundo transformado, muito embora essas perdas se acumulem formando rugas no espírito de quem as leva.
O que eu desejo para mim e para todos aqueles que sofreram grandes perdas e decepções, é que assumam a postura daquele pastor. Não desistir de ir atrás do que se perdeu. Se isso lhe pertencia, era parte de você, então é extremamente precioso e deve voltar ao seu verdadeiro lugar. Não podemos nos sentir felizes se estamos incompletos, portanto continue procurando o amor, a amizade, a confiança, a fé, a crença. Se você fizer isso, vai estar você mesmo voltando para o seu verdadeiro lugar, pois o caminho pedregoso dos que lutam por reconquistar a felicidade, vai dar na Nova Terra, onde finalmente encontraremos tudo que um dia fomos, e que se perdeu nesses milênios de pecado.
Continue buscando. E não siga cabisbaixo e murmurante, não se isole no vale de sua dor; vá oferecendo amor e sorrisos a todos que cruzarem seu caminho. Enquanto procura sua ovelha perdida, dê o abrigo de seus braços aos que seguem cansados e oprimidos, seja alívio e descanso para os outros que estão perdidos. Você estará recuperando muitas ovelhas preciosas que a humanidade perdeu. Seja manso e humilde de coração, e você já terá achado algo muito importante: companhia para dividir o peso do jugo, e ajuda para buscar e comemorar a volta da sua ovelhinha.
Uma semana cheia dessa melodia luminosa,
Luna
sábado, 31 de janeiro de 2009
Um Deus belo
Já que faltei o ensaio do coro hoje à tarde vou me permitir escrever outro texto longo, sem pressa de acabar, hehehe... passei a semana numa secura terrível para escrever, então quero muito escrever e escrever muito. Meus seis leitores hão de me perdoar. Em nome de Proust, eu vos peço. Há tempos venho precisando expressar tudo vai abaixo.
A grande sacada de Alain de Botton é justamente não vincular o "viver melhor" com a ausência de sofrimento. Tanto que um dos capítulos do livro chama-se "como sofrer com sucesso". O que gostei no livro foi essa riqueza de perspectivas, que, por sua vez, ele aponta em Proust. No capítulo "Como abrir seus olhos", observamos ele sugere que a leitura que Proust fazia do mundo e repassava em seus livros era a de um detalhista que sabia apreciar a beleza real de todas as coisas, seja a de um palácio, seja a de uma fruta comum sobre a mesa. E não havia hierarquia nessa beleza, cada uma era bela ao seu modo, e seu valor estético particular não era par aser comprado, apenas percebido. Se alguém conseguisse, no entanto, perceber a beleza de uma maçã sobre a mesa, seria dotado de uma capacidade muito mais apurada para admirar a beleza do palácio, não com frases feitas como "que lindo!", ou "tão grandioso!", que só denotam uma idéia pobre e pré-concebida de beleza, baseada muito mais no valor material que estético. Só alguém que conseguisse olhar com espanto para a descoberta da beleza numa cena comum cotidiana poderia encontrar a verdadeira beleza numa lua cheia, tão evidente, mas tão desgastada por poemas e adjetivos óbvios.
Esta reflexão me fez pensar em Deus porque, acredito, a procura por Deus é também uma procura pelo Belo. Não à toa a li no blog Outra Música uma citação de Jonathan Safran Foer que dizia "Nada é bonito e verdadeiro." Aqui entre humanos os momentos de beleza são raros e fugidios. A busca por Deus é, também, uma busca para perpetuar o extraordinário. A perfeição absoluta, caraterística que cremos ser somenteo divina, tem muito a ver com a beleza absoluta, uma vez que Belo e Bem são sempre postos juntos em nossas concepções. Tanto que demoramos a perceber o Mal quanto este se recobre de beleza. O Belo nos encanta, portanto consegue alterar nossa capacidade de julgamento. E é bem aqui neste ponto que eu fiquei matutando sobre uma contradição que, volta e meia, volta à baila no meio cristão.
O conceito de beleza tem algo de intuitivo e universal. Mas também é construído, recebe influência da educação, cultura, preconceitos e experiências pessoais que vivenciamos. E muito embora nem sempre sejamos capazes de dizer - ou interessados em descobrir - o porquê de algo nos parecer belo, utilizamos alguns critérios objetivos para aferir essa beleza. Gosto de música barroca, admiro homens de voz grave, aprecio pintura simbolista . Dentro dessas categorias ainda posso restringir-me mais e dizer que amo a beleza da música de Handel, da voz do meu marido e dos quadros de Gustav Klimt. No entanto, certo dia, durante uma aula de Fundamentos da Construção Musical na faculdade, ouvi uma música dodecafônica de Ernest Krenek, que me tocou profundamente. Em outra época eu teria ficado indiferente, como normalmente sou indiferente a qualquer música atonal. Mas naquele momento da minha vida em especial, aquela música pareceu traduzir tão bem o que eu sentia que me pareceu... confortadora. E bela. Por outro lado, embora a voz de Cid Moreira seja o ícone de todas as vozes graves e másculas, eu me dinto uto incomodada ao ouví-lo. E mesmo sem serem exatamente simbolistas, os rascunhos que meu filho faz com giz de cera me parecem obras de uma beleza comparável a qualquer quadro do Louvre. É por ser construída que a beleza não se restringe, porque ela se comunica com a experiência, e a sensibilidade para ela cresce à medida que nos permitimos reconhecê-la fora dos padrões que traçamos objetivamente.
