Texto Bíblico do dia:
Lucas 9:23 - 27 - "Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará. Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo? Porque, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos. Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus."
O programa de Deus para a minha vida hoje:
Que as pessoas possam ver em mim um reflexo do que virá a ser o Reino dEle, e eu descubra esse Reino escondido em bênçãos no meu cotidiano.
Meditando:
A primeira constatação do dia é que seguir a Jesus não é fácil MESMO. Se fosse, ele não teria usado uma cruz como ilustração. E eu não acordaria com tanto sono hoje! Resolvemos acordar meia hora mais cedo para fazer nossa meditação com mais tranqüilidade. Acontece que fui dormir três horas mais tarde por causa da parte do trabalho que minha amiga da faculdade não fez, e eu tive de fazer. Até ontem isso não parecia tão significativo, mas às cinco e meia da manhã de hoje...
Seguir a Cristo não nos guarda de incidentes desse tipo no nosso relacionamento com amigos, familiares. Acabei saindo de casa mais chateada por causa de uma pequena discussão que tive com meu marido por causa da tinta da impressora: mais uma vez, o bendito trabalho! Meu humor, francamente, não estava nada bom. Mas antes mesmo de chegar à parada de ônibus eu lembrei do programa de Deus para a minha vida hoje e senti-me constrangida. "Ok, Senhor", eu orei, "já entendi que o tema que Tu separastes para mim hoje é: pessoas. Um tema muito pesado para um segundo dia, não? Por favor, me ajude que por eu mesma não sinto que conseguirei chegar ao fim de dia com meu humor restaurado. Agora só consigo pensar num modo de deixar claro à minha amiga, assim como o fiz com meu marido, que estou chateada, decepcionada e cansada. Ajude-me, mais uma vez eu te peço...".
Esta é outra grande diferença de começar o dia com Cristo. Se você não o faz, pode até orar e conversar com Ele ao longo do dia, mas não está ciente do propósito que Ele separou para você especificamente para aquele dia. Indo ao Seu encontro logo ao acordar, você consegue discernir melhor a Sua vontade - ainda que não consiga cumprí-la de pronto, e aí sim, o diálogo com Ele se torna muito mais produtivo. No meu caso, eu percebi que seguir a Cristo não me resguardaria de incidentes nos meus relacionamentos, mas percebi também que Ele usa esses incidentes para que trabalhemos melhor esses relacionamentos, para que haja crescimento através do exercício (doloroso) do perdão e da benignidade. Os incidentes podem, assim, se converter em bênçãos.
Nesse contexto os versículos que li hoje parecem enfáticos. "Negue-se a si mesmo" é uma frase simples de significado estrondoso. Cada vez que eu me nego, o outro passa a ocupar um lugar mais importante na minha vida, e num mundo que incentiva a primazia do Eu, não há cruz mais pesada que reprimir os impulsos de vingança, ressentimento e mágoa. A notícia bom é que não cabe a nós substituir esses maus sentimentos por outros bons. Isso é simplesmente impossível. O Espírito Santo é que atua em nós quando esvaziamo-nos do lixo, então Ele nos preenche e encontramos nEle a paz de que necessitamos, a capacidade de perdoar e tudo o mais necessário à restauração dos nossos relacionamentos.
"Alguns há, dos que estão aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus.", disse Cristo. A primeira coisa que nos passa pela cabeça ao ler pela primeira vez essa passagem é que os discípulos irão ver um Reino literal, serão arrebatados ou coisa que o valha. Os discípulos também devem ter pensado que eles veriam a glória de um reino terrestre e isso deve tê-los animado bastante. Jesus não explica suas palavras, mas os fatos as explicam. Logo em seguida ocorre a transfiguração. E ali, Cristo, Moisés (representando os mortos que serão ressuscitados) e Elias (representando os fiéis que não passarão pela morte) se apresentam em aparência de glória diante de três discípulos como figura de um Reino porvir. O comentário da Bíblia de Genebra diz: "sugestões quanto ao sentido desta frase [a primeira deste parágrafo] incluem a Transfiguração, a ressurreição de Jesus, a ascensão, o Pentecostes, a disseminação do evangelho, a destruição de Jerusalém e o Segundo Advento". Creio na última hipótese. Mas esta e todas as outras hipóteses constituem revelações de um Reino, não o Reino em si. Cristo revelou a glória de Seu reino a discípulos que não lograram compreendê-la. E não é assim comigo? Quantas vezes durante o dia Deus me revela facetas do Seu Reino e eu simplesmente não consigo ver porque estou esperando que Ele me mostre o que eu quero ver? Quantas vezes Deus é sutil e simples em suas revelações, mas eu teimo em só querer vê-lO no místico e no grandioso? Quantas vezes o Reino de Deus se me revela em flashes diante dos meus olhos, que não o vêem porque eu quase nada conheço sobre a essência do Reino de Deus?
Hoje eu pude ver o Reino de Deus na cortesia de um homem. Na alegria de uma senhora. Na simpatia de um amigo. Na inteligência de uma frase. E quantos puderam ver o Reino de Deus se revelando em mim? Esta pergunta me faz voltar às pessoas. Aquelas que no início do dia eu culpei por meu mau humor. Sinto vontade de orar por elas, pelos problemas que as levaram a tomar certas decisões que eu me recusei a compreender. Que talvez eu nem venha a compreender de fato. Mas que Deus conhece e pode ajudar a mudar se julgar necessário, tal como mudou minha decisão de deixar-me estar magoada.
Acho que não poderia ir dormir com melhor desejo que esse: vontade orar. "Venha a nós o Teu Reino" para que eu e meu marido sejamos uma revelação do Teu Reino. "Venha a nós o Teu Reino" para que eu e aquela minha amiga sejamos uma revelação do Teu Reino. "Venha a nós o Teu Reino" para que eu contigo sejamos uma revelação do Teu Reino
segunda-feira, 16 de maio de 2005
domingo, 15 de maio de 2005
40 dias procurando Luz - Dia 01
Textos Bíblicos do dia:
Jó 28: 12 e 28 - "Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento."
Salmo 37: 3 - 5 - "Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em segurança. Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará."
Atos 2:1 - 2 - "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados."
Filipenses 2: 12 e 13 - "De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."
Meditando:
O centro da cidade convulsionava. Carros, transeuntes e vendedores ainda mais agitados compunham um cenário caótico para o balé dos guarda-chuvas. E eu estava feliz. Talvez porque a chuva torrencial fez diminuir bastante a fila na repartição em que eu me encontrava, normalmente abarrotada. Talvez algum sorriso apreendido inconscientemente em meio a multidão. Ou talvez fossem simplesmente por causa daquela paz inquieta, a primeira resposta que obtive de Deus.
Sou adventista do sétimo dia há quase onze anos. Gosto da minha igreja, me interesso bastante por teologia, tenho prazer em estudar a Bíblia e tudo que lhe diz respeito. Mas freqüentemente sinto que minha prática religiosa se resume a acumular conhecimento e cumprir praxes. Os sermões parecem dizer algo que já sei, embora eu assuma a medíocre posição de "concordo, mas não pratico". Nos últimos tempos minha vida devocional tem andado capenga. Meditação matinal, lição da escola sabatina, livros do Espírito de Profecia são materiais de apoio que não faltam em meu lar, mas têm estado distante da minha alma. E o mais interessante é que eu quero. Por vezes tento organizar uma rotina espiritual com mais leitura bíblica, oração. Mas parece que não funciona, que não engrena. E lá volto eu para meu estado de mornidão.
Estou cansada destes altos e baixos. Não tenho a pretensão de nunca mais voltar a cair porque sei que sou pecadora, mas quero conseguir manter meus olhos fixos no Alvo (Filipenses 3:13 e 14). Não quero mais saber as coisas divinas de ouvir falar, mas de experimentar, de conhecer na alma. Se for assim, nunca mais haverá para mim sermões frios, falta de tempo para orar e ler a Bíblia, carência de discernimento sobre a vontade de Deus. Estou realmente cansada de brigar com Deus porque a minha vida não está do jeito que eu queria, para depois me envergonhar de ter duvidado dele com minha revolta e minhas orações imperativas, paupérrimas de tão materialistas e imediatistas. Intimamente não suporto mais os meus pecados, a minha incapacidade de ver adiante, a minha falta de habilidade em amar e mesmo em ser amada, a minha hipocrisia velada mas tão patente nas muitas pessoas que deixaram de ver Cristo por trás dos meus discursos . O discurso do silêncio medroso, o discurso das obras de fachada, o discurso da oferta inodora, do conformismo insípido, da reserva indolor (ou pecado acariciado, como diz o velho jargão). A humanidade hoje pesa em mim como se meu espírito tivesse pés cravados ao solo. Anseio a límpida luz de Cristo, a leveza do Seu sorriso, a fluidez balsâmica com que se derrama. Quero libertar-me de mim mesma. Por isso estou aqui.
Hoje não foi fácil acordar. Os dias anteriores foram muito cansativos. E ontem tive a maior crise de rinite alérgica do ano, o que me fez dormir muito mal. A lembrança de uma reportagem qualquer do Fantástico me dizia que o sono é o melhor remédio para esses casos, já que restaura o sistema imunológico. Sono. Era o que eu mais sentia. Mas levantei. A primeira oração foi feita em estado de semi-consciência, mas ao começar a ler a meditação de hoje já conseguia concatenar as idéias. Fui começando a entrar em sintonia com Deus quando...
TRIMMMM!!!!
Era uma colega de faculdade ao telefone, dizendo que não ía poder entregar sua parte no trabalho. Parte que eu teria de fazer, claro. Enquanto meu marido continuava a leitura da meditação eu me esforçava para tirar a mente daquela raiva que eu estava sentido. E a mente querendo divagar. Uma luta breve mas árdua, até que consegui voltar a sintonizar Cristo.
Decidimos ler dois versículos escolhidos aleatoriamente no Antigo Testamento e dois no Novo Testamento e depois fazer uma oração individual de cinco minutos enquanto refletíamos no significado dos versos escolhidos. Senti-me movida a propor isso porque, depois que casei, tenho orado mais, no entanto minhas orações individuais diminuíram bastante. O que me fez conhecer o fato de que não importa a quantidade de orações, mas a qualidade delas. É comum eu me pegar pensando no fogão enquanto meu marido ora pelo alimento ou na conta para pagar enquanto ele ora antes de dormirmos. Quando sou eu que faço a oração tenho a preocupação de escolher palavras, de ser empática, e acabo generalizando muito e abrindo pouco o meu coração. Incrível como consigo conversar com meu marido sobre qualquer coisa, mas enquanto oramos sinto-me constrangida de falar de mim. Hoje sei que nada substitui a oração individual entre Cristo e um pecador. Numa comparação grosseira, orar com o outro é como ir a uma jarra de suco. Você se delicia. Mas para matar a sede, o melhor é ir mesmo a Fonte das Águas. Suco a vida inteira saturaria o paladar.
Quando terminou a oração eu me espantei em como os cinco minutos passaram rápido. Talvez devêssemos aumentar o tempo amanhã para dez minutos. Numa oração em que se está sedento pelo contato íntimo com Deus, há que se ter tempo para refletir nas Suas palavras e depois ouvir-Lhe a voz falando suavemente a esse respeito. E há tanto a ser dito! Tanto a ser percebido! Que diferença de quando se está de joelhos num culto, preocupado com a meia-calça que pode desfiar, o sapato que pode sujar, o joelho que começa a doer, o irmão que pode estar te olhando, a hora de dizer amém, o palavreado que lhe chega tão vazio... Que bom seria transportar para as orações do culto esta sensação de paz que o falar com Deus proporciona. Uma paz que, aliás, foi a resposta de Deus a todos os questionamentos equivocados que não Lhe fiz. Uma resposta que, enfim, tem uma finalidade que não saciar minha falta de fé infantil e curiosa.
O correr do dia me levou, debaixo de uma chuva torrencial, à fila naquela repartição mencionada anteriormente. Cansada, mas agora apenas no corpo. Feliz com a paz de uma oração prolongada pelo dia inteiro, num diálogo mudo mas poderoso. É como se eu pudesse ver os olhos de Cristo colocados em mim. E os nossos olhares se comunicassem intensamente. Mas ainda O vejo no alto, sobre. Quero-O perto, tão perto que possa sentir também Seu abraço. Ainda me peguei fugindo voluntariamente do Seu plano para mim em algumas atitudes, pensamentos e palavras. Quero Seu abraço me ajudando a não fugir mais.
Espero-O amanhã mais uma vez. Hoje vou dormir ainda feliz, com a constatação de que Deus foi a primeira e última ocupação da minha mente neste dia.
O programa de Deus para a minha vida hoje (para ser escrito todos os dias, logo após a meditação):
Manter a minha mente voltada para Ele e o espírito conectado com as coisas do Céu, de modo que as coisas da Terra não me pareçam tão difíceis, ruins, negativas ou mesmo importantes.
Jó 28: 12 e 28 - "Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento."
Salmo 37: 3 - 5 - "Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em segurança. Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará."
Atos 2:1 - 2 - "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados."
Filipenses 2: 12 e 13 - "De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."
Meditando:
O centro da cidade convulsionava. Carros, transeuntes e vendedores ainda mais agitados compunham um cenário caótico para o balé dos guarda-chuvas. E eu estava feliz. Talvez porque a chuva torrencial fez diminuir bastante a fila na repartição em que eu me encontrava, normalmente abarrotada. Talvez algum sorriso apreendido inconscientemente em meio a multidão. Ou talvez fossem simplesmente por causa daquela paz inquieta, a primeira resposta que obtive de Deus.
Sou adventista do sétimo dia há quase onze anos. Gosto da minha igreja, me interesso bastante por teologia, tenho prazer em estudar a Bíblia e tudo que lhe diz respeito. Mas freqüentemente sinto que minha prática religiosa se resume a acumular conhecimento e cumprir praxes. Os sermões parecem dizer algo que já sei, embora eu assuma a medíocre posição de "concordo, mas não pratico". Nos últimos tempos minha vida devocional tem andado capenga. Meditação matinal, lição da escola sabatina, livros do Espírito de Profecia são materiais de apoio que não faltam em meu lar, mas têm estado distante da minha alma. E o mais interessante é que eu quero. Por vezes tento organizar uma rotina espiritual com mais leitura bíblica, oração. Mas parece que não funciona, que não engrena. E lá volto eu para meu estado de mornidão.
Estou cansada destes altos e baixos. Não tenho a pretensão de nunca mais voltar a cair porque sei que sou pecadora, mas quero conseguir manter meus olhos fixos no Alvo (Filipenses 3:13 e 14). Não quero mais saber as coisas divinas de ouvir falar, mas de experimentar, de conhecer na alma. Se for assim, nunca mais haverá para mim sermões frios, falta de tempo para orar e ler a Bíblia, carência de discernimento sobre a vontade de Deus. Estou realmente cansada de brigar com Deus porque a minha vida não está do jeito que eu queria, para depois me envergonhar de ter duvidado dele com minha revolta e minhas orações imperativas, paupérrimas de tão materialistas e imediatistas. Intimamente não suporto mais os meus pecados, a minha incapacidade de ver adiante, a minha falta de habilidade em amar e mesmo em ser amada, a minha hipocrisia velada mas tão patente nas muitas pessoas que deixaram de ver Cristo por trás dos meus discursos . O discurso do silêncio medroso, o discurso das obras de fachada, o discurso da oferta inodora, do conformismo insípido, da reserva indolor (ou pecado acariciado, como diz o velho jargão). A humanidade hoje pesa em mim como se meu espírito tivesse pés cravados ao solo. Anseio a límpida luz de Cristo, a leveza do Seu sorriso, a fluidez balsâmica com que se derrama. Quero libertar-me de mim mesma. Por isso estou aqui.
Hoje não foi fácil acordar. Os dias anteriores foram muito cansativos. E ontem tive a maior crise de rinite alérgica do ano, o que me fez dormir muito mal. A lembrança de uma reportagem qualquer do Fantástico me dizia que o sono é o melhor remédio para esses casos, já que restaura o sistema imunológico. Sono. Era o que eu mais sentia. Mas levantei. A primeira oração foi feita em estado de semi-consciência, mas ao começar a ler a meditação de hoje já conseguia concatenar as idéias. Fui começando a entrar em sintonia com Deus quando...
TRIMMMM!!!!
Era uma colega de faculdade ao telefone, dizendo que não ía poder entregar sua parte no trabalho. Parte que eu teria de fazer, claro. Enquanto meu marido continuava a leitura da meditação eu me esforçava para tirar a mente daquela raiva que eu estava sentido. E a mente querendo divagar. Uma luta breve mas árdua, até que consegui voltar a sintonizar Cristo.
Decidimos ler dois versículos escolhidos aleatoriamente no Antigo Testamento e dois no Novo Testamento e depois fazer uma oração individual de cinco minutos enquanto refletíamos no significado dos versos escolhidos. Senti-me movida a propor isso porque, depois que casei, tenho orado mais, no entanto minhas orações individuais diminuíram bastante. O que me fez conhecer o fato de que não importa a quantidade de orações, mas a qualidade delas. É comum eu me pegar pensando no fogão enquanto meu marido ora pelo alimento ou na conta para pagar enquanto ele ora antes de dormirmos. Quando sou eu que faço a oração tenho a preocupação de escolher palavras, de ser empática, e acabo generalizando muito e abrindo pouco o meu coração. Incrível como consigo conversar com meu marido sobre qualquer coisa, mas enquanto oramos sinto-me constrangida de falar de mim. Hoje sei que nada substitui a oração individual entre Cristo e um pecador. Numa comparação grosseira, orar com o outro é como ir a uma jarra de suco. Você se delicia. Mas para matar a sede, o melhor é ir mesmo a Fonte das Águas. Suco a vida inteira saturaria o paladar.
Quando terminou a oração eu me espantei em como os cinco minutos passaram rápido. Talvez devêssemos aumentar o tempo amanhã para dez minutos. Numa oração em que se está sedento pelo contato íntimo com Deus, há que se ter tempo para refletir nas Suas palavras e depois ouvir-Lhe a voz falando suavemente a esse respeito. E há tanto a ser dito! Tanto a ser percebido! Que diferença de quando se está de joelhos num culto, preocupado com a meia-calça que pode desfiar, o sapato que pode sujar, o joelho que começa a doer, o irmão que pode estar te olhando, a hora de dizer amém, o palavreado que lhe chega tão vazio... Que bom seria transportar para as orações do culto esta sensação de paz que o falar com Deus proporciona. Uma paz que, aliás, foi a resposta de Deus a todos os questionamentos equivocados que não Lhe fiz. Uma resposta que, enfim, tem uma finalidade que não saciar minha falta de fé infantil e curiosa.
O correr do dia me levou, debaixo de uma chuva torrencial, à fila naquela repartição mencionada anteriormente. Cansada, mas agora apenas no corpo. Feliz com a paz de uma oração prolongada pelo dia inteiro, num diálogo mudo mas poderoso. É como se eu pudesse ver os olhos de Cristo colocados em mim. E os nossos olhares se comunicassem intensamente. Mas ainda O vejo no alto, sobre. Quero-O perto, tão perto que possa sentir também Seu abraço. Ainda me peguei fugindo voluntariamente do Seu plano para mim em algumas atitudes, pensamentos e palavras. Quero Seu abraço me ajudando a não fugir mais.
Espero-O amanhã mais uma vez. Hoje vou dormir ainda feliz, com a constatação de que Deus foi a primeira e última ocupação da minha mente neste dia.
O programa de Deus para a minha vida hoje (para ser escrito todos os dias, logo após a meditação):
Manter a minha mente voltada para Ele e o espírito conectado com as coisas do Céu, de modo que as coisas da Terra não me pareçam tão difíceis, ruins, negativas ou mesmo importantes.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
5 – Amar até doer - FIEL A TODA PROVA - Reflexões para o acampamento de carnaval 2005
Dinâmica*:
O facilitador deverá distribuir, para quatro pessoas, lápis e papel. Em continuação, pedir para cada pessoa escrever, nesse papel, algum tipo de atividade que gostaria que o colega sentado à esquerda fizesse. Não precisa ser no momento da reunião, pode ser depois, pagar um sorvete, um lanche, cantar em seu lugar na escala, dar sua camisa favorita de presente, pode ser qualquer coisa, desde que não comprometa a integridade física e moral e espiritual da pessoa (pode ser fazer alguma atividade também). Logo após, deve ser solicitado que o papel seja dobrado, evitando, assim, que o companheiro tome conhecimento do que está escrito até o momento em que todos terminem. Ao concluir, pede-se para cada pessoa ler o que escreveu e desempenhar a tarefa que havia sugerido para o seu colega!
Conclusão: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles". (Mateus 7:12)
Uma das frases preferidas de minha mãe, de autoria da Madre Teresa de Calcutá, é: "nós devemos amar até doer". E pela vida das dessas duas mulheres posso afirmar que a frase não tem nada a ver com masoquismo nem com a falsa crença de que o sofrimento é uma forma de auto-redenção. Acredito que essa frase , essa filosofia de vida, tem a ver com um senso de empatia forte, capaz de sentir a dor do outro como se fosse a própria dor e a felicidade do outro como se fosse a própria felicidade. E viver assim não é algo fácil!
Quando Cristo nos orientou a amar nossos semelhantes como a nós mesmos ele estava pedindo isso: empatia sincera e desinteressada. Ele próprio, enquanto sangrava na cruz, não pensava na própria dor, não sofria por causa da coroa de espinhos ou das dolorosas feridas em seu corpo. Embora muitos gostem de enfocar o sofrimento físico de Cristo, não foi isso que o fez desfalecer de dor e morrer com o coração literalmente esmagado. O maior sofrimento de Cristo foi também sua maior prova de amor porque correspondia às dores que toda a humanidade já sentiu, sentia e iria sentir. Tudo que o pecado estragou estava pesando sobre Cristo no calvário. Ele não foi ferido por soldados cruéis ou castigos desumanos: "foi ferido por nossas transgressões e esmagado por nossas iniquidades". Nisto está o amor da cruz, o maior exemplo do que é amar até doer: é importar-se com a vida dos irmãos de forma tão plena, a ponto de morrer por causa da doença que os corroíam, neste caso, o pecado. E com isso dá-lhes vida em abundância.
Cristo amou o semelhante entregando sua vida, com dor, numa cruz. Madre Tereza de Calcutá amou o semelhante entregando sua vida, com dor, a causa dos pobres, fracos e oprimidos. Minha mãe também amou seu semelhante, dando a luz a três filhas, com dor, passando ainda por outros sofrimentos só para vê-las felizes, e nisso obter sua felicidade. Eu também posso amar meu semelhante toda vez que entrego a ele um pouco da minha vida, e mesmo que tenha como primeira resposta a dor, saiba continuar minha entrega consciente que faço isso porque o amo, não porque isso me trará vantagem.
Falo isso num tempo em que somos ensinados a amar somente aquilo que nos traz algum benefício imediato. Que ensina a descartar tudo aquilo que não nos agrada, e deixar que o ego direcione os relacionamentos segundo sua possibilidade de dar prazer. É comum que cristãos dedicados, mas enganados por esse tempo egoísta digam a si mesmos: "Tenho feito tudo para ser bom, mas as pessoas insistem em me machucar, então é melhor eu me afastar delas!". Então alguns saem da igreja, porque se dizem decepcionados com os membros. Outros permanecem na igreja, mas levam consigo uma mágoa grande, que os faz esfriar na fé. Outros ainda, julgando fazer a coisa certa, se isolam por trás de uma muralha de gelo e não se envolvem com mais ninguém. Acontece que ser cristão é ser mais do que o tempo e o lugar que vivemos espera de nós. Ser fiel é fazer mais que o possível e não desistir das pessoas, tal como Deus não desistiu de nós, mesmo tendo todos os motivos para isso.
Amar até doer não é deixar que as pessoas te desrespeitem e ofendam enquanto você fica passivo. Quem ama também sabe reagir, corrigir e ensinar sem usar de maldade ou violência. Mas quem ama até doer, compreende que a dor que sente não é a dor que o outro causou, mas a dor que o pecado causou, que o Mal causou, e que atingiu o seu irmão de uma forma tão triste, que agora isso está doendo em você. Seja lá quem tenha te magoado, decepcionado ou ferido, essa pessoa fez isso porque o pecado a feriu primeiro. O que você sente não é a sua dor, mas a dor do pecado de alguém. Enquanto você se concentrar na dor não poderá esquecê-la, talvez também não consiga perdoá-la. Mas a dor é apenas um sintoma de que o organismo não está bem, e neste caso o organismo não é um indivíduo, mas o contexto em que ele está inserido. Quando você voltar os olhos para o teu semelhante como alguém que carrega o pesado fardo e a dor suprema de nascer neste mundo como pecador - como qualquer um de nós - você perceberá nas fraquezas dele um motivo para você amá-lo mais e mais forte. Foi assim que Cristo fez quando o humilharam, bateram, mataram: Ele viu uma humanidade doente, que precisava de vida, então Ele a deu.
Quem aprendeu a amar até doer, sabe que amar é entregar a vida, e isso pode, em algum momento gerar algum tipo de dor. Ou a dor de suportar e perdoar o pecado do outro, ou a própria dor do outro, que hoje só serve para dar audiência em programas de TV, e pacientes a médicos e psiquiatras, ou ainda, a dor de engolir o próprio orgulho e aprender a ficar feliz com as conquistas e felicidades do outro. Acho até que "se alegrar com os que se alegram" é a forma mais difícil de aprender a amar até doer. Em tudo isso, porém, estejamos certos que Cristo conhece mais que qualquer outra criatura o significado da dor, e a maneira de como podemos livrarmo-nos dela para sempre. "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apoc. 21:4).
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
O facilitador deverá distribuir, para quatro pessoas, lápis e papel. Em continuação, pedir para cada pessoa escrever, nesse papel, algum tipo de atividade que gostaria que o colega sentado à esquerda fizesse. Não precisa ser no momento da reunião, pode ser depois, pagar um sorvete, um lanche, cantar em seu lugar na escala, dar sua camisa favorita de presente, pode ser qualquer coisa, desde que não comprometa a integridade física e moral e espiritual da pessoa (pode ser fazer alguma atividade também). Logo após, deve ser solicitado que o papel seja dobrado, evitando, assim, que o companheiro tome conhecimento do que está escrito até o momento em que todos terminem. Ao concluir, pede-se para cada pessoa ler o que escreveu e desempenhar a tarefa que havia sugerido para o seu colega!
Conclusão: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles". (Mateus 7:12)
Uma das frases preferidas de minha mãe, de autoria da Madre Teresa de Calcutá, é: "nós devemos amar até doer". E pela vida das dessas duas mulheres posso afirmar que a frase não tem nada a ver com masoquismo nem com a falsa crença de que o sofrimento é uma forma de auto-redenção. Acredito que essa frase , essa filosofia de vida, tem a ver com um senso de empatia forte, capaz de sentir a dor do outro como se fosse a própria dor e a felicidade do outro como se fosse a própria felicidade. E viver assim não é algo fácil!
Quando Cristo nos orientou a amar nossos semelhantes como a nós mesmos ele estava pedindo isso: empatia sincera e desinteressada. Ele próprio, enquanto sangrava na cruz, não pensava na própria dor, não sofria por causa da coroa de espinhos ou das dolorosas feridas em seu corpo. Embora muitos gostem de enfocar o sofrimento físico de Cristo, não foi isso que o fez desfalecer de dor e morrer com o coração literalmente esmagado. O maior sofrimento de Cristo foi também sua maior prova de amor porque correspondia às dores que toda a humanidade já sentiu, sentia e iria sentir. Tudo que o pecado estragou estava pesando sobre Cristo no calvário. Ele não foi ferido por soldados cruéis ou castigos desumanos: "foi ferido por nossas transgressões e esmagado por nossas iniquidades". Nisto está o amor da cruz, o maior exemplo do que é amar até doer: é importar-se com a vida dos irmãos de forma tão plena, a ponto de morrer por causa da doença que os corroíam, neste caso, o pecado. E com isso dá-lhes vida em abundância.
Cristo amou o semelhante entregando sua vida, com dor, numa cruz. Madre Tereza de Calcutá amou o semelhante entregando sua vida, com dor, a causa dos pobres, fracos e oprimidos. Minha mãe também amou seu semelhante, dando a luz a três filhas, com dor, passando ainda por outros sofrimentos só para vê-las felizes, e nisso obter sua felicidade. Eu também posso amar meu semelhante toda vez que entrego a ele um pouco da minha vida, e mesmo que tenha como primeira resposta a dor, saiba continuar minha entrega consciente que faço isso porque o amo, não porque isso me trará vantagem.
Falo isso num tempo em que somos ensinados a amar somente aquilo que nos traz algum benefício imediato. Que ensina a descartar tudo aquilo que não nos agrada, e deixar que o ego direcione os relacionamentos segundo sua possibilidade de dar prazer. É comum que cristãos dedicados, mas enganados por esse tempo egoísta digam a si mesmos: "Tenho feito tudo para ser bom, mas as pessoas insistem em me machucar, então é melhor eu me afastar delas!". Então alguns saem da igreja, porque se dizem decepcionados com os membros. Outros permanecem na igreja, mas levam consigo uma mágoa grande, que os faz esfriar na fé. Outros ainda, julgando fazer a coisa certa, se isolam por trás de uma muralha de gelo e não se envolvem com mais ninguém. Acontece que ser cristão é ser mais do que o tempo e o lugar que vivemos espera de nós. Ser fiel é fazer mais que o possível e não desistir das pessoas, tal como Deus não desistiu de nós, mesmo tendo todos os motivos para isso.
Amar até doer não é deixar que as pessoas te desrespeitem e ofendam enquanto você fica passivo. Quem ama também sabe reagir, corrigir e ensinar sem usar de maldade ou violência. Mas quem ama até doer, compreende que a dor que sente não é a dor que o outro causou, mas a dor que o pecado causou, que o Mal causou, e que atingiu o seu irmão de uma forma tão triste, que agora isso está doendo em você. Seja lá quem tenha te magoado, decepcionado ou ferido, essa pessoa fez isso porque o pecado a feriu primeiro. O que você sente não é a sua dor, mas a dor do pecado de alguém. Enquanto você se concentrar na dor não poderá esquecê-la, talvez também não consiga perdoá-la. Mas a dor é apenas um sintoma de que o organismo não está bem, e neste caso o organismo não é um indivíduo, mas o contexto em que ele está inserido. Quando você voltar os olhos para o teu semelhante como alguém que carrega o pesado fardo e a dor suprema de nascer neste mundo como pecador - como qualquer um de nós - você perceberá nas fraquezas dele um motivo para você amá-lo mais e mais forte. Foi assim que Cristo fez quando o humilharam, bateram, mataram: Ele viu uma humanidade doente, que precisava de vida, então Ele a deu.
Quem aprendeu a amar até doer, sabe que amar é entregar a vida, e isso pode, em algum momento gerar algum tipo de dor. Ou a dor de suportar e perdoar o pecado do outro, ou a própria dor do outro, que hoje só serve para dar audiência em programas de TV, e pacientes a médicos e psiquiatras, ou ainda, a dor de engolir o próprio orgulho e aprender a ficar feliz com as conquistas e felicidades do outro. Acho até que "se alegrar com os que se alegram" é a forma mais difícil de aprender a amar até doer. Em tudo isso, porém, estejamos certos que Cristo conhece mais que qualquer outra criatura o significado da dor, e a maneira de como podemos livrarmo-nos dela para sempre. "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apoc. 21:4).
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
terça-feira, 8 de fevereiro de 2005
4 – O Senhor da obra - FIEL A TODA PROVA - Reflexões para o acampamento de carnaval 2005
Dinâmica:
Escolher amigos ou casais e pedir que venham à frente. Pedir a um deles que responda as questões abaixo e invente algumas repostas (especialmente se não souber responder), de uma forma bastante convincente, de modo que todos a considerem verdadeira. O outro deverá julgar quais as respostas verdadeiras e quais as respostas falsas.
*pessoa famosa com quem gostaria de conversar
* maior susto que já levou na vida
* esporte a que mais gosta de assistir na televisão
* livro que mais apreciou nos últimos 6 meses
* uma "aprontação" da infância
* país ou cidade que mais deseja conhecer
* tipo de música que prefere ouvir quando está sozinho
Aplicação: Você conhece alguém falando com ela, e não falando ou ouvindo falar dela.
Em certa igreja haviam dois jovens que se apaixonaram por certa garota. O primeiro adorava falar dela a todos, colocando-a num pedestal dourado de beleza e perfeição. Qualquer oportunidade com um colega era usada para elogiar os cabelos dela, a voz dela, o sorriso dela, os talentos dela... de modo que todos ali tinham certeza que era uma questão de pouco tempo os dois começarem a namorar. Acontece que o segundo jovem, tímido e discreto, apareceu, um certo dia, de mãos dadas à garota. O primeiro rapaz chamou o segundo num canto pe perguntou: “mas afinal, o que aconteceu? Eu falava o quão era era maravilhosa para todas as pessoas que eu via pela frente, todos sabiam o quanto eu a admirava!”. Ao que o segundo respondeu: “É que enquanto você falava dela, eu falava com ela”. Simples assim. Enquanto o primeiro estava muito ocupado em parecer apaixonado para as pessoas, o segundo rapaz preocupou-se com a coisa certa, que era mostrar-se apaixonado para uma única pessoa, aquela que necessitava saber que era amada.
A mesma história pode acontecer com qualquer cristão que se dispõe a “cumprir fielmente a parte que lhe corresponde”. Na ânsia de mostrar-se às pessoas como um cristão impecável (e aqui já temos um paradoxo, considerando que todo cristão deve se reconhecer pecador), este pode se afastar da essência do que significa ser um cristão: um seguidor de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo comentou sobre sua própria experiência religiosa nesses termos: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado [a perfeição]; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. (...) Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos.” (Filipenses 3: 12 – 16).
Perceba que Paulo, um dos mais dedicados seguidores de Jesus, tinha como alvo nada menos que a perfeição. Mas apesar de ser um orador fantástico e um teólogo brilhante, ele sabia que a perfeição não estava em falar belas palavras vazias sobre sua crença só para parecer perfeito aos olhos dos seus irmãos. A perfeição consistia em conviver com Cristo. A medida de perfeição de que ele fala, é a medida do quanto você conhece a Cristo. E quanto mais perto dEle, mais perfeito você será considerado, porque mais semelhante a Ele será. Como acontece quando você passa muito tempo com um amigo. Já aconteceu com você? Se já teve um amigo de verdade, aconteceu. Certo dia você está novamente com aquela pessoa com quem gosta de conversar e partilhar sua vida, e de repente alguém, que já viu vocês muitas vezes juntos, pergunta: “Vocês são irmãos?” Isso já aconteceu comigo várias vezes, e eu sempre fiquei constrangida pensando: “Nossa, mas será que sou tão parecido com ele ou com ela assim?”. E mesmo coisas gritantes como diferença da cor da pele, olhos ou cabelo são suficientes para quebrar a semelhança. Essa semelhança, quando alcançada junto a Cristo, nos faz perfeitos porque o Pai nos olha e vê traços fortes do Seu Filho Unigênito. Pode imaginar Deus olhando para você e achando seu sorriso igualzinho ao de Jesus?
Agora compare a experiência de Paulo com a de outras pessoas como Caim, Marta e o jovem rico. O que esses três últimos personagens bíblicos têm em comum? Todos eles se empenharam bastante em agradar a Deus. Ou você acha que Deus não se agradou da oferta de Caim porque os frutos que ele trouxe eram feios? Ellen White comentando sobre isso fala em “primícias da terra”, ou seja, o que havia de melhor nos primeiros frutos[1]. E você acha que a comida que Marta fez não estava cheirando bem quando Jesus lhe reprovou? E quanto ao jovem rico, será que ele era um mau menino? Não, ele guardava todos os mandamentos. Imagino que se ele vivesse hoje, com certeza poderia ser indicado para ser diretor JA, porque aparentemente era um religioso perfeito! Então, onde está o erro desses três? Está apenas em querer agradar a Deus do seu próprio jeito, e não do jeito como Deus realmente se agradaria. Deus não precisava dos belos frutos de Caim, da comida cheirosa de Marta ou da fachada religiosa do jovem rico. Deus queria fidelidade. Deixe-me falar de mim. Será que Deus precisa do meu dinheiro? Da minha aparência? Da minha voz e talentos? Deus precisa de mim para que Jesus volte? A resposta contundente é: não, porque ninguém é insubstituível. Mas a resposta não termina aí. Tem outro mas... Deus me ama. E Ele precisa de mim junto a Ele como se não existisse mais nenhum outro ser humano na face da Terra. Perfeição é entender com que grande amor nos tem concedido o Pai (I João 3:1).
A História da humanidade que está sendo registrada pelos seres celestes tem as histórias de muitos “nãos” que o Homem deu a Deus. Mas Deus nunca deixou de cuidar de seu povo por causa disso. Quando alguém dizia “não”, Ele já tinha um “plano B” preparado, de modo que Sua vontade e Seu plano de redenção continuassem a ser cumpridos. Mas como Deus chorou cada “não” que recebeu, é algo que só entenderemos por completo na eternidade. E esse é o mistério do amor: mesmo não precisando de mim, Ele me quer muito junto a Ele. Quando Deus pediu um sacrifício de sangue a Caim, a atenção espiritual de Marta e abnegação do jovem rico, Ele não o fez por capricho de um Rei Poderoso que quer que as coisas sejam feitas a sua maneira. Deus queria, tão somente, que Caim, Marta e o jovem rico se aproximassem mais dEle, que O conhecessem melhor. Deus não abriu mão de que as coisas fossem feitas à Sua maneira, porque esse o melhor caminho para que Caim, Marta e o jovem rico alcançassem a felicidade. Esse é o objetivo por trás de cada pedido Seu.
Ser fiel não é apenas viver para o Senhor, mas com o Senhor. Você ouviu falar de Deus? Ou o conhece pessoalmente? Aproxime-se mais dEle agora mesmo e descubra, nos caminhos que Ele sonhou para você, o melhor jeito de ser feliz.
[1] WHITE, Ellen G. Patriarcas e profetas. São Paulo: CASA Publicadora, 1989. p. 71.
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
Escolher amigos ou casais e pedir que venham à frente. Pedir a um deles que responda as questões abaixo e invente algumas repostas (especialmente se não souber responder), de uma forma bastante convincente, de modo que todos a considerem verdadeira. O outro deverá julgar quais as respostas verdadeiras e quais as respostas falsas.
*pessoa famosa com quem gostaria de conversar
* maior susto que já levou na vida
* esporte a que mais gosta de assistir na televisão
* livro que mais apreciou nos últimos 6 meses
* uma "aprontação" da infância
* país ou cidade que mais deseja conhecer
* tipo de música que prefere ouvir quando está sozinho
Aplicação: Você conhece alguém falando com ela, e não falando ou ouvindo falar dela.
Em certa igreja haviam dois jovens que se apaixonaram por certa garota. O primeiro adorava falar dela a todos, colocando-a num pedestal dourado de beleza e perfeição. Qualquer oportunidade com um colega era usada para elogiar os cabelos dela, a voz dela, o sorriso dela, os talentos dela... de modo que todos ali tinham certeza que era uma questão de pouco tempo os dois começarem a namorar. Acontece que o segundo jovem, tímido e discreto, apareceu, um certo dia, de mãos dadas à garota. O primeiro rapaz chamou o segundo num canto pe perguntou: “mas afinal, o que aconteceu? Eu falava o quão era era maravilhosa para todas as pessoas que eu via pela frente, todos sabiam o quanto eu a admirava!”. Ao que o segundo respondeu: “É que enquanto você falava dela, eu falava com ela”. Simples assim. Enquanto o primeiro estava muito ocupado em parecer apaixonado para as pessoas, o segundo rapaz preocupou-se com a coisa certa, que era mostrar-se apaixonado para uma única pessoa, aquela que necessitava saber que era amada.
A mesma história pode acontecer com qualquer cristão que se dispõe a “cumprir fielmente a parte que lhe corresponde”. Na ânsia de mostrar-se às pessoas como um cristão impecável (e aqui já temos um paradoxo, considerando que todo cristão deve se reconhecer pecador), este pode se afastar da essência do que significa ser um cristão: um seguidor de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo comentou sobre sua própria experiência religiosa nesses termos: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado [a perfeição]; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. (...) Mas, naquela medida de perfeição a que já chegamos, nela prossigamos.” (Filipenses 3: 12 – 16).
Perceba que Paulo, um dos mais dedicados seguidores de Jesus, tinha como alvo nada menos que a perfeição. Mas apesar de ser um orador fantástico e um teólogo brilhante, ele sabia que a perfeição não estava em falar belas palavras vazias sobre sua crença só para parecer perfeito aos olhos dos seus irmãos. A perfeição consistia em conviver com Cristo. A medida de perfeição de que ele fala, é a medida do quanto você conhece a Cristo. E quanto mais perto dEle, mais perfeito você será considerado, porque mais semelhante a Ele será. Como acontece quando você passa muito tempo com um amigo. Já aconteceu com você? Se já teve um amigo de verdade, aconteceu. Certo dia você está novamente com aquela pessoa com quem gosta de conversar e partilhar sua vida, e de repente alguém, que já viu vocês muitas vezes juntos, pergunta: “Vocês são irmãos?” Isso já aconteceu comigo várias vezes, e eu sempre fiquei constrangida pensando: “Nossa, mas será que sou tão parecido com ele ou com ela assim?”. E mesmo coisas gritantes como diferença da cor da pele, olhos ou cabelo são suficientes para quebrar a semelhança. Essa semelhança, quando alcançada junto a Cristo, nos faz perfeitos porque o Pai nos olha e vê traços fortes do Seu Filho Unigênito. Pode imaginar Deus olhando para você e achando seu sorriso igualzinho ao de Jesus?
Agora compare a experiência de Paulo com a de outras pessoas como Caim, Marta e o jovem rico. O que esses três últimos personagens bíblicos têm em comum? Todos eles se empenharam bastante em agradar a Deus. Ou você acha que Deus não se agradou da oferta de Caim porque os frutos que ele trouxe eram feios? Ellen White comentando sobre isso fala em “primícias da terra”, ou seja, o que havia de melhor nos primeiros frutos[1]. E você acha que a comida que Marta fez não estava cheirando bem quando Jesus lhe reprovou? E quanto ao jovem rico, será que ele era um mau menino? Não, ele guardava todos os mandamentos. Imagino que se ele vivesse hoje, com certeza poderia ser indicado para ser diretor JA, porque aparentemente era um religioso perfeito! Então, onde está o erro desses três? Está apenas em querer agradar a Deus do seu próprio jeito, e não do jeito como Deus realmente se agradaria. Deus não precisava dos belos frutos de Caim, da comida cheirosa de Marta ou da fachada religiosa do jovem rico. Deus queria fidelidade. Deixe-me falar de mim. Será que Deus precisa do meu dinheiro? Da minha aparência? Da minha voz e talentos? Deus precisa de mim para que Jesus volte? A resposta contundente é: não, porque ninguém é insubstituível. Mas a resposta não termina aí. Tem outro mas... Deus me ama. E Ele precisa de mim junto a Ele como se não existisse mais nenhum outro ser humano na face da Terra. Perfeição é entender com que grande amor nos tem concedido o Pai (I João 3:1).
A História da humanidade que está sendo registrada pelos seres celestes tem as histórias de muitos “nãos” que o Homem deu a Deus. Mas Deus nunca deixou de cuidar de seu povo por causa disso. Quando alguém dizia “não”, Ele já tinha um “plano B” preparado, de modo que Sua vontade e Seu plano de redenção continuassem a ser cumpridos. Mas como Deus chorou cada “não” que recebeu, é algo que só entenderemos por completo na eternidade. E esse é o mistério do amor: mesmo não precisando de mim, Ele me quer muito junto a Ele. Quando Deus pediu um sacrifício de sangue a Caim, a atenção espiritual de Marta e abnegação do jovem rico, Ele não o fez por capricho de um Rei Poderoso que quer que as coisas sejam feitas a sua maneira. Deus queria, tão somente, que Caim, Marta e o jovem rico se aproximassem mais dEle, que O conhecessem melhor. Deus não abriu mão de que as coisas fossem feitas à Sua maneira, porque esse o melhor caminho para que Caim, Marta e o jovem rico alcançassem a felicidade. Esse é o objetivo por trás de cada pedido Seu.
Ser fiel não é apenas viver para o Senhor, mas com o Senhor. Você ouviu falar de Deus? Ou o conhece pessoalmente? Aproxime-se mais dEle agora mesmo e descubra, nos caminhos que Ele sonhou para você, o melhor jeito de ser feliz.
[1] WHITE, Ellen G. Patriarcas e profetas. São Paulo: CASA Publicadora, 1989. p. 71.
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005
3 – A toda prova mesmo? - FIEL A TODA PROVA - Reflexões para o acampamento de carnaval 2005
Dinâmica:
Quatro voluntários, duas duplas. Um será vendado e vai tentar esvaziar uma tigela cheia de bolas de algodão, transportando-as para uma tigela ao lado com uma colher, enquanto o outro tenta orienta-lo para que nenhuma bola de algodão se perca. Ganha a dupla que tiver mais bolas de algodão na segunda tigela depois de findo determinado tempo.
Pode-se trocar a pessoa vendada da dupla, e esvaziar a tigela de algodão, deixando-a pensar que está fazendo a mesma coisa.
Aplicação: Em certas situações tudo que podemos fazer é confiar.
Sempre me chamou atenção a confiança absoluta que algumas pessoas demonstram em um ideal que elegeram para nortear suas vidas. Mas nenhum exemplo me tocou tanto quanto o dos mártires cristãos. Quando eu estava recebendo estudo bíblico, aos treze anos, meu isntrutor me emprestou um livrinho chamado “Heróis da Fé”, que conta a história dos Valdenses, povo cristão que habitou a Europa na Idade Média e foi duramente perseguido por causa da pureza da sua fé, que não se submetia às falsas crenças de então. A partir desse momento, enquanto os colegas do minha idade colecionavam gibis do Homem Aranha, X-Men, Hulk, Batman, eu me empolgava em descobrir mais sobre a história dos mártires cristãos ao longo da História. Eram os meus heróis. E assim eu cheguei até o livro “O Grande Conflito”, de Ellen White, onde eu pude ler sobre a história de cristãos que foram perseguidos e mortos durante a igreja primitiva e a reforma religiosa, mas não vacilaram em defender e propagar sua fé. Histórias de homens arrancados de seu Lar para serem torturados e mortos em prisões, histórias de mulheres que vestiam-se como noivas para serem enterradas vivas em seus túmulos, histórias como a de João Huss e Jerônimo, missionários fecundos de quem um contemporâneo católico escreveu: “Ambos se portaram com firmeza de ânimo quando se lhes aproximou a última hora. Prepararam-se para o fogo como se fosse a uma festa de casamento. Não soltaram nenhum tipo de grito de dor. Ao levantarem-se as chamas, começaram a cantar hinos, e mal podia a veemência do fogo fazer silenciar o seu canto”. Ellen White complementa: “Depois de completamente consumido o corpo de Huss, suas cinzas e a terra em que repousavam foram ajuntadas e lançadas no Reno. Seu perseguidores...dificilmente se dariam conta de que as cinzas naquele dia levadas para o mar deveriam ser qual semente espalhada em todos os países da Terra.”[1]
Ao contrário dos heróis que meu colegas buscavam nos quadrinhos, no cinema ou na músicas, estes heróis da fé eram de verdade, e tinha o mais nobre ideal de vida, que era viver para Jesus. Ao contrário dos heróis forjados pela indústria da diversão ou pela literatura, estes heróis da fé não tinham edição limitada ou episódio final. Se você pensa que hoje, com a evolução do pensamento humano e o avanço dos direitos humanos a situação mudou, está enganado. “Desde o apedrejamento de Estêvão, poucas semanas depois do Pentecoste, aproximadamente 40 milhões de crentes deram sua vida simplesmente por serem cristãos. Deste número estarrecedor, apenas nosso século tem sido responsável por quase 26,6 milhões de mártires, espalhados através do globo.”[2] Isso acontece porque hoje a perseguição também é motivada por motivos políticos. Mesmo entre os adventistas, que procuram não se envolver em confrontos políticos ou religiosos, há um considerável número de mártires conteporâneos: “seis em Chiapas, Mexico,6 dois em Dagestã, Sul da Rússia7 e um número incerto na Ruanda”[3].
Como Huss e Jerônimo, há exemplos atuais, como o do senhor Wong[4], um chinês adventista do sétimo dia, sentenciado a 20 anos de trabalhos forçados por guardar o sábado e por continuamente falar a outros de “meu Amigo Jesus”, sobreviveu a repetidas tentativas de “re-educá-lo”. Mesmo no campo de trabalho forçado, ele aproveitava toda oportunidade para dizer uma palavra a favor de Jesus. Algumas das pessoas às quais ele testemunhou tornaram-se fiéis cristãs, porém com mais freqüência companheiros de prisão o traíam, levando-o a repetidas sessões de espancamento e tortura.
Certa vez, depois de 17 dias consecutivos de tortura, Wong ficou impaciente. Como podia ele convencer os carrascos que o espancavam de que seus esforços eram inúteis? Abrindo os lábios ensangüentados, exclamou: “Vocês não compreendem!” Por um momento houve silêncio. “Minha resposta é Não! Mesmo se o Chefe Mao estivesse aqui pedindo que me retratasse e negasse meu Deus, eu ainda diria Não! Não posso negar meu Amigo Jesus!” Enfurecido, o principal atormentador de Wong agarrou seus braços, que estavam amarrados atrás das costas, levantou-os acima da cabeça de Wong e “os trouxe para a frente de seu peito, arrebentando os tendões dos ombros e quebrando os dois braços”. “Basta!” ordenou o supervisor. “Pare! Se matarmos o criminoso Wong, não poderemos ajudá-lo a desenvolver-se”.11 Embora Wong mal tivesse condições de preocupar-se com viver ou morrer, ele se preocupava supremamente em ser fiel a seu Amigo Jesus. Não amou sua vida “até à morte” (Apocalipse 12:10).
O que a história desse e de outros mártires modernos têm em comum, e que ao invés de encarar sua situação como abandono d aparte de Deus, eles a encaravam simplesmente como uma oportunidade para testemunhar. Aliás, testemunha é mesmo o significado da palavra grega martys, que é empregada na Bíblia (Mateus 18:16; Lucas 24:48; Atos 1:8). Os cristãos primitivos entendiam um mártir como uma testemunha que poderia ou não morrer pelo Evangelho (Atos 22:20; Apocalipse 2:13; 17:6). Mártir vivo, portanto, seria aquele que fosse tratado como mártir, embora não viesse a morrer por causa do mártir, como foi o caso do discípulo João, que foi jogado num caldeirão de óleo fervente sem nada perecer, e foi o único discípulo de morreu de velhice. Eu poderia, neste ponto, enfatizar que há profecias alertando para o fato de que todos os cristãos se tornarão mártires vivos antes da volta de Jesus, e haverão de padecer sofrimentos, angústia e forte perseguição, tal como foi na Idade Média, só que com maiores requintes tecnológicos. Mas eu queria trazer o exemplo dos mártires para bem mais perto de nós, para este momento de nossa vida cristã.
Repare que as mais belas promessas no Novo Testamento se aplicam aos mártires: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12). “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10). Mas isso não é apenas porque eles morreram. É por causa da confiança que eles demonstraram em Deus, por causa do seu testemunho que impressionou muitas pessoas e fortificou outras, que se achavam fracas na fé. O fato de morrer não é mais importante que o de derrotar Satanás, e isso todos nós podemos fazer, ajudados por Jesus Cristo. O apóstolo que disse: “sede meus imitadores (Fil. 4:17), foi um mártir; Cristo, que pediu que aprendêssemos dEle (Mateus 11:29) , foi um mártir. Timóteo, um jovem discípulo de Paulo, foi chamado a ser uma testemunha fiel, como Jesus tinha sido (I Timóteo 6:12 e 13). De fato, ele foi de fato martirizado em 97 d.C., depois de ter corajosamente denunciado as festividades orgíacas da deusa Diana em Éfeso. Mas tão mártir quanto Timóteo, Paulo ou Cristo, no real sentido da palavra, é aquele jovem adventista que se recusa a fazer uma prova no sábado, e é reprovado no vestibular. Mais que isso: tão mártir quanto este jovem, é aquele que se recusa a fazer uma prova no sábado e é aprovado no vestibular.
Para sermos mártires – testemunhas, não precisamos morrer, mas com certeza precisamos dar a nossa vida. Quando entregamos nosso viver a Jesus Cristo, entramos nós também para a galeria dos heróis da fé, e as promessas de vitórias nos alcançam por causa de nossa fidelidade em vida. Deus não se alegra da morte penosa de seus filhos, mas vibra quando vê um jovem como eu e você disposto a despertar o mundo para as boas novas do Evangelho, para a promessa da volta de Jesus, paras as verdades bíblicas que nos foram entregues para serem anunciadas com o nosso próprio exemplo. Quando sentirmos essa vontade de falar a todos de nosso amigo Jesus, e nos dispormos a cumprir essa missão sem medo ou vergonha alguma, estaremos agindo como mártires, que com ou sem sofrimento, com ou sem sacrifício, dão testemunho do poder de Deus e caminham para a salvação.
[1] WHITE, Ellen G. Ode Conflito. São Paulo: CASA Publicadora, 1987. p. 107
[2] MOON, Jerry. In Mártires Modernos: Fé a qualquer preço. Revista Diálogo Universitário. http://dialogue.adventist.org/articles/10_1_moon_p.htm
[3] Ibdem
[4] Ibdem
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
Quatro voluntários, duas duplas. Um será vendado e vai tentar esvaziar uma tigela cheia de bolas de algodão, transportando-as para uma tigela ao lado com uma colher, enquanto o outro tenta orienta-lo para que nenhuma bola de algodão se perca. Ganha a dupla que tiver mais bolas de algodão na segunda tigela depois de findo determinado tempo.
Pode-se trocar a pessoa vendada da dupla, e esvaziar a tigela de algodão, deixando-a pensar que está fazendo a mesma coisa.
Aplicação: Em certas situações tudo que podemos fazer é confiar.
Sempre me chamou atenção a confiança absoluta que algumas pessoas demonstram em um ideal que elegeram para nortear suas vidas. Mas nenhum exemplo me tocou tanto quanto o dos mártires cristãos. Quando eu estava recebendo estudo bíblico, aos treze anos, meu isntrutor me emprestou um livrinho chamado “Heróis da Fé”, que conta a história dos Valdenses, povo cristão que habitou a Europa na Idade Média e foi duramente perseguido por causa da pureza da sua fé, que não se submetia às falsas crenças de então. A partir desse momento, enquanto os colegas do minha idade colecionavam gibis do Homem Aranha, X-Men, Hulk, Batman, eu me empolgava em descobrir mais sobre a história dos mártires cristãos ao longo da História. Eram os meus heróis. E assim eu cheguei até o livro “O Grande Conflito”, de Ellen White, onde eu pude ler sobre a história de cristãos que foram perseguidos e mortos durante a igreja primitiva e a reforma religiosa, mas não vacilaram em defender e propagar sua fé. Histórias de homens arrancados de seu Lar para serem torturados e mortos em prisões, histórias de mulheres que vestiam-se como noivas para serem enterradas vivas em seus túmulos, histórias como a de João Huss e Jerônimo, missionários fecundos de quem um contemporâneo católico escreveu: “Ambos se portaram com firmeza de ânimo quando se lhes aproximou a última hora. Prepararam-se para o fogo como se fosse a uma festa de casamento. Não soltaram nenhum tipo de grito de dor. Ao levantarem-se as chamas, começaram a cantar hinos, e mal podia a veemência do fogo fazer silenciar o seu canto”. Ellen White complementa: “Depois de completamente consumido o corpo de Huss, suas cinzas e a terra em que repousavam foram ajuntadas e lançadas no Reno. Seu perseguidores...dificilmente se dariam conta de que as cinzas naquele dia levadas para o mar deveriam ser qual semente espalhada em todos os países da Terra.”[1]
Ao contrário dos heróis que meu colegas buscavam nos quadrinhos, no cinema ou na músicas, estes heróis da fé eram de verdade, e tinha o mais nobre ideal de vida, que era viver para Jesus. Ao contrário dos heróis forjados pela indústria da diversão ou pela literatura, estes heróis da fé não tinham edição limitada ou episódio final. Se você pensa que hoje, com a evolução do pensamento humano e o avanço dos direitos humanos a situação mudou, está enganado. “Desde o apedrejamento de Estêvão, poucas semanas depois do Pentecoste, aproximadamente 40 milhões de crentes deram sua vida simplesmente por serem cristãos. Deste número estarrecedor, apenas nosso século tem sido responsável por quase 26,6 milhões de mártires, espalhados através do globo.”[2] Isso acontece porque hoje a perseguição também é motivada por motivos políticos. Mesmo entre os adventistas, que procuram não se envolver em confrontos políticos ou religiosos, há um considerável número de mártires conteporâneos: “seis em Chiapas, Mexico,6 dois em Dagestã, Sul da Rússia7 e um número incerto na Ruanda”[3].
Como Huss e Jerônimo, há exemplos atuais, como o do senhor Wong[4], um chinês adventista do sétimo dia, sentenciado a 20 anos de trabalhos forçados por guardar o sábado e por continuamente falar a outros de “meu Amigo Jesus”, sobreviveu a repetidas tentativas de “re-educá-lo”. Mesmo no campo de trabalho forçado, ele aproveitava toda oportunidade para dizer uma palavra a favor de Jesus. Algumas das pessoas às quais ele testemunhou tornaram-se fiéis cristãs, porém com mais freqüência companheiros de prisão o traíam, levando-o a repetidas sessões de espancamento e tortura.
Certa vez, depois de 17 dias consecutivos de tortura, Wong ficou impaciente. Como podia ele convencer os carrascos que o espancavam de que seus esforços eram inúteis? Abrindo os lábios ensangüentados, exclamou: “Vocês não compreendem!” Por um momento houve silêncio. “Minha resposta é Não! Mesmo se o Chefe Mao estivesse aqui pedindo que me retratasse e negasse meu Deus, eu ainda diria Não! Não posso negar meu Amigo Jesus!” Enfurecido, o principal atormentador de Wong agarrou seus braços, que estavam amarrados atrás das costas, levantou-os acima da cabeça de Wong e “os trouxe para a frente de seu peito, arrebentando os tendões dos ombros e quebrando os dois braços”. “Basta!” ordenou o supervisor. “Pare! Se matarmos o criminoso Wong, não poderemos ajudá-lo a desenvolver-se”.11 Embora Wong mal tivesse condições de preocupar-se com viver ou morrer, ele se preocupava supremamente em ser fiel a seu Amigo Jesus. Não amou sua vida “até à morte” (Apocalipse 12:10).
O que a história desse e de outros mártires modernos têm em comum, e que ao invés de encarar sua situação como abandono d aparte de Deus, eles a encaravam simplesmente como uma oportunidade para testemunhar. Aliás, testemunha é mesmo o significado da palavra grega martys, que é empregada na Bíblia (Mateus 18:16; Lucas 24:48; Atos 1:8). Os cristãos primitivos entendiam um mártir como uma testemunha que poderia ou não morrer pelo Evangelho (Atos 22:20; Apocalipse 2:13; 17:6). Mártir vivo, portanto, seria aquele que fosse tratado como mártir, embora não viesse a morrer por causa do mártir, como foi o caso do discípulo João, que foi jogado num caldeirão de óleo fervente sem nada perecer, e foi o único discípulo de morreu de velhice. Eu poderia, neste ponto, enfatizar que há profecias alertando para o fato de que todos os cristãos se tornarão mártires vivos antes da volta de Jesus, e haverão de padecer sofrimentos, angústia e forte perseguição, tal como foi na Idade Média, só que com maiores requintes tecnológicos. Mas eu queria trazer o exemplo dos mártires para bem mais perto de nós, para este momento de nossa vida cristã.
Repare que as mais belas promessas no Novo Testamento se aplicam aos mártires: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12). “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10). Mas isso não é apenas porque eles morreram. É por causa da confiança que eles demonstraram em Deus, por causa do seu testemunho que impressionou muitas pessoas e fortificou outras, que se achavam fracas na fé. O fato de morrer não é mais importante que o de derrotar Satanás, e isso todos nós podemos fazer, ajudados por Jesus Cristo. O apóstolo que disse: “sede meus imitadores (Fil. 4:17), foi um mártir; Cristo, que pediu que aprendêssemos dEle (Mateus 11:29) , foi um mártir. Timóteo, um jovem discípulo de Paulo, foi chamado a ser uma testemunha fiel, como Jesus tinha sido (I Timóteo 6:12 e 13). De fato, ele foi de fato martirizado em 97 d.C., depois de ter corajosamente denunciado as festividades orgíacas da deusa Diana em Éfeso. Mas tão mártir quanto Timóteo, Paulo ou Cristo, no real sentido da palavra, é aquele jovem adventista que se recusa a fazer uma prova no sábado, e é reprovado no vestibