quinta-feira, 5 de março de 2009

Feliz dia da música clássica

Hoje, revirando alguns escritos antigos, achei uns devocionais que escrevi inspirada por obras musicais em específico. E como fiquei sabendo pelo blog do Joêzer que hoje é oficialmente dia nacional da Música Clássica, pesquei esse texto aí embaixo para colocar aqui. Foi escrita em 2001, quando eu começava a adentrar o "magnífico" mundo da música erudita. Sabia tão pouco da técnica, da teoria e dos esnobismos que cercam esse mundo! Não que hoje eu saiba alguma coisa, mas digamos que, na faculdadede Música adquiri um certo conhecimento do bem e do mal.
Hoje estou especialmente triste e bastante desanimada. Recorro a lembranças da minha obra sacra "erudita" preferida, o Messias de Handel (sim, o Messias, aquele do Aleluia). Poderia citar obras muito mais "eruditas" e até mais "sacras", poderia ter escolhido um devocional menos ingênuo e piegas. Mas esta preferência é também uma necessidade de consolo. Uma vontade de colher afeto na Beleza que me toca. Não acho que recuperarei a comoção tão autêntica, característica desta época de minha vida. Mas a Música sempre aponta uma claridade.

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Eu já falei para vocês o quanto gosto de Handel? Só não afirmo que ele é meu compositor favorito porque também sou fascinada pela exuberância de Bach, a expressividade de Vivaldi, e a mediocridade de Mozart (o garante minha querida e saudosa amiga Renata). Se a minha vida pudesse ter trilha musical (tenho esta neurose), George Frideric Handel fulguraria em destaque nos créditos, tanto me identifico com sua música.

Eu estava aqui prestando atenção numa das muitas belas árias compostas por ele, que também é uma obra-prima teológica pelo simples ajuntar de dois versículos. A voz de uma contralto (as contraltos são formidáveis) desabrocha no meio de violinos e canta: "Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará junto ao peito; as que amamentam, ele as guiará mansamente." (Isaías 40:11). Chegue mais perto e repare: o pastor agora está sozinho, e tem o olhar fixo no horizonte, onde busca uma ovelha. Por um momento ele interrompe a caminhada, para e suspira. A voz soprano que estava agachada a contemplar a flor da voz contralto, toma-a nas mãos, levanta-se três tons acima e diz: "Ide a Ele, todos os que estais cansados e oprimidos, e Ele vos aliviará.. Tomai sobre vós o Seu jugo, e aprendei dEle, que é manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (ver Mateus 11:28, 29).

E agora eu ouso ir além, fazendo um arranjo nessa harmonia tocante. Quero ver a ovelha que o pastor procura. E sabe o que vejo? A ovelha de Lucas 3:4 – 6, aquela famosa ovelhinha perdida.
Quero que você imagine-se no lugar daquele pastor. Ele amava suas ovelhas, e tanto cuidava, dava carinho e atenção que estas já lhe conheciam pela voz. Mas uma dessas ovelhas sumiu, deixando-o preocupado, temeroso e decepcionado. Imagino esse pastor andando pelo deserto, fazendo sua voz ecoar nas montanhas pedregosas em busca de sua preciosa ovelha perdida. Mas parece que quanto mais a busca, mais a ovelha se distancia dele. O sol lhe queima a face ansiosa... ele começa a sentir sede e fome. Seus pés doem, mas ele continua a andar e – estranho – seu semblante transmite ânimo inabalável, sua voz firme não deixa de ser doce enquanto diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei... e achareis descanso para as vossas almas".

Consegue perceber que enquanto procura a sua ovelha perdida, o pastor chama para si não só ela, mas todos os que estão cansados e oprimidos? Pode imaginar que, naqueles vales desérticos talvez haja outras ovelhas perdidas precisando dos braços amoráveis do pastor, onde possam descansar junto ao seu peito? Nota que mesmo fatigado da busca, decepcionado com a perda de sua querida ovelhinha, e sem certezas de que tornará a vê-la, ele persiste em ser pastor acolhedor a toda criatura que cruze seu caminho? Você enxerga que este pastor não se ocupa das próprias lágrimas, mas persegue com teimosia um alvo, sem jamais duvidar de sua capacidade de amar, sem questionar se vale a pena tamanha jornada pedregosa por causa de uma simples ovelha?

Olhe para sua vida e pense nas coisas que você perdeu. Talvez você saiba exatamente o que faz falta, a saudade precisa do que um dia foi tão seu, tão você, a dor de uma ausência bem conhecida: algo que se perdeu de dentro de você. Talvez você nem tenha parado para se dar conta das perdas que carrega como fardo vida afora. Algumas pessoas preferem não pensar muito na forma como perderam a pureza ingênua, a esperança de melhorar as coisas erradas ao redor ou em si mesmo, a capacidade de amar e confiar sinceramente no ser humano, até mesmo a crença num Deus presente e amoroso e num novo mundo transformado, muito embora essas perdas se acumulem formando rugas no espírito de quem as leva.

O que eu desejo para mim e para todos aqueles que sofreram grandes perdas e decepções, é que assumam a postura daquele pastor. Não desistir de ir atrás do que se perdeu. Se isso lhe pertencia, era parte de você, então é extremamente precioso e deve voltar ao seu verdadeiro lugar. Não podemos nos sentir felizes se estamos incompletos, portanto continue procurando o amor, a amizade, a confiança, a fé, a crença. Se você fizer isso, vai estar você mesmo voltando para o seu verdadeiro lugar, pois o caminho pedregoso dos que lutam por reconquistar a felicidade, vai dar na Nova Terra, onde finalmente encontraremos tudo que um dia fomos, e que se perdeu nesses milênios de pecado.

Continue buscando. E não siga cabisbaixo e murmurante, não se isole no vale de sua dor; vá oferecendo amor e sorrisos a todos que cruzarem seu caminho. Enquanto procura sua ovelha perdida, dê o abrigo de seus braços aos que seguem cansados e oprimidos, seja alívio e descanso para os outros que estão perdidos. Você estará recuperando muitas ovelhas preciosas que a humanidade perdeu. Seja manso e humilde de coração, e você já terá achado algo muito importante: companhia para dividir o peso do jugo, e ajuda para buscar e comemorar a volta da sua ovelhinha.

Uma semana cheia dessa melodia luminosa,

Luna

segunda-feira, 2 de março de 2009

Converte o meu intelecto

Quando eu sei que minha religião está intelectualizada? Um dos primeiros sintomas é julgar um sermão, por exemplo, conforme sua construção literária, linguística, meramente teológica e não deixá-lo entrar entre a alma e o espírito como uma espada de dois gumes (Hebreus 4:12). Começamos a selecionar as igrejas que frequetamos pela habilidade dos líderes, cantores e oradores. E ao sair de um culto que julgamos "bom", permanecemos vazios espiritualmente, mas intelectualmente satisfeitos: "Viu como o pregador conseguiu prender a platéia do começo ao fim do sermão?"

Pessoalmente eu tenho grande admiração pela oratória jesuíta. Gosto de ouvir sermões bem elaborados, e não é pecado admirar o esmero com que um pregador constrói e expõe uma mensagem, vibrar quando uma escola sabatina é bem dirigida ou alegrar-se com uma música que parece ter sido entoada por um anjo. O problema é quando nosso aproveitamento da mensagem se restringe ao campo intelectual. Esta impressão pode ser causada por qualquer música de Bach ou quadro de Da Vinci. Mas onde fica o componente espiritual da religião intelecutalizada? Ele inexiste tanto quanto nas mentes mais ignorantes. Uma bela mensagem que não é recebida espiritualmente é apenas uma bela mensagem sem poder. E se não há necessidade de poder divino, o que nos leva a professar uma religião? A necessidade de poder temporal? Hábito ou tradição? Qualquer outro motivo que não seja a necessidade de Deus nos afasta do verdadeiro religare.

Pior que viver uma vazia religião intelectualizada é orgulhar-se dela. Se pudermos admitir que um bom orador cristão exerce seu dom com arte, teremos de admitir que, para toda arte há sempre um crítico literário. E em especial o mal crítico, aquele que geralmente é um artista frustrado com muito conhecimento inutilizado pela ausência de prática louvável na arte em questão. Há, assim, dentro da Religião, aqueles que se especializam em criticar os métodos, modos, técnicas e ferramentas dos que estão ocupados fazendo algo dentro da igreja. Esses críticos se dirigem a líderes, oradores, cantores e todos os demais obreiros,e normalmente não poupam apontamentos vastos em relatórios suscintos do que podia ser melhorado. "Para a causa de Deus", complementam. Será? Uma religião intelectulizada e desespiritualizada trabalha sempre para idolatrar o Eu.

Neste sentido está todo o desapontamento de Cristo ao se dirigir a esta classe de pessoas como "sepulcros caiados", "raça de víboras", "serpentes", "assassinos" (Mateus 23). Ainda que os fariseus de hoje em dia não sejam necessariamente radicais, pelo contrário, ostentem até muita liberalidade, eles também se ocupam de matar a fé das pessoas, depois de se suicidarem espiritualmente. A questão não está tanto nas filosofias e técnicas que defendem - podem até ser conhecimentos bons em si - , mas no uso que fazem deles, para julgar e destruir ao invés de elevar, para sentir-se superior ao invés de buscar o Altíssimo.

O Pr. Rubens Lessa, num dos melhores livros que já li (daqueles que não importa quanto tempo passe estão sempre atuais), "Diagnóstico e Remédio*", cita Manuel Bernardes com uma frase contundente mas acertada: "Há uma conversação que é parte da alma; e há outra de que a alma é pasto." O intelecto sem Deus é tão impregnado de morte quanto qualquer corpo embelezado, esculpido, mas destinado ao pó. No mesmo livro, o Pr. Lessa cita também Ellen White, que também não alivia: "Quantas famílias não temperam suas refeições diárias com dúvidas e cavilações! Dissecam o caráter de seus amigos e o servem como delicada sobremesa. Um precioso bocado de maledicência é passado ao redor da mesa, para ser comentado não só por adultos mas também por crianças. Nisto Deus é desonrado"; "Enquanto isto fazem a mente não está em Deus, nem no Céu, ou na verdade; mas simplesmente onde Satanás quer que esteja - noutros. Sua alma é negligenciada"(Testemunhos seletos I p. 490, 43 e 44)

"O senhor Deus me deu língua erudita para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado" (Isaías 50:4). Homens de Deus em todos os tempos alertam de diversas maneiras: um intelecto não convertido é uma arma contra Deus. Uma mente que só se ocupa do que é carnal, é naturalmente aversa ao Espírito. Uma religião que não tem em sua essência a busca humilde do que é Divino, torna-se apenas mais um desatino humano.

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* Fica aqui meu humilde pedido para que a CASA reedite o livro. Hoje é impossível encontrá-lo, até em sebo, porque quem o lê não quer se desfazer dele. Só achei um exemplar, que coloco aqui para o caso de algum afortunado se interessar. Embora esteja na estante de "saúde" (por causa do título, bobviamente), trata de assuntos espirituais com a verve única do Pr. Lessa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Erros

Os críticos literários - e em especial aqueles que criticam os autores cristãos - costumam buscar e apontar as contradições na obra dos escritores como um erro crasso. Pessoalmente acho que isso é uma prova de que o escritor está vivo e ativo. No caso de um escritor cristão, demosntra que ele está renovando sua experiência com Deus. Tudo aquilo que aprendemos na vida espiritual esta passível de ser reelaborado e aperfeiçoado. Isso Às vezes demanda tempo, uma vida inteira. E pode acabar por contradizer, em parte ou de todo, aquilo que julgávamos uma verdade completa tempos atrás. O texto que se segue é fruto de uma reflexão nova, e vem emendar um texto que fiz dias atrás sobre as consequências do pecado.
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O primeiro erro do cristão é achar que pode cuidar de tudo sozinho. Depois de tantos sermões, palestras, cursos, congressos, escolas dominicais ou sabatinas, leituras devocionais e estudos bíblicos, ele chega a conclusão que tem um know-how considerável, que pode deixar Deus descansar um pouquinho e tomar as próprias decisões conforme seu conceito aprendido de certo e errado, bom e mau. Creio num Deus que preza o uso da inteligência e discernimento de seus filhos, mas todo conhecimento espiritual deve nos levar a depender mais de Deus, não o contrário. Quando paramos de nos questionar sobre a opinião de Deus, fazendo-a coincidir com nossa vontade, há um erro à vista, prestes a acontecer.

O segundo erro é achar que podemos concertar o primeiro erro sozinhos. Então esquematizamos nossos próprios paliativos, que julgamos eficazes porque parecem sanar o problema sem causar grandes transtornos ao nosso modus vivendi. Sabemos que o pecado tem que ser confessado, mas às vezes preferimos carregaro fardo do silêncio pela vida inteira. Sabemos que o pedido de perdão também tem que ser dirigido a quem ofendemos, mas às vezes preferimos simplesmente nos esconder. Sabemos que temos que perdoar, mas preferimos racionalizar que Deus conhece nosso coração a ponto de nos dar algum tempo para remoer nossa mágoa. E Deus sabe tanto de nossa imperícia para resolver problemas que, por Sua graça, costuma nos mostrar o caminho quando, ao abrir os olhos, percebemos que do nosso jeito não deu certo.

O terceiro erro é achar que, ou por mérito de nossas ações e palavras bem planejadas, ou por misericórida divina, tudo está bem porque acabou bem, ou seja, porque aparentemente nosso problema foi rsolvido sem maiores consequências. Não houve dor, suspiros, gritos ou gemidos de dor, ninguém morreu, nem matou, nem tentou o suicídio. Nenhuma testemunha de nossos erros, ninguém ferido para nos cobrar promessas ou indenizações por danos morais. Então tudo certo, ok? É o terceiro erro, eu dizia. O fato de não sermos capazes de ver consequências em nossos atos não quer dizer que elas não existam e sejam terríveis. Mesmo que não tenha havido dor da sua parte, ou da parte contra quem você pecou, um Ser nos céus sentiu sua ofensa.

Para o mais "perfeito" dos pecados, há sempre uma consequência espiritual. Talvez você não possa ver, mas se uma fotografia pudesse lhe mostrar envolto no mundo sob qual influência você está, o que você veria? O mesmo que Jeazir, que viu-se cercado de exércitos celestiais quando Eliseu pediu ao Senhor que lhe abrisse os olhos (2 Reis 6: 17)? Ou a dura (e muitas vezes esquecida) realidade de que fala Efésios 6:12; "Pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes."? Nossas palavras e ações de âmbito espiritual se conectam com anjos do bem ou do mal, e debaixo de sua influência nos colocamos mesmo quando não exergamos nenhuma consequência palpável na nossa realidade meramente carnal. Um pecado não está resolvido quando deixa de imprimir dor visível. Todo pecado só é apagado por completo por meio do sangue de Cristo, suplicado com arrependimento e desejo de não mais pecar. Só a partir da jsutificação em Cristo pode-se não temer o pecado cometido. Antes disso ele sempre será mais um dardo - muitas vezes escondido - nas mãos de Satanás.

Errar e errar sequencialmente faz parte de nossa natureza carnal, decaída. Mas errando conhecemos mais uma face da maravilhosa graça que nos alcança. É Deus quem cuida para que nossos passos não se desviem. É Deus quem nos toma pela mão e nos ajuda a reencontrar o caminho quando nos desviamos. É Deus que extermina a influência do pecado sobre nossa vida. E é Ele quem nos concede o desejo de não tornar a pecar. Não há mérito algum nas nossas ações ou palavras bem intencionadas, é nele que está o nosso querer e o relizar (Romanos 7:18). Todo bem que fazemos, queremos, recebemos vem de Suas mãos. Por isso mesmo, nada feito por nós podemos Lhe dar. Nenhuma prova de como aprendemos bem as lições bíblicas, os sermões, as palestras... quando usamos de nossa melhor capacidade de discernir, escolher e decidir, resolvemos Lhe dar não menos que toda a nossa vida. Só nessa entrega absoluta encontramos existência plena, só nessa dependência completa nossa vida cumpre seu significado aqui na Terra e afirma o melhor que há em sua humanidade.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Adveniat - Centro

O cartaz no ônibus informava objetivamente a respeito das mudanças no trânsito do centro da cidade por ocasião do carnaval. Não pedia desculpas pelos transtornos, não dava alternativas satisfatórias, não dava número de telefone para sugestões e críticas. Apenas comunicava secamente as mudanças que haveriam de alterar por uma semana a rotina e o humor de todos os recifenses que precisassem passar por ali. Fiquei pensando sobre a mensagem nas entrelinhas daquele cartaz: “Você está em Recife, uma cidade carnavalesca que por estes dias estará toda voltada para o comércio festivo. Não nos preocupamos com o que você pensa, se gosta ou não das mudanças para o carnaval ou do próprio carnaval, porque você não é o foco de nosso interesse. Portanto, se se sentir incomodado procure a BR 101 e siga seu rumo para longe daqui.”

Diante de um “Ame-o ou deixe-o” nós sempre deixamos Recife por essa época e nos escondemos nas paisagens potiguares. Lá podemos meditar com mais calma e inspiração no amor de um Deus que se preocupa em detalhes com Seus filhos. Se não fora assim, por que teria colocado na obra da Sua criação cores, sabores, texturas, odores e sons tão diversos e tão agradáveis em sua amplidão? Nas várias matizes de uma flor, pessoas de diferentes gostos visuais podem se sentir tocadas por uma mesma beleza que remete ao sublime. Aos diferentes cheiros do campo, boas memórias vão se associar em tipos humanos diversos, e em cada um vai virar um alento futuro, uma saudade afável. Entre as digitais de bilhões de seres espalhados pelo planeta, você certamente encontrará pelo menos um par de mãos que lhe será tão doce ao toque que você desejará tê-las por perto o resto da vida. Em toda a obra feita pelas mãos de Deus há uma manifestação de graça escondida, pronta a alcançar cada um de Seus filhos.

Por que é assim? Porque entre todas as criaturas da Terra estamos no centro do interesse divino. Há filósofos que criticam essa característica cristã, que de tão afirmada ao longo da História, queria até fazer da Terra o centro do sistema solar. No entanto o cristão que conhece a seu Deus não faz essa afirmação por esnobismo ou egocentrismo, mas por reconhecimento de um amor demonstrado de maneira incontestável na Revelação de Sua Palavra e Sua criação. Tenho um Deus que diz ser capaz de entregar reinos por Seu povo (Isaías 43:4). E que me oferece incontáveis provas de aceitação, desde o gosto da minha fruta preferida até um som vespertino que ninguém mais percebeu, mas que falou ao meu coração dizendo “Vinde a Mim”.

Entre os muitos caminhos que Cristo tem para chegar ao nosso coração, um há de lhe alcançar e fazer você sentir-se amado, respeitado, de forma única, tal como o ser que você é. Mesmo que a humanidade prefira entorpecer os sentidos para festejar a carne, há um prazer espiritual guardado em muitos detalhes cotidianos (ou fora dele), esperando para ser contemplado e vivido. Um prazer que não pode nos ser tirado, pois traz os ecos da Eternidade. Muitos pedacinhos do céu são plantados em nossos caminhos, mas só somos capazes de desfrutá-los quanto não passamos com pressa por cima deles: “A Terra está cheia da bondade do Senhor” (Salmo 33:5); “Quem é sábio observe estas coisas e considere atentamente as bondades do Senhor.” (Salmo 107:43)

“Acaso não tendes tido quadros luminosos em vossa vida? Não haveis experimentado preciosos momentos, em que vosso coração pulsou de alegria à influência do Espírito de Deus? Volvendo o olhar aos capítulos de vossa passada existência, não encontrais algumas páginas aprazíveis? Acaso as promessas de Deus, quais flores fragrantes, não medram a cada passo na vereda que trilhais? E não permitireis que sua beleza e suavidade vos encham de gozo o coração? (...) Graças a Deus pelos quadros luminosos que nos tem apresentado! Enfeixemos todas as benditas promessas de Seu amor, a fim de sobre elas poder deter continuamente o olhar.” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 117 e 118)

Que ao contemplar a luz que incide nesses feixes de amor Divino, possamos nós, que somos o centro de Seu amor aqui na Terra, torná-Lo o centro de nossas vidas também.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Quantas coisas você não consegue fazer ao mesmo tempo?

Não escrevi neste fim-de-semana porque estava em um congresso para evangelistas que aconteceu no ENA. Foi um belo congresso, num lindo lugar, com pessoas amadas e comida maravilhsoa, heheheh. E tudo dado de presente pelo pastor. Amazing Grace!
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Ao contrário do que incentiva nosso século de velocidade, eu não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Logo que conheci a internet achei que era apenas imperícia de minha parte, mas hoje, dez anos depois, cheguei a conclusão que é total incapacidade mesmo. Acho fantástico observar como amigos meus conseguem conversar com quinze pessoas ao mesmo tempo num Messenger, e, ainda ao mesmo tempo, checar os e-mails, olhar uma home page, fazer uma pesquisa no google, baixar um arquivo, responder a uma pergunta do chefe (sem que este veja o bate-papo), atualizar o blog e ainda comer um sanduíche sem derrubar uma migalha sobre o teclado. Eu não consigo sequer esse último item enquanto estou na frente do computador!

E não é assim apenas no mundo virtual. Não sei o que seria da minha missão de mãe sem minha boa babá por perto, me ajudando a coordenar os mil afazeres que um bebê demanda. Na cozinha tenho que fazer uma coisa de cada vez, se não algo vai ficar sem sal, queimado ou cru. O resultado é que enquanto minha mãe gasta uma hora e três panelas para preparar um almoço eu gasto quatro horas e todas as panelas do armário. As vezes em que quis me meter à besta de fazer algo fora da cozinha enquanto o fogão estava ligado renderam desde miojo queimado até panelas com fundo derretido. Certa vez consegui queimar a pipoca enquanto conversava com um amigo em frente ao fogão...

Não obstante meus problemas mentais característicos, acho que o nosso século exalta demais quem consegue se virar sozinho para fazer tudo, e quem consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Embora busquemos nos especializar cada vez mais, somos cobrados para dar conta de um milhão de problemas diferentes, e somos considerados “bons” quando conseguimos realizar o máximo de tarefas num tempo mínimo e sem a ajuda de ninguém. É engraçado mas hoje tem se tornado absurdo deixar que outras pessoas ajudem. É como se isso tirasse os méritos, colocasse sombra sobre as conquistas. Por isso mesmo é cada vez mais difícil para o ser humano contemporâneo lidar com a sensação de impotência. Ele, que é cobrado para ser capaz de resolver tudo sozinho, rápida e simultaneamente, amarga com tristeza extrema quando se depara como instransponível. Mas nessa hora, até para Deus chegar junto está difícil. Apelar para Deus seria confessar-se fracassado, e o auxílio divino tiraria o brilho da vitória. O homem desafiado pelo problema cairia para o lugar de salvo ao invés de fulgurar no lugar do salvador. E há quem prefira constar como fracassado a ser flagrado, frágil e pequenino, nos braços de Deus.

Mas a onipotência ainda é um atributo que só a Deus pertence. E a impotência pode ser uma boa oportunidade para questionar o valor das coisas que queremos transpor. Eu já acho que pensar, escrever e respirar ao mesmo tempo seja algo incrível para mim. Ter o controle de todo o presente e futuro na minha vida seria um desatino. Pelo contrário; alguns dos meus planos mais benevolentes não funcionam apesar de muito bem estruturados, e algumas maldades que maquino fazer quando estou com raiva de Deus falham antes de eu me sentir uma menina má. Há sempre fatores que estão além do meu alcance e que vez ou outra impedem meus planos de se concretizarem, quer sejam bons, quer sejam maus. E eu até já ousei reclamar com Deus dessas intervenções que seriam coincidência demais para acontecerem com tanta freqüência e eficácia, tirando-me a humana capacidade de querer e realizar (Filipenses 2:12 e 13).

A sensação de impotência para manejar o próprio destino é algo que mexe com os brios do ser humano. Mas é algo com o que os filhos de Deus precisam aprender a lidar, porque se por um lado Deus lhes deu livre arbítrio, Ele os ama demais para os deixar sozinhos em sua caminhada. Mesmo quando merecemos sofrer as conseqüências de nossos atos errados e amargar decepções vindas dos mais bem intencionados - mas imprudentes - planos, Deus não permite a seus filhos sofrimento desnecessário. Este é o princípio da graça que está expresso no verso: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (I Coríntios 10:13). O versículo no entanto não diz que Deus nos consultará sobre a conveniência de suas decisões em nosso favor. Deixar Deus nos ajudar pode ser um processo de doloroso aprendizado, em que nem se enxergue o auxílio de pronto, e em que a dependência nos ensine a nos desprendermos mais e mais das mesquinharias humanas, do egoísmo, da incapacidade de dar e receber. E nos faça começar a listar quantas coisas não conseguimos fazer ao mesmo tempo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Recebi de graça - Livros cristãos

Falamos abaixo sobre abençoar e cuidar. Então precisamos falar sobre anjos.

O site da CPTN - Cristo para todas as Nações -, que é uma iniciativa de evangelismo da Igreja Luterana, dispõe de estudos bíblicos, cartões virtuais, livraria, mensagens cristãs de áudio e vídeo e vários outros itens de interesse religioso. Só por isso já merece uma vista, mas também oferece a seus visitantes um livro gratuito. Você pode solicitar até dois títulos diferentes, que são oferecidos conforme a disponibilidade do site. O que recebi foi este abaixo:
"A verdade sobre os anjos" é um livreto interessante que em nada me pareceu contrariar a visão adventista quanto ao tema. Nem mesmo a menção a Miguel como um arcanjo tira o mérito da pesquisa bem feita e da mensagem bonita que o livro traz. A mim acrescentou bastante.

Para pedir o seu, CLIQUE AQUI.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Adveniat - Caminhos

Certa vez um amigo me magoou. E como acontece com todos os amigos que notam que magoaram a quem querem bem, ele tentou justificar sua atitude. Disse: "É que do lugar de onde venho as pessoas valorizam mais a aparência que o caráter. Às vezes acabo fazendo da mesma forma que elas." Eu o perdoei e entendi. Mesmo sem usar as mesmas palavras, diante de um erro cometido eu mesma já pensei assim algumas vezes. Não somos só nos que deixamos marcas no caminho pelo qual andamos: ele também nos modifica, imprime em nós algo da sua própria paisagem, cobre-nos com a poeira levantada em cada pegada.

Jesus contou a história de um caminho e quatro homens. Alguém lhe perguntou sobre salvação sem estar interessado de verdade em saber sobre a salvação (queria testar Jesus), e Ele respondeu com uma parábola sobre uma necessidade real do interlocutor: saber quem era seu semelhante e como tratá-lo. Está em Lucas 10: 25-37. O caminho era a estrada traiçoeira entre Jericó e Jerusalém, que apresentava uma descida de cerca de 900 metros. Lá, um homem foi assaltado e espancado com bastante violência a ponto de ficar desacordado no chão. Mesmo que nunca tenhamos passado por situação semelhante somos capazes de reconhecer a dor de estar ferido, física ou emocionalmente, e ao mesmo tempo desamparado, sem condições de se fazer algo por si mesmo.

A parábola continua dizendo que um sacerdote passou pelo mesmo caminho, viu o homem semimorto e passou de largo. Pode ter pensado: "Do lugar de onde venho os justos não se contaminam com cadáveres. Este aí se ainda não morreu deve estar perto." Depois veio um levita e passou de largo também. Pode ter pensado: "Do lugar de onde venho, o templo, há ainda muita coisa para ser feita, tenho muitas responsabilidades e não posso me arriscar a faltar com elas porque fiquei impuro ao tocar num possível cadáver." O terceiro homem, um samaritano, compadeceu-se da pobre vítima, cuidou, levou consigo, tratou e pagou os suficiente para que o homem ferido ficasse bem hospedado por vários dias até se recuperar. Pode ter pensado: "Do lugar de onde venho as pessoas são consideradas más. Tanto que, futuramente, quando se referirem a esta história me chamarão de 'bom' samaritano, como se todos os outros samaritanos fossem necessariamente maus. Do lugar de onde venho ninguém acredita que eu seja capaz de demonstrar compaixão por um homem que não conheço e que provavelmente pensa como os outros do lugar de onde venho. Mas ele ainda precisa de mim." E ajudou o moribundo logo que constatou que este não estava morto (ele, como os judeus, também sabia que corria o risco de ficar impuro).

Jesus terminou a história com um "Vai e procede tu de igual modo", sugerindo que em nossos caminhos usemos de compaixão e amor para quem precisa de nós ainda que isso seja uma tarefa incômoda e até nos custe algo. Isso pode ser socorrer um semimorto ou deixar de magoar um amigo desnecessariamente. Para tanto, Jesus fez saber também que um mesmo caminho tem duas direções: o lugar de onde se vem e o lugar para onde se vai. E muito mais importante que saber como é o lugar de onde se vem, é saber exatamente como é o lugar para o qual se quer ir. Como é lugar para onde estamos indo? Que nesta semana possamos agir com as pessoas de modo a mostrar algo da paisagem que aguarda no fim do nosso caminho.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dentes e dádivas

Até eu engravidar nunca tinha tido cáries. Adorava ver a cara surpresa dos dentistas e mais ainda a cara invejosa de minhas irmãs que me viam sair serelepe da temida cadeira após uma rápida aplicação de flúor, e deixá-las lá ao som de um motorzinho aterrorizante, enquanto dava tchauzinho com uma barra de chocolate na mão.

Uma vez uma dentista me falou: "É um tipo de bactéria que protege seus dentes. Quando começar a beijar na boca você com certeza vai conhecer o que é cárie." Mas a profecia - ou praga, simplesmente - não se cumpriu. Minhas bactérias deviam ser mais fortes que as dos meus namorados de modo que meus dentes permaneciam pefeitos. Minha higiene bucal sempre foi apenas regular, nunca um exemplo a ser seguido ou filmado para comerciais de creme dental. Para desespero das minhas irmãs, elas se esforçavam bem mais nesse sentido que eu, mas era eu quem ria do motorzinho.

Aí veio Vinícius. Com quatro meses de gravidez fiz minha primeira restauração dentária e arranquei um siso. O bebê já era guloso desde o ventre: me roubava o cálcio com a avidez de quem anunciava que iria mamar freneticamente por mais de um ano. E não me digam que não tem nada a ver, que ele não retira o cálcio dos dentes e outras coisas do gênero que li de especialistas por aí. Só quem engravidou sabe o estrago que uma placenta ávida pode fazer no corpo de uma mãe que tem que se manter bem nutrida e com IMC normal. Comer, comer, comer: dentes a menos, pança a mais. O dentista me alertou: "Você está cheia de cáries! Volte aqui após o parto para fazermos um tratamento!"

Um ano depois eu voltei e... meus dentes estão perfeitos. Que bactéria que nada. O dentista explicou que a boa saúde de meu oganismo aliada a um forte componente genético fez com que os dentes fossem mineralizados novamente antes das cáries se desenvolverem. De modo que não será preciso fazer nenhuma intervenção. Ele elogiou minha oclusão (expliquei que nunca usei aparelho ortodôntico) e minha higiene bucal, ao que eu modestamente repliquei que era mais sorte que diligência, e despediu-me, profissionalmente feliz que meus genes não sejam dominantes.

Tenho problemas bem chatos que não são muito comuns: meu olho esquerdo tem mais de nove graus de miopia, minha rinite alégica abrange uma gama infindável de elementos respiráveis, meu nervo ciático incomoda desde os 28 anos. Mas o fato de ter dentes fortes e benevolentes supera todos eles. Muito interessante como a ausência de cáries me faz sentir uma pessoa especial, destacada dentre a multidão, divinamente agraciada. Não lembro de nenhuma outra característica física, intelectual ou emocional que me faça sentir algo parecido.

E este post, que não é mais uma reflexão biológica que teológica, não está aqui só para deixar para a posteridade o registro áureo de minha super arcada dentária. Também quer dizer que mesmos os estragos que a vida faz (na verdade, que nós fazemos na vida) e que julgamos muitas vezes irreparáveis, podem se mostrar surpreedentemente... sanáveis. Uma cárie diagnosticada pode levar a mente a divagar insone por vingativos barulhos de motorzinhos, gargalhadas de irmãs, relatos de cirurgias dentárias que remetem a torturas medievais. Um pecado também pode deixar a sensação de que teremos que amargar consequências terríveis, que machucaremos pessoas inocentes, que feriremos pessoas que amamos, que o mundo nos verá cobertos de lama a desfilar pelas ruas da cidade, que nunca mais seremos a mesma pessoa outra vez.

Bem, isso de fato pode ocorrer. O pecado pode trazer males indizíveis. Mas já vi olhares de pessoas que denunciavam sentir tudo isso mesmo sem ter passado por tudo isso. Pessoas que carregavam em seu olhar triste o cinza púmbleo de um culpa punitiva. De tão púmbleo, o cinza faz decair o olhar: "Sou miserável, pequei e vou sofrer." Sem levantar o olhar a pessoa cria em sua mente um cenário de acusação e medo para cercá-lo. Sem enxergar as faces e vozes que se aproximam dele, pinta-lhes com capuz de carrasco, muito mais interessado em purgar sua culpa que ver a realidade. Sim, somos miseráveis, sim, somos pecadores, mas não temos necessariamente que sofrer. Um pecado pode ser sanado sem dor? Como assim? Pode? Pode. "Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas fraquezas, e carregou as nossas dores." (Isaias 53:4). Cristo pagou na cruz as dores de todos os pecados passados e futuros. Não aceitar isso é não entender o plano de salvação. O pecado deve causar no coração converso o arrependimento, não a auto-flagelação. Se a solução fosse impingir a si sofrimento, Judas não teria tido um fim tão triste.

Nem sempre podemos apagar o rastro de um ato pecaminoso, seja pela simples lei da ação e reação, seja pela malignidade de Satanás, que faz realmente de tudo para que o pecado tenha o maior alcance possível. Mas também não podemos apagar a força do sangue de Jesus sobre nossas vidas. É o poder de Deus, e não o poder do pecado, que deve ditar nossa atitude perante a vida, as pessoas e os nossos atos subsequentes ao erro. Cavar mais fundo o poço não vai nos redimir porque o auxílio só pode vir de cima. Revolver-se no lamaçal do pecado e o expor a todos os passantes é inútil quando o sangue do Cordeiro espera para nos limpar.

Eu não tenho a mínima idéia do mecanismo pelo qual um organismo refaz um dente onde certa vez se instalou uma cárie. Também não consigo entender a forma pela qual um Deus justo se faz amor e nos perdoa, sana e reintegra à perfeição sem que para isso tenhamos necessariamente que sofrer longamente, penar, machucar a nós mesmos ou a outras pessoas. Mas desconfio que isso não é mesmo para ser entendido. Isso, meus seis leitores, é Graça.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um Deus belo

Já que faltei o ensaio do coro hoje à tarde vou me permitir escrever outro texto longo, sem pressa de acabar, hehehe... passei a semana numa secura terrível para escrever, então quero muito escrever e escrever muito. Meus seis leitores hão de me perdoar. Em nome de Proust, eu vos peço. Há tempos venho precisando expressar tudo vai abaixo.


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Por estes dias terminei de ler um livro de Alain de Botton sobre Allan Proust. O segundo é afamado escritor francês que esculpiu a obra "Em busca do Tempo perdido" e que é também venerado por oito em cada dez escritores ou aspirantes a tal. Mesmo que só dois em dez tenham conseguido chegar ao final do sétimo livro. E entre os aspirantes que penduraram as sandálias, eu me incluo. Já no primeiro livro achei a escrita de Proust fascinante, mas muito densa, ´difícil de digerir, o que me fazia ficar dias em única página, refletindo sobre o que o autor quis dizer com aquele pensamento, que sentimento pôs por trás da descrição daquela personagem ou daquele bolinho, ou como ficaria aquela frase de dezenove linhas se dividida em períodos curtos e sem hipérbatos. E Alain de Botton é um escritor que, sem escrever nem uma biografia, nem uma crítica literária, nem um compêndio de auto-ajuda, conseguiu trazer Proust para mais perto de nós, e analisar algumas caraterísticas de sua vida e escrita sob um ponto de vista prático: como isso pode me ajudar a viver melhor?

A grande sacada de Alain de Botton é justamente não vincular o "viver melhor" com a ausência de sofrimento. Tanto que um dos capítulos do livro chama-se "como sofrer com sucesso". O que gostei no livro foi essa riqueza de perspectivas, que, por sua vez, ele aponta em Proust. No capítulo "Como abrir seus olhos", observamos ele sugere que a leitura que Proust fazia do mundo e repassava em seus livros era a de um detalhista que sabia apreciar a beleza real de todas as coisas, seja a de um palácio, seja a de uma fruta comum sobre a mesa. E não havia hierarquia nessa beleza, cada uma era bela ao seu modo, e seu valor estético particular não era par aser comprado, apenas percebido. Se alguém conseguisse, no entanto, perceber a beleza de uma maçã sobre a mesa, seria dotado de uma capacidade muito mais apurada para admirar a beleza do palácio, não com frases feitas como "que lindo!", ou "tão grandioso!", que só denotam uma idéia pobre e pré-concebida de beleza, baseada muito mais no valor material que estético. Só alguém que conseguisse olhar com espanto para a descoberta da beleza numa cena comum cotidiana poderia encontrar a verdadeira beleza numa lua cheia, tão evidente, mas tão desgastada por poemas e adjetivos óbvios.

Esta reflexão me fez pensar em Deus porque, acredito, a procura por Deus é também uma procura pelo Belo. Não à toa a li no blog Outra Música uma citação de Jonathan Safran Foer que dizia "Nada é bonito e verdadeiro." Aqui entre humanos os momentos de beleza são raros e fugidios. A busca por Deus é, também, uma busca para perpetuar o extraordinário. A perfeição absoluta, caraterística que cremos ser somenteo divina, tem muito a ver com a beleza absoluta, uma vez que Belo e Bem são sempre postos juntos em nossas concepções. Tanto que demoramos a perceber o Mal quanto este se recobre de beleza. O Belo nos encanta, portanto consegue alterar nossa capacidade de julgamento. E é bem aqui neste ponto que eu fiquei matutando sobre uma contradição que, volta e meia, volta à baila no meio cristão.

O conceito de beleza tem algo de intuitivo e universal. Mas também é construído, recebe influência da educação, cultura, preconceitos e experiências pessoais que vivenciamos. E muito embora nem sempre sejamos capazes de dizer - ou interessados em descobrir - o porquê de algo nos parecer belo, utilizamos alguns critérios objetivos para aferir essa beleza. Gosto de música barroca, admiro homens de voz grave, aprecio pintura simbolista . Dentro dessas categorias ainda posso restringir-me mais e dizer que amo a beleza da música de Handel, da voz do meu marido e dos quadros de Gustav Klimt. No entanto, certo dia, durante uma aula de Fundamentos da Construção Musical na faculdade, ouvi uma música dodecafônica de Ernest Krenek, que me tocou profundamente. Em outra época eu teria ficado indiferente, como normalmente sou indiferente a qualquer música atonal. Mas naquele momento da minha vida em especial, aquela música pareceu traduzir tão bem o que eu sentia que me pareceu... confortadora. E bela. Por outro lado, embora a voz de Cid Moreira seja o ícone de todas as vozes graves e másculas, eu me dinto uto incomodada ao ouví-lo. E mesmo sem serem exatamente simbolistas, os rascunhos que meu filho faz com giz de cera me parecem obras de uma beleza comparável a qualquer quadro do Louvre. É por ser construída que a beleza não se restringe, porque ela se comunica com a experiência, e a sensibilidade para ela cresce à medida que nos permitimos reconhecê-la fora dos padrões que traçamos objetivamente.

Acontece que quando Beleza e Religião se misturam, a experiência com o Belo fica comprometida. Na história humana SEMPRE existiu alguém numa posição dominante, imposta ou delegada, que ditou o quanto de Bem pode haver no Belo e vice-versa. Por isso de vez em quando um mesmo discurso se este de roupagem nova e reaparece no círculo religioso: esses são os sons que devemos ouvir, essas são as coisas que nossos olhos devem ver. Embora a beleza possa ser apreendida com todos os sentidos, são olhos e ouvidos os sentidos mais focados. E aprisionados. É como se Deus, de repente, pudesse ser objetivado em critérios facilmente consultáveis a partir da experiência de um único ser humano, tomado como padrão de julgamento para toda uma massa que se sente mais segura em seguí-lo que pensar, criticar e escolher a partir de suas próprias experiências vividas ou percebidas.

Digo percebidas porque não temos necessariamente que errar para aprender, mas mesmo a percepção do exemplo a ser seguido deve ser uma experiência pessoal, caso contrário não será significativa. A grande falha do discurso de quem quer "preservar" nossos sentidos, é que ele é contraditório. Tem a boa intenção de querer nos alertar para a pureza dos sentidos como meio de achegarmo-nos a Deus, mas impõe sua própria concepção do que é puro e bom a qualquer outra experiência, e com isso restringe os meios pelos quais Deus pode se comunicar com sus criaturas. Sentidos que não são utilizados com sabedoria - esse deveria ser o foco de nossas preocupações - atrofiam como músculos que permanecem numa única posição a vida toda. Nenhum cordeiro atrofiado seria oferecido a Deus como sacrifício santo e agradável, já dizia o levítico.

É sábido que na nossa literatura eclesiástica já houve até a muito bem intencionada iniciativa de dizer quais os padrões rítmicos, fórmulas de compassos ou andamentos que caracterizariam a música própria para adorar a Deus. Mas será que a experiência desse autor com o Belo digno de ser ofertado a Deus invalida a experiência de um adorador que encontrou verdadeiramente a beleza da voz de Deus numa música sincopada? Se objetivarmos experiências como essa e a tomarmos como padrão, não estaremos afastando a possibilidade de alguém que cresceu, por exemplo, em meio a uma cultura onde a música segue padrões rítmicos bem diferentes dos europeus-luteranos, possa ter sua própria experiência bela e verdadeira com Deus? Sendo que a beleza divina que alguém experimentou em sua religiosidade é capaz de alterar seu julgamento racional, seria justo diminuir a experiência do outro porque ela não partiu de elementos racionais, mas emocionais? Impor nossa experiência a essa pessoa como o melhor caminho para chegar a Deus não seria tirar de Deus a prerrogativa de ser O caminho?

Tomando ainda a música como exemplo (que é com o que estou mais familiarizada), não é preciso ter nenhuma formação em psicologia para descobrir logo que muitas pessoas que defendem que na música sacra não deve predominar o elemento ritmico, têm suas dificuldades pessoais com esse elemento. Não há nada na Bíblia que diga que o ritmo é um elemento musical demoníaco, e que os instrumentos musicais que o exploram foram criados por Satanás. Muito embora muito se tenha argumentado para diminuir a relevância da experiênia rítmica na adoração, o que de fato o faz ser alvo de tantas críticas é a forma como ele mexe com nossos instintos. O ritmo, por estar organicamente associado a nossas experiências mais primitivas (desde o bater do coração no ventre da mãe), tem certo poder para tirar nossa mente de controle e deixar fluir emoções. Acontece que nem todo mundo gosta dessa sensação. Há pessoas que gostam de ter o total controle sobre suas emoções e se julgam mesmo pessoas adultas e equilibradas pela capacidade de manter bem represadas quaisquer expressões de sentimento. Elas têm medo de sentir. E isso tem a ver com suas experiências de vida. Podem ter sido (des)educadas assim. E acham, sinceramente, que a beleza a ser direcionada a Deus tem que ser uma beleza cartesiana, racional. Citam Paulo (Romanos 12: 1) para que apresentemos nossos corpos em sacrifício como culto racional (cordeiros atrofiados?), falam de ordem e decência como se o sentimento humano fossem indecente e necessariamente desordenado. Crêem que na razão está a pureza dos sentidos. E não estão erradas sob seu ponto-de-vista, ainda que Paulo não tenha em momento algum desaconselhado a expressão das emoções, antes até a recomendado (Romanos 12: 10 - 15). O medo das emoções quase sempre tem a ver com incapacidade de entrega, e como podemos ter uma relação saudável com Deus sem entrega? Como podemos experimentar Sua Beleza apenas por critérios racionais, sem ter contato como extraodinário? Eu prefiro pensar que essas pessoas, tanto as que se postam como porta-vozes da vontade de Deus como as que as seguem, querem que seus padrões sejam imitados porque elas acham que assim estarão proporcionando aos seus irmãos a mesma experiência com Deus que vivenciaram em suas vidas.

O problema é que nem sempre dessa boa-vontade decorre bênção. Às vezes decorre pura s imples presunção. E para outras pessoas, que não conseguem se encaixar nas fôrmas apertadas que foram moldadas noutra experiência de vida, decorre frustração e afastamento de Deus. Quantos jovens eu vi se auto-flagelando com penúria medieval para tentar caber nessas fôrmas. Quanto sentimento de culpa eu e tantos outros carregamos tanto tempo por nao conseguirmos entrar na capa de bom cristão que foi costurada num modelo de perfeição que jamais conseguiríamos ser. No entanto "Jesus procurava um caminho para cada coração" (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 21), e falou de maneiras diferentes a pessoas diferentes, respeitando a experiência de cada uma. Ainda hoje Jesus busca muitos caminhos para chegar-se a nós, mas - eis de novo a contradição - nossos sentidos que deveriam estar preservados, encontram-se muitas vezes atrofiados. E deixamos de escutá-lo tantas vezes por puro preconceito. Mais que isso, podemos perturbar a adoração de alguém ao invés de incentivá-la, quando ditamos as formas e ritos para ela chegar-se ao Grande "Vinde a Mim". Eu lembro das perguntas que Deus fez a Jó quando este, em seu desespero, tentava compreender as atitudes de Deus através de sua minúscula experiência humana: "Onde estava tu quando eu fundava a Terra? Dize-me se tens inteligência! Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?" (Jó 38:4 e 5). Quando eu vejo alguém deixando de adorar a Deus por não conseguir ouvi-lo pelos critérios dos outros sinto-me tentada a perguntar aos que ditaram esses critérios: "Onde você estava quando Deus criou a música? Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes?"

Sei que os bem intencionados não conseguem ver assim porque acreditam que seus critérios estão fundados na Bíblia, e a verdade seria uma só, então todos os outros que não concordam com eles estariam enganados. Mas mais uma vez roubamos de Cristo uma prerrogativa: a de Ele ser A Verdade. As pessoas que perderam a capacidade de renovar sua experiência com Deus só conseguem entrevê-lo em reviver experiências passadas. Assim, essas pessoas até se emocionam, mas dentro do terreno seguro do que já é conhecido. São capazes de demosntrar grande euforia quando encontram alguém que ratifica, sob nova roupagem, os mesmos caminhos já pisados onde uma vez encontraram a Deus - e onde tentaram O aprisionar. Seria esmagador para essas pessoas pensar que Deus pode habitar fora dos seus limites controláveis. A presunção decorre justamente do medo de acreditar que alguém pode encontrar a Deus de outra forma senão aquela, sacra por excelência, devidamente fundamentada em padrões bíblicos convenientes. Dessa forma, a religião engessada em critérios objetivos não eleva no sentido de não proporcionar experiências confrontadoras, apenas confortadoras. E no conforto não há transformação, fundamento da conversão. Mesmo a mais bem intencionadas das pessoas que foca o seu discurso no controle dos sentidos está sujeita a ver seu discurso ser mal interpretado e aplicado como mais uma fôrma ao invés de um estímulo para chegar mais perto de Deus. E isso ocorre porque muitas pessoas que o ouvem não querem se dar ao trabalho (e isso posso durar uma vida inteira) de chegar-se por si próprio perto de Deus, então tentam se apoderar da experiência já vivida pelo dono do discurso, da espiritualidade do outro, da religião do outro, e para tanto utiliza os elementos objetivos do dicurso como um check list, um guia fácil para sentir-se tão espiritual quanto quem proferiu seu testemunho. Não há transformação pela experiência alheia, no máximo uma indicação a ser considerada enquanto se trilha o próprio caminho. SE eu for para o deserto coberta de peles de animais e passar a comer gafanhotos e mel isso não fará de mim uma pessoa com a espiritualidade de João Batista. Da experiência dEle eu só posso aproveitar em minha conversão os elementos que me levem para mais perto do Seu Deus ( e essa era sua clara intenção). Quando Paulo disse "Sê-de meus imitadores", completou a frase com um "como eu sou de Cristo"(I Cor. 11:1), mostrando que não pretendia criar um grupo de evangelistas fazedores de tendas, mas fazer as pessoas focarem no ponto-chave de seu discurso: Jesus, o único modelo digno de ser imitado. Regras que foquem no comportamento humano e não sejam fortemente iluminadas pelos princípios que as fundamentam, são como mel e gafanhotos nas mãos de atores interessados em uma boa atuação. E os pés dos cristãos são aqueles que se ferem e calejam ao andar sobre a Rocha, não os pés que desfilam graciosos sobre palcos. E para levar-nos à Rocha, Deus pode falar a seus filhos de maneiras muito mais abrangentes que por um punhado de formas institucionalizadas.

Alguma dessas pessoas pode refutar: "Bem, Deus pode usar tudo mesmo como meio de falar aos corações. Pode usar pedras. Isso não significa que vamos utilizar nossos dízimos para comprar pedras e enviá-las às nações a fim de anunciar o evangelho." É uma típica atitude de medo ridicularizar a experiência alheia. Um jovem que se sentiu tocado por Cristo enquanto vomitava na sarjeta após uma noite de bebedeira não pode ser encorajado a ter mais noites de bebedeira para tornar a encontrar a Cristo. Mas nós também não podemos dizer que daquele dia em diante Cristo só estará disponível para ele na igreja X, a partir das X horas, se eles estiver vestido de X maneira e cantando o hino X. O caminho da conversão passa por muitas experiências com a beleza e graça divina, mas não consigo reconhecer, nem na minha nem na de outros cristãos, um padrão estritamente objetivo que possa emoldurar a experiência de todos os cristãos. Se Deus usou uma sarjeta para falar a alguém, porque ele não pode usar um livro de literatura, um pôr-do-sol, um sorriso, a frase despretensiosa de um cobrador no ônibus, uma música muito feia e muito pobre mas que naquele momento falou exatamente o que eu precisava ouvir para me voltar para Deus?

Vejam só que paradoxo: eu que sou capaz de admirar tão bem o palácio de uma cantata de Bach ricamente construída, posso ainda me comover com a beleza simples mas igualente verdadeira de uma música tola? Ou guardei Deus só para as coisas grandes, deixando de apreciar sua revelação em tudo o mais ao meu redor? Se sim, cresci com isso ou apenas utilizei meu intelecto desenvolvido para empobrecer meu espírito? Ao ler a Bíblia consigo ver um Deus pedindo algo a seus filhos, mas o que Ele pede me parece ser masi algo direcionado aos outros que a nós mesmos. Ele nos pede serviço, missão. E ao cobrador de impostos que vivia de regular por leis humanas a vida alheia ele disse simplesmente: "Segue-me!"

Não quero parecer anarquista. Meu questionamento às regras não diminui a grandeza dos princípios. Não é isso que ensinamos nos estudos bíblicos quando vamos falar sobre a Lei de Deus? Dizemos que é uma lei moral. E o que é uma Lei Moral? É uma Lei atemporal, regida por princípios aplicáveis a qualquer tempo e em qualquer lugar, jamais se restringindo a parâmetros humanos, mas atravesando séculos por seu poder imutavelmente transformador. A Lei é, por isso, a revelação do caráter de Deus (EGW, O Grande Conflito, p. 467). Um Deus que se revela por princípios não pode ser aprisonado em regras quase sempre feitas para dar mais segurança - ou comodidade - aos homens. Se somos um povo que defende a validade do decálogo como Lei Moral, deveríamos ser um povo que falasse menos sobre regras e mais sobre princípios. Mais que isso, um povo que vivesse por princípios. Que soubesse utilizar-se desses princípios para ver tudo e reter o que fosse bom. Para estar aberto a revelação de Deus nas coisas elaboradas e simples, naquelas que são do nosso gosto e que o contrariam, nas praxes eclesiásticas e nos elementos do dia-a-dia.

Este texto não é um manifesto contra todas as regras sobre louvor, adoração e vida eclesiástica. Há regras boas, que edificam, que nos aproximam dos princípios. Mas só fazem isso quando são pensadas, não só por quem as fez, mas por quem as pratica. E se elas não cabem dentro da minha experiência de vida não têm que ser vestidas com o sufoco de uma roupa cinco números menor só para eu parecer igual a todos os demais. Roupas apertadas não vão preservar meu corpo. A consciência do meu corpo sim, vai me permitir experimentar o que lhe convém ou não. Creio ser assim com o espírito também. Utilizar-me das bem intencionadas regras de vida de alguém que encontrou a Deus por certo caminho pode não ser, para mim, uma experiência que também me aproxime de Deus. Para que isso ocorra tenho que estar atenta e aberta a Sua voz, que às vezes virá suave, às vezes desafiadora.

Regras podem me dar a sensação que estou fazendo tudo ceto por isso mereço a benevolência divina. Princípios nos obrigam a (re)pensar, a sentir, e com isso reconhecer a manifestação da Graça em nossas vidas. O exercício de procurar a beleza divina no improvável pode nos fazer aprender muito sobre o método de Cristo para chegar aos corações e deixar que Ele mesmo entre nos nossos. Este texto, é, portanto, um pedido a todos os nossos bem intencionados irmãos que querem nos fazer viver em maravilhosos palácios de sacralidade: a despeito de terem encontrado Deus no lugar onde estão, não desvalorizem a experiência daqueles que O encontraram numa maçã sobre a mesa. Não há experiências menores quando se trata de experiências com Deus, todas elas são grandiosas. Observar como as sementes da maçã germinam e se erguem em ramos por todos os lados, mas sempre para cima, em busca de um sol onipresente pode ser um bom começo para ver, além da sua velha experiência com a beleza, a manifestação de um Deus belo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Recebi de graça - DVD Planeta de Agostini

Já que nos posts anteriores falamos de viajar para lugares diferentes, despertar de sentimentos intensos e amores, nenhum brinde mais propício que o DVD que recebi da Planeta de Agostini. Se você não conhece, essa é uma editora que publica basicamente itens colecionáveis, enciclopédias, obras infantis em DVD e afins. Quando você se inscreve NESTA PÁGINA, é só esperar e eles mandam qualquer um dos seus DVDs ou itens de coleção gratuitamente para você.


Eu recebi este DVD sobre Veneza, com um livreto falando sobre as particularidades da cidade e um mapa bem completo da região. Este mapa é projetado em 3D no DVD e traça um roteiro turístico muito interessante. Fiquei encantada com a cidade, suas belezas caraterísticas, seu povo, ruas, costumes e seu ares. Só não sei porque é que chamam Recife de Veneza brasileira. Não tem absolutamente NADA a ver, hehehehhe...


ps.: Se eu passar uns dias sem aparecer é porque meu computador morreu. Acho que a fonte ou a placa - ou ambas - queimaram. Agora estou esperando uma manifestação da graça divina que resolva o problema...