Acontece que quando Beleza e Religião se misturam, a experiência com o Belo fica comprometida. Na história humana SEMPRE existiu alguém numa posição dominante, imposta ou delegada, que ditou o quanto de Bem pode haver no Belo e vice-versa. Por isso de vez em quando um mesmo discurso se este de roupagem nova e reaparece no círculo religioso: esses são os sons que devemos ouvir, essas são as coisas que nossos olhos devem ver. Embora a beleza possa ser apreendida com todos os sentidos, são olhos e ouvidos os sentidos mais focados. E aprisionados. É como se Deus, de repente, pudesse ser objetivado em critérios facilmente consultáveis a partir da experiência de um único ser humano, tomado como padrão de julgamento para toda uma massa que se sente mais segura em seguí-lo que pensar, criticar e escolher a partir de suas próprias experiências vividas ou percebidas.
Digo percebidas porque não temos necessariamente que errar para aprender, mas mesmo a percepção do exemplo a ser seguido deve ser uma experiência pessoal, caso contrário não será significativa. A grande falha do discurso de quem quer "preservar" nossos sentidos, é que ele é contraditório. Tem a boa intenção de querer nos alertar para a pureza dos sentidos como meio de achegarmo-nos a Deus, mas impõe sua própria concepção do que é puro e bom a qualquer outra experiência, e com isso restringe os meios pelos quais Deus pode se comunicar com sus criaturas. Sentidos que não são utilizados com sabedoria - esse deveria ser o foco de nossas preocupações - atrofiam como músculos que permanecem numa única posição a vida toda. Nenhum cordeiro atrofiado seria oferecido a Deus como sacrifício santo e agradável, já dizia o levítico.
É sábido que na nossa literatura eclesiástica já houve até a muito bem intencionada iniciativa de dizer quais os padrões rítmicos, fórmulas de compassos ou andamentos que caracterizariam a música própria para adorar a Deus. Mas será que a experiência desse autor com o Belo digno de ser ofertado a Deus invalida a experiência de um adorador que encontrou verdadeiramente a beleza da voz de Deus numa música sincopada? Se objetivarmos experiências como essa e a tomarmos como padrão, não estaremos afastando a possibilidade de alguém que cresceu, por exemplo, em meio a uma cultura onde a música segue padrões rítmicos bem diferentes dos europeus-luteranos, possa ter sua própria experiência bela e verdadeira com Deus? Sendo que a beleza divina que alguém experimentou em sua religiosidade é capaz de alterar seu julgamento racional, seria justo diminuir a experiência do outro porque ela não partiu de elementos racionais, mas emocionais? Impor nossa experiência a essa pessoa como o melhor caminho para chegar a Deus não seria tirar de Deus a prerrogativa de ser O caminho?
Tomando ainda a música como exemplo (que é com o que estou mais familiarizada), não é preciso ter nenhuma formação em psicologia para descobrir logo que muitas pessoas que defendem que na música sacra não deve predominar o elemento ritmico, têm suas dificuldades pessoais com esse elemento. Não há nada na Bíblia que diga que o ritmo é um elemento musical demoníaco, e que os instrumentos musicais que o exploram foram criados por Satanás. Muito embora muito se tenha argumentado para diminuir a relevância da experiênia rítmica na adoração, o que de fato o faz ser alvo de tantas críticas é a forma como ele mexe com nossos instintos. O ritmo, por estar organicamente associado a nossas experiências mais primitivas (desde o bater do coração no ventre da mãe), tem certo poder para tirar nossa mente de controle e deixar fluir emoções. Acontece que nem todo mundo gosta dessa sensação. Há pessoas que gostam de ter o total controle sobre suas emoções e se julgam mesmo pessoas adultas e equilibradas pela capacidade de manter bem represadas quaisquer expressões de sentimento. Elas têm medo de sentir. E isso tem a ver com suas experiências de vida. Podem ter sido (des)educadas assim. E acham, sinceramente, que a beleza a ser direcionada a Deus tem que ser uma beleza cartesiana, racional. Citam Paulo (Romanos 12: 1) para que apresentemos nossos corpos em sacrifício como culto racional (cordeiros atrofiados?), falam de ordem e decência como se o sentimento humano fossem indecente e necessariamente desordenado. Crêem que na razão está a pureza dos sentidos. E não estão erradas sob seu ponto-de-vista, ainda que Paulo não tenha em momento algum desaconselhado a expressão das emoções, antes até a recomendado (Romanos 12: 10 - 15). O medo das emoções quase sempre tem a ver com incapacidade de entrega, e como podemos ter uma relação saudável com Deus sem entrega? Como podemos experimentar Sua Beleza apenas por critérios racionais, sem ter contato como extraodinário? Eu prefiro pensar que essas pessoas, tanto as que se postam como porta-vozes da vontade de Deus como as que as seguem, querem que seus padrões sejam imitados porque elas acham que assim estarão proporcionando aos seus irmãos a mesma experiência com Deus que vivenciaram em suas vidas.
O problema é que nem sempre dessa boa-vontade decorre bênção. Às vezes decorre pura s imples presunção. E para outras pessoas, que não conseguem se encaixar nas fôrmas apertadas que foram moldadas noutra experiência de vida, decorre frustração e afastamento de Deus. Quantos jovens eu vi se auto-flagelando com penúria medieval para tentar caber nessas fôrmas. Quanto sentimento de culpa eu e tantos outros carregamos tanto tempo por nao conseguirmos entrar na capa de bom cristão que foi costurada num modelo de perfeição que jamais conseguiríamos ser. No entanto "Jesus procurava um caminho para cada coração" (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 21), e falou de maneiras diferentes a pessoas diferentes, respeitando a experiência de cada uma. Ainda hoje Jesus busca muitos caminhos para chegar-se a nós, mas - eis de novo a contradição - nossos sentidos que deveriam estar preservados, encontram-se muitas vezes atrofiados. E deixamos de escutá-lo tantas vezes por puro preconceito. Mais que isso, podemos perturbar a adoração de alguém ao invés de incentivá-la, quando ditamos as formas e ritos para ela chegar-se ao Grande "Vinde a Mim". Eu lembro das perguntas que Deus fez a Jó quando este, em seu desespero, tentava compreender as atitudes de Deus através de sua minúscula experiência humana: "Onde estava tu quando eu fundava a Terra? Dize-me se tens inteligência! Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?" (Jó 38:4 e 5). Quando eu vejo alguém deixando de adorar a Deus por não conseguir ouvi-lo pelos critérios dos outros sinto-me tentada a perguntar aos que ditaram esses critérios: "Onde você estava quando Deus criou a música? Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?"
Sei que os bem intencionados não conseguem ver assim porque acreditam que seus critérios estão fundados na Bíblia, e a verdade seria uma só, então todos os outros que não concordam com eles estariam enganados. Mas mais uma vez roubamos de Cristo uma prerrogativa: a de Ele ser A Verdade. As pessoas que perderam a capacidade de renovar sua experiência com Deus só conseguem entrevê-lo em reviver experiências passadas. Assim, essas pessoas até se emocionam, mas dentro do terreno seguro do que já é conhecido. São capazes de demosntrar grande euforia quando encontram alguém que ratifica, sob nova roupagem, os mesmos caminhos já pisados onde uma vez encontraram a Deus - e onde tentaram O aprisionar. Seria esmagador para essas pessoas pensar que Deus pode habitar fora dos seus limites controláveis. A presunção decorre justamente do medo de acreditar que alguém pode encontrar a Deus de outra forma senão aquela, sacra por excelência, devidamente fundamentada em padrões bíblicos convenientes. Dessa forma, a religião engessada em critérios objetivos não eleva no sentido de não proporcionar experiências confrontadoras, apenas confortadoras. E no conforto não há transformação, fundamento da conversão. Mesmo a mais bem intencionadas das pessoas que foca o seu discurso no controle dos sentidos está sujeita a ver seu discurso ser mal interpretado e aplicado como mais uma fôrma ao invés de um estímulo para chegar mais perto de Deus. E isso ocorre porque muitas pessoas que o ouvem não querem se dar ao trabalho (e isso posso durar uma vida inteira) de chegar-se por si próprio perto de Deus, então tentam se apoderar da experiência já vivida pelo dono do discurso, da espiritualidade do outro, da religião do outro, e para tanto utiliza os elementos objetivos do dicurso como um check list, um guia fácil para sentir-se tão espiritual quanto quem proferiu seu testemunho. Não há transformação pela experiência alheia, no máximo uma indicação a ser considerada enquanto se trilha o próprio caminho. SE eu for para o deserto coberta de peles de animais e passar a comer gafanhotos e mel isso não fará de mim uma pessoa com a espiritualidade de João Batista. Da experiência dEle eu só posso aproveitar em minha conversão os elementos que me levem para mais perto do Seu Deus ( e essa era sua clara intenção). Quando Paulo disse "Sê-de meus imitadores", completou a frase com um "como eu sou de Cristo"(I Cor. 11:1), mostrando que não pretendia criar um grupo de evangelistas fazedores de tendas, mas fazer as pessoas focarem no ponto-chave de seu discurso: Jesus, o único modelo digno de ser imitado. Regras que foquem no comportamento humano e não sejam fortemente iluminadas pelos princípios que as fundamentam, são como mel e gafanhotos nas mãos de atores interessados em uma boa atuação. E os pés dos cristãos são aqueles que se ferem e calejam ao andar sobre a Rocha, não os pés que desfilam graciosos sobre palcos. E para levar-nos à Rocha, Deus pode falar a seus filhos de maneiras muito mais abrangentes que por um punhado de formas institucionalizadas.
Alguma dessas pessoas pode refutar: "Bem, Deus pode usar tudo mesmo como meio de falar aos corações. Pode usar pedras. Isso não significa que vamos utilizar nossos dízimos para comprar pedras e enviá-las às nações a fim de anunciar o evangelho." É uma típica atitude de medo ridicularizar a experiência alheia. Um jovem que se sentiu tocado por Cristo enquanto vomitava na sarjeta após uma noite de bebedeira não pode ser encorajado a ter mais noites de bebedeira para tornar a encontrar a Cristo. Mas nós também não podemos dizer que daquele dia em diante Cristo só estará disponível para ele na igreja X, a partir das X horas, se eles estiver vestido de X maneira e cantando o hino X. O caminho da conversão passa por muitas experiências com a beleza e graça divina, mas não consigo reconhecer, nem na minha nem na de outros cristãos, um padrão estritamente objetivo que possa emoldurar a experiência de todos os cristãos. Se Deus usou uma sarjeta para falar a alguém, porque ele não pode usar um livro de literatura, um pôr-do-sol, um sorriso, a frase despretensiosa de um cobrador no ônibus, uma música muito feia e muito pobre mas que naquele momento falou exatamente o que eu precisava ouvir para me voltar para Deus?
Vejam só que paradoxo: eu que sou capaz de admirar tão bem o palácio de uma cantata de Bach ricamente construída, posso ainda me comover com a beleza simples mas igualente verdadeira de uma música tola? Ou guardei Deus só para as coisas grandes, deixando de apreciar sua revelação em tudo o mais ao meu redor? Se sim, cresci com isso ou apenas utilizei meu intelecto desenvolvido para empobrecer meu espírito? Ao ler a Bíblia consigo ver um Deus pedindo algo a seus filhos, mas o que Ele pede me parece ser masi algo direcionado aos outros que a nós mesmos. Ele nos pede serviço, missão. E ao cobrador de impostos que vivia de regular por leis humanas a vida alheia ele disse simplesmente: "Segue-me!"
Não quero parecer anarquista. Meu questionamento às regras não diminui a grandeza dos princípios. Não é isso que ensinamos nos estudos bíblicos quando vamos falar sobre a Lei de Deus? Dizemos que é uma lei moral. E o que é uma Lei Moral? É uma Lei atemporal, regida por princípios aplicáveis a qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais se restringindo a parâmetros humanos, mas atravesando séculos por seu poder imutavelmente transformador. A Lei é, por isso, a revelação do caráter de Deus (EGW, O Grande Conflito, p. 467). Um Deus que se revela por princípios não pode ser aprisonado em regras quase sempre feitas para dar mais segurança - ou comodidade - aos homens. Se somos um povo que defende a validade do decálogo como Lei Moral, deveríamos ser um povo que falasse menos sobre regras e mais sobre princípios. Mais que isso, um povo que vivesse por princípios. Que soubesse utilizar-se desses princípios para ver tudo e reter o que fosse bom. Para estar aberto a revelação de Deus nas coisas elaboradas e simples, naquelas que são do nosso gosto e que o contrariam, nas praxes eclesiásticas e nos elementos do dia-a-dia.
Este texto não é um manifesto contra todas as regras sobre louvor, adoração e vida eclesiástica. Há regras boas, que edificam, que nos aproximam dos princípios. Mas só fazem isso quando são pensadas, não só por quem as fez, mas por quem as pratica. E se elas não cabem dentro da minha experiência de vida não têm que ser vestidas com o sufoco de uma roupa cinco números menor só para eu parecer igual a todos os demais. Roupas apertadas não vão preservar meu corpo. A consciência do meu corpo sim, vai me permitir experimentar o que lhe convém ou não. Creio ser assim com o espírito também. Utilizar-me das bem intencionadas regras de vida de alguém que encontrou a Deus por certo caminho pode não ser, para mim, uma experiência que também me aproxime de Deus. Para que isso ocorra tenho que estar atenta e aberta a Sua voz, que às vezes virá suave, às vezes desafiadora.
Regras podem me dar a sensação que estou fazendo tudo ceto por isso mereço a benevolência divina. Princípios nos obrigam a (re)pensar, a sentir, e com isso reconhecer a manifestação da Graça em nossas vidas. O exercício de procurar a beleza divina no improvável pode nos fazer aprender muito sobre o método de Cristo para chegar aos corações e deixar que Ele mesmo entre nos nossos. Este texto, é, portanto, um pedido a todos os nossos bem intencionados irmãos que querem nos fazer viver em maravilhosos palácios de sacralidade: a despeito de terem encontrado Deus no lugar onde estão, não desvalorizem a experiência daqueles que O encontraram numa maçã sobre a mesa. Não há experiências menores quando se trata de experiências com Deus, todas elas são grandiosas. Observar como as sementes da maçã germinam e se erguem em ramos por todos os lados, mas sempre para cima, em busca de um sol onipresente pode ser um bom começo para ver, além da sua velha experiência com a beleza, a manifestação de um Deus belo.
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Por estes dias terminei de ler um livro de Alain de Botton sobre Allan Proust. O segundo é afamado escritor francês que esculpiu a obra "Em busca do Tempo perdido" e que é também venerado por oito em cada dez escritores ou aspirantes a tal. Mesmo que só dois em dez tenham conseguido chegar ao final do sétimo livro. E entre os aspirantes que penduraram as sandálias, eu me incluo. Já no primeiro livro achei a escrita de Proust fascinante, mas muito densa, ´difícil de digerir, o que me fazia ficar dias em única página, refletindo sobre o que o autor quis dizer com aquele pensamento, que sentimento pôs por trás da descrição daquela personagem ou daquele bolinho, ou como ficaria aquela frase de dezenove linhas se dividida em períodos curtos e sem hipérbatos. E Alain de Botton é um escritor que, sem escrever nem uma biografia, nem uma crítica literária, nem um compêndio de auto-ajuda, conseguiu trazer Proust para mais perto de nós, e analisar algumas caraterísticas de sua vida e escrita sob um ponto de vista prático: como isso pode me ajudar a viver melhor?A grande sacada de Alain de Botton é justamente não vincular o "viver melhor" com a ausência de sofrimento. Tanto que um dos capítulos do livro chama-se "como sofrer com sucesso". O que gostei no livro foi essa riqueza de perspectivas, que, por sua vez, ele aponta em Proust. No capítulo "Como abrir seus olhos", observamos ele sugere que a leitura que Proust fazia do mundo e repassava em seus livros era a de um detalhista que sabia apreciar a beleza real de todas as coisas, seja a de um palácio, seja a de uma fruta comum sobre a mesa. E não havia hierarquia nessa beleza, cada uma era bela ao seu modo, e seu valor estético particular não era par aser comprado, apenas percebido. Se alguém conseguisse, no entanto, perceber a beleza de uma maçã sobre a mesa, seria dotado de uma capacidade muito mais apurada para admirar a beleza do palácio, não com frases feitas como "que lindo!", ou "tão grandioso!", que só denotam uma idéia pobre e pré-concebida de beleza, baseada muito mais no valor material que estético. Só alguém que conseguisse olhar com espanto para a descoberta da beleza numa cena comum cotidiana poderia encontrar a verdadeira beleza numa lua cheia, tão evidente, mas tão desgastada por poemas e adjetivos óbvios.
Esta reflexão me fez pensar em Deus porque, acredito, a procura por Deus é também uma procura pelo Belo. Não à toa a li no blog Outra Música uma citação de Jonathan Safran Foer que dizia "Nada é bonito e verdadeiro." Aqui entre humanos os momentos de beleza são raros e fugidios. A busca por Deus é, também, uma busca para perpetuar o extraordinário. A perfeição absoluta, caraterística que cremos ser somenteo divina, tem muito a ver com a beleza absoluta, uma vez que Belo e Bem são sempre postos juntos em nossas concepções. Tanto que demoramos a perceber o Mal quanto este se recobre de beleza. O Belo nos encanta, portanto consegue alterar nossa capacidade de julgamento. E é bem aqui neste ponto que eu fiquei matutando sobre uma contradição que, volta e meia, volta à baila no meio cristão.
O conceito de beleza tem algo de intuitivo e universal. Mas também é construído, recebe influência da educação, cultura, preconceitos e experiências pessoais que vivenciamos. E muito embora nem sempre sejamos capazes de dizer - ou interessados em descobrir - o porquê de algo nos parecer belo, utilizamos alguns critérios objetivos para aferir essa beleza. Gosto de música barroca, admiro homens de voz grave, aprecio pintura simbolista . Dentro dessas categorias ainda posso restringir-me mais e dizer que amo a beleza da música de Handel, da voz do meu marido e dos quadros de Gustav Klimt. No entanto, certo dia, durante uma aula de Fundamentos da Construção Musical na faculdade, ouvi uma música dodecafônica de Ernest Krenek, que me tocou profundamente. Em outra época eu teria ficado indiferente, como normalmente sou indiferente a qualquer música atonal. Mas naquele momento da minha vida em especial, aquela música pareceu traduzir tão bem o que eu sentia que me pareceu... confortadora. E bela. Por outro lado, embora a voz de Cid Moreira seja o ícone de todas as vozes graves e másculas, eu me dinto uto incomodada ao ouví-lo. E mesmo sem serem exatamente simbolistas, os rascunhos que meu filho faz com giz de cera me parecem obras de uma beleza comparável a qualquer quadro do Louvre. É por ser construída que a beleza não se restringe, porque ela se comunica com a experiência, e a sensibilidade para ela cresce à medida que nos permitimos reconhecê-la fora dos padrões que traçamos objetivamente.
Acontece que quando Beleza e Religião se misturam, a experiência com o Belo fica comprometida. Na história humana SEMPRE existiu alguém numa posição dominante, imposta ou delegada, que ditou o quanto de Bem pode haver no Belo e vice-versa. Por isso de vez em quando um mesmo discurso se este de roupagem nova e reaparece no círculo religioso: esses são os sons que devemos ouvir, essas são as coisas que nossos olhos devem ver. Embora a beleza possa ser apreendida com todos os sentidos, são olhos e ouvidos os sentidos mais focados. E aprisionados. É como se Deus, de repente, pudesse ser objetivado em critérios facilmente consultáveis a partir da experiência de um único ser humano, tomado como padrão de julgamento para toda uma massa que se sente mais segura em seguí-lo que pensar, criticar e escolher a partir de suas próprias experiências vividas ou percebidas.
Digo percebidas porque não temos necessariamente que errar para aprender, mas mesmo a percepção do exemplo a ser seguido deve ser uma experiência pessoal, caso contrário não será significativa. A grande falha do discurso de quem quer "preservar" nossos sentidos, é que ele é contraditório. Tem a boa intenção de querer nos alertar para a pureza dos sentidos como meio de achegarmo-nos a Deus, mas impõe sua própria concepção do que é puro e bom a qualquer outra experiência, e com isso restringe os meios pelos quais Deus pode se comunicar com sus criaturas. Sentidos que não são utilizados com sabedoria - esse deveria ser o foco de nossas preocupações - atrofiam como músculos que permanecem numa única posição a vida toda. Nenhum cordeiro atrofiado seria oferecido a Deus como sacrifício santo e agradável, já dizia o levítico.
É sábido que na nossa literatura eclesiástica já houve até a muito bem intencionada iniciativa de dizer quais os padrões rítmicos, fórmulas de compassos ou andamentos que caracterizariam a música própria para adorar a Deus. Mas será que a experiência desse autor com o Belo digno de ser ofertado a Deus invalida a experiência de um adorador que encontrou verdadeiramente a beleza da voz de Deus numa música sincopada? Se objetivarmos experiências como essa e a tomarmos como padrão, não estaremos afastando a possibilidade de alguém que cresceu, por exemplo, em meio a uma cultura onde a música segue padrões rítmicos bem diferentes dos europeus-luteranos, possa ter sua própria experiência bela e verdadeira com Deus? Sendo que a beleza divina que alguém experimentou em sua religiosidade é capaz de alterar seu julgamento racional, seria justo diminuir a experiência do outro porque ela não partiu de elementos racionais, mas emocionais? Impor nossa experiência a essa pessoa como o melhor caminho para chegar a Deus não seria tirar de Deus a prerrogativa de ser O caminho?
Tomando ainda a música como exemplo (que é com o que estou mais familiarizada), não é preciso ter nenhuma formação em psicologia para descobrir logo que muitas pessoas que defendem que na música sacra não deve predominar o elemento ritmico, têm suas dificuldades pessoais com esse elemento. Não há nada na Bíblia que diga que o ritmo é um elemento musical demoníaco, e que os instrumentos musicais que o exploram foram criados por Satanás. Muito embora muito se tenha argumentado para diminuir a relevância da experiênia rítmica na adoração, o que de fato o faz ser alvo de tantas críticas é a forma como ele mexe com nossos instintos. O ritmo, por estar organicamente associado a nossas experiências mais primitivas (desde o bater do coração no ventre da mãe), tem certo poder para tirar nossa mente de controle e deixar fluir emoções. Acontece que nem todo mundo gosta dessa sensação. Há pessoas que gostam de ter o total controle sobre suas emoções e se julgam mesmo pessoas adultas e equilibradas pela capacidade de manter bem represadas quaisquer expressões de sentimento. Elas têm medo de sentir. E isso tem a ver com suas experiências de vida. Podem ter sido (des)educadas assim. E acham, sinceramente, que a beleza a ser direcionada a Deus tem que ser uma beleza cartesiana, racional. Citam Paulo (Romanos 12: 1) para que apresentemos nossos corpos em sacrifício como culto racional (cordeiros atrofiados?), falam de ordem e decência como se o sentimento humano fossem indecente e necessariamente desordenado. Crêem que na razão está a pureza dos sentidos. E não estão erradas sob seu ponto-de-vista, ainda que Paulo não tenha em momento algum desaconselhado a expressão das emoções, antes até a recomendado (Romanos 12: 10 - 15). O medo das emoções quase sempre tem a ver com incapacidade de entrega, e como podemos ter uma relação saudável com Deus sem entrega? Como podemos experimentar Sua Beleza apenas por critérios racionais, sem ter contato como extraodinário? Eu prefiro pensar que essas pessoas, tanto as que se postam como porta-vozes da vontade de Deus como as que as seguem, querem que seus padrões sejam imitados porque elas acham que assim estarão proporcionando aos seus irmãos a mesma experiência com Deus que vivenciaram em suas vidas.
O problema é que nem sempre dessa boa-vontade decorre bênção. Às vezes decorre pura s imples presunção. E para outras pessoas, que não conseguem se encaixar nas fôrmas apertadas que foram moldadas noutra experiência de vida, decorre frustração e afastamento de Deus. Quantos jovens eu vi se auto-flagelando com penúria medieval para tentar caber nessas fôrmas. Quanto sentimento de culpa eu e tantos outros carregamos tanto tempo por nao conseguirmos entrar na capa de bom cristão que foi costurada num modelo de perfeição que jamais conseguiríamos ser. No entanto "Jesus procurava um caminho para cada coração" (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 21), e falou de maneiras diferentes a pessoas diferentes, respeitando a experiência de cada uma. Ainda hoje Jesus busca muitos caminhos para chegar-se a nós, mas - eis de novo a contradição - nossos sentidos que deveriam estar preservados, encontram-se muitas vezes atrofiados. E deixamos de escutá-lo tantas vezes por puro preconceito. Mais que isso, podemos perturbar a adoração de alguém ao invés de incentivá-la, quando ditamos as formas e ritos para ela chegar-se ao Grande "Vinde a Mim". Eu lembro das perguntas que Deus fez a Jó quando este, em seu desespero, tentava compreender as atitudes de Deus através de sua minúscula experiência humana: "Onde estava tu quando eu fundava a Terra? Dize-me se tens inteligência! Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?" (Jó 38:4 e 5). Quando eu vejo alguém deixando de adorar a Deus por não conseguir ouvi-lo pelos critérios dos outros sinto-me tentada a perguntar aos que ditaram esses critérios: "Onde você estava quando Deus criou a música? Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?"
Sei que os bem intencionados não conseguem ver assim porque acreditam que seus critérios estão fundados na Bíblia, e a verdade seria uma só, então todos os outros que não concordam com eles estariam enganados. Mas mais uma vez roubamos de Cristo uma prerrogativa: a de Ele ser A Verdade. As pessoas que perderam a capacidade de renovar sua experiência com Deus só conseguem entrevê-lo em reviver experiências passadas. Assim, essas pessoas até se emocionam, mas dentro do terreno seguro do que já é conhecido. São capazes de demosntrar grande euforia quando encontram alguém que ratifica, sob nova roupagem, os mesmos caminhos já pisados onde uma vez encontraram a Deus - e onde tentaram O aprisionar. Seria esmagador para essas pessoas pensar que Deus pode habitar fora dos seus limites controláveis. A presunção decorre justamente do medo de acreditar que alguém pode encontrar a Deus de outra forma senão aquela, sacra por excelência, devidamente fundamentada em padrões bíblicos convenientes. Dessa forma, a religião engessada em critérios objetivos não eleva no sentido de não proporcionar experiências confrontadoras, apenas confortadoras. E no conforto não há transformação, fundamento da conversão. Mesmo a mais bem intencionadas das pessoas que foca o seu discurso no controle dos sentidos está sujeita a ver seu discurso ser mal interpretado e aplicado como mais uma fôrma ao invés de um estímulo para chegar mais perto de Deus. E isso ocorre porque muitas pessoas que o ouvem não querem se dar ao trabalho (e isso posso durar uma vida inteira) de chegar-se por si próprio perto de Deus, então tentam se apoderar da experiência já vivida pelo dono do discurso, da espiritualidade do outro, da religião do outro, e para tanto utiliza os elementos objetivos do dicurso como um check list, um guia fácil para sentir-se tão espiritual quanto quem proferiu seu testemunho. Não há transformação pela experiência alheia, no máximo uma indicação a ser considerada enquanto se trilha o próprio caminho. SE eu for para o deserto coberta de peles de animais e passar a comer gafanhotos e mel isso não fará de mim uma pessoa com a espiritualidade de João Batista. Da experiência dEle eu só posso aproveitar em minha conversão os elementos que me levem para mais perto do Seu Deus ( e essa era sua clara intenção). Quando Paulo disse "Sê-de meus imitadores", completou a frase com um "como eu sou de Cristo"(I Cor. 11:1), mostrando que não pretendia criar um grupo de evangelistas fazedores de tendas, mas fazer as pessoas focarem no ponto-chave de seu discurso: Jesus, o único modelo digno de ser imitado. Regras que foquem no comportamento humano e não sejam fortemente iluminadas pelos princípios que as fundamentam, são como mel e gafanhotos nas mãos de atores interessados em uma boa atuação. E os pés dos cristãos são aqueles que se ferem e calejam ao andar sobre a Rocha, não os pés que desfilam graciosos sobre palcos. E para levar-nos à Rocha, Deus pode falar a seus filhos de maneiras muito mais abrangentes que por um punhado de formas institucionalizadas.
Alguma dessas pessoas pode refutar: "Bem, Deus pode usar tudo mesmo como meio de falar aos corações. Pode usar pedras. Isso não significa que vamos utilizar nossos dízimos para comprar pedras e enviá-las às nações a fim de anunciar o evangelho." É uma típica atitude de medo ridicularizar a experiência alheia. Um jovem que se sentiu tocado por Cristo enquanto vomitava na sarjeta após uma noite de bebedeira não pode ser encorajado a ter mais noites de bebedeira para tornar a encontrar a Cristo. Mas nós também não podemos dizer que daquele dia em diante Cristo só estará disponível para ele na igreja X, a partir das X horas, se eles estiver vestido de X maneira e cantando o hino X. O caminho da conversão passa por muitas experiências com a beleza e graça divina, mas não consigo reconhecer, nem na minha nem na de outros cristãos, um padrão estritamente objetivo que possa emoldurar a experiência de todos os cristãos. Se Deus usou uma sarjeta para falar a alguém, porque ele não pode usar um livro de literatura, um pôr-do-sol, um sorriso, a frase despretensiosa de um cobrador no ônibus, uma música muito feia e muito pobre mas que naquele momento falou exatamente o que eu precisava ouvir para me voltar para Deus?
Vejam só que paradoxo: eu que sou capaz de admirar tão bem o palácio de uma cantata de Bach ricamente construída, posso ainda me comover com a beleza simples mas igualente verdadeira de uma música tola? Ou guardei Deus só para as coisas grandes, deixando de apreciar sua revelação em tudo o mais ao meu redor? Se sim, cresci com isso ou apenas utilizei meu intelecto desenvolvido para empobrecer meu espírito? Ao ler a Bíblia consigo ver um Deus pedindo algo a seus filhos, mas o que Ele pede me parece ser masi algo direcionado aos outros que a nós mesmos. Ele nos pede serviço, missão. E ao cobrador de impostos que vivia de regular por leis humanas a vida alheia ele disse simplesmente: "Segue-me!"
Não quero parecer anarquista. Meu questionamento às regras não diminui a grandeza dos princípios. Não é isso que ensinamos nos estudos bíblicos quando vamos falar sobre a Lei de Deus? Dizemos que é uma lei moral. E o que é uma Lei Moral? É uma Lei atemporal, regida por princípios aplicáveis a qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais se restringindo a parâmetros humanos, mas atravesando séculos por seu poder imutavelmente transformador. A Lei é, por isso, a revelação do caráter de Deus (EGW, O Grande Conflito, p. 467). Um Deus que se revela por princípios não pode ser aprisonado em regras quase sempre feitas para dar mais segurança - ou comodidade - aos homens. Se somos um povo que defende a validade do decálogo como Lei Moral, deveríamos ser um povo que falasse menos sobre regras e mais sobre princípios. Mais que isso, um povo que vivesse por princípios. Que soubesse utilizar-se desses princípios para ver tudo e reter o que fosse bom. Para estar aberto a revelação de Deus nas coisas elaboradas e simples, naquelas que são do nosso gosto e que o contrariam, nas praxes eclesiásticas e nos elementos do dia-a-dia.
Este texto não é um manifesto contra todas as regras sobre louvor, adoração e vida eclesiástica. Há regras boas, que edificam, que nos aproximam dos princípios. Mas só fazem isso quando são pensadas, não só por quem as fez, mas por quem as pratica. E se elas não cabem dentro da minha experiência de vida não têm que ser vestidas com o sufoco de uma roupa cinco números menor só para eu parecer igual a todos os demais. Roupas apertadas não vão preservar meu corpo. A consciência do meu corpo sim, vai me permitir experimentar o que lhe convém ou não. Creio ser assim com o espírito também. Utilizar-me das bem intencionadas regras de vida de alguém que encontrou a Deus por certo caminho pode não ser, para mim, uma experiência que também me aproxime de Deus. Para que isso ocorra tenho que estar atenta e aberta a Sua voz, que às vezes virá suave, às vezes desafiadora.
Regras podem me dar a sensação que estou fazendo tudo ceto por isso mereço a benevolência divina. Princípios nos obrigam a (re)pensar, a sentir, e com isso reconhecer a manifestação da Graça em nossas vidas. O exercício de procurar a beleza divina no improvável pode nos fazer aprender muito sobre o método de Cristo para chegar aos corações e deixar que Ele mesmo entre nos nossos. Este texto, é, portanto, um pedido a todos os nossos bem intencionados irmãos que querem nos fazer viver em maravilhosos palácios de sacralidade: a despeito de terem encontrado Deus no lugar onde estão, não desvalorizem a experiência daqueles que O encontraram numa maçã sobre a mesa. Não há experiências menores quando se trata de experiências com Deus, todas elas são grandiosas. Observar como as sementes da maçã germinam e se erguem em ramos por todos os lados, mas sempre para cima, em busca de um sol onipresente pode ser um bom começo para ver, além da sua velha experiência com a beleza, a manifestação de um Deus belo.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Ele não desiste
E não me refiro a Deus, no momento.
Mal comecei a reorganizar minha vida devocional e já sinto a correnteza contra mim.
Desde coisas grandes, envolvendo decisões que podem mudar radicalmente a vida, até coisas pequenas como um computador que insiste em aparecer com todos os defeitos do mundo bem na hora que começo a redigir minha primeira meditação do ano. Pode até soar meio paranóico, mas cada um conhece muito bem o espinho que traz encravado na carne. Pode sentir todo tipo de dor, mas sabe quando o incômodo vem particularmente daquele chato e velho espinho.
Que bom que Deus TAMBÉM não desiste.
"Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti" (Isaías 43:2)
Mal comecei a reorganizar minha vida devocional e já sinto a correnteza contra mim.
Desde coisas grandes, envolvendo decisões que podem mudar radicalmente a vida, até coisas pequenas como um computador que insiste em aparecer com todos os defeitos do mundo bem na hora que começo a redigir minha primeira meditação do ano. Pode até soar meio paranóico, mas cada um conhece muito bem o espinho que traz encravado na carne. Pode sentir todo tipo de dor, mas sabe quando o incômodo vem particularmente daquele chato e velho espinho.
Que bom que Deus TAMBÉM não desiste.
"Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti" (Isaías 43:2)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Mateus dez, verso oito
Tudo que de mais significativo aprendi na minha vida tem a ver com Graça. A Graça que emana de Deus e transborda por alguns instantes na vida de suas criaturas. A Graça que transforma, renova, vivifica, surpreende. E cada criatura de Deus, sem exceção, teve, está tendo ou terá uma experiência com a Graça onde poderá contemplar a face de Deus em momentos de eternidade.
Tenho muitas histórias com a Graça, que pretendo ir contando e recontando aos poucos aqui. Começo 2009 comprometida em voltar a escrever. Colocarei aqui meus textos novos e alguns antigos também. Minha intenção é que sejam prioritariamente de cunho espiritual, mas aqui ou acolá pode escapar algum documento poético sobre maternidade, amor, tristeza... vida em geral.
Também amo dar e receber presentes - ainda bem que sou pobre, se não iria rapidinho à falência. Essa minha queda pra "Babette" me fez conhecer um grupo de pessoas muito interessantes, conhecida por um nome pouco atraente: os pedintes virtuais. São pessoas que pesquisam em sites do mundo todo os mais diversos tipos de objetos que são dados gratuitamente como brinde, propaganda, amostra grátis ou afins. Os mais éticos têm regras definidas, e a principal delas é pedir apenas o que lhe interesse de fato (surpreende a quantidade e tipo de coisas que estão dando por aí). Seguindo este critério eu também me tornei pedinte, e à medida que meus mimos forem chegando eu colocarei aqui uma foto do dito cujo e o modo de conseguí-lo, pois como a mim, eles podem vir a ajudar alguém.
E por enquanto termino esta pequena apresentação pois ouço o chamado da maior dádiva divina que já recebi: meu filhote, que está reclamando o almoço.
Até mais!
Tenho muitas histórias com a Graça, que pretendo ir contando e recontando aos poucos aqui. Começo 2009 comprometida em voltar a escrever. Colocarei aqui meus textos novos e alguns antigos também. Minha intenção é que sejam prioritariamente de cunho espiritual, mas aqui ou acolá pode escapar algum documento poético sobre maternidade, amor, tristeza... vida em geral.
Também amo dar e receber presentes - ainda bem que sou pobre, se não iria rapidinho à falência. Essa minha queda pra "Babette" me fez conhecer um grupo de pessoas muito interessantes, conhecida por um nome pouco atraente: os pedintes virtuais. São pessoas que pesquisam em sites do mundo todo os mais diversos tipos de objetos que são dados gratuitamente como brinde, propaganda, amostra grátis ou afins. Os mais éticos têm regras definidas, e a principal delas é pedir apenas o que lhe interesse de fato (surpreende a quantidade e tipo de coisas que estão dando por aí). Seguindo este critério eu também me tornei pedinte, e à medida que meus mimos forem chegando eu colocarei aqui uma foto do dito cujo e o modo de conseguí-lo, pois como a mim, eles podem vir a ajudar alguém.
E por enquanto termino esta pequena apresentação pois ouço o chamado da maior dádiva divina que já recebi: meu filhote, que está reclamando o almoço.
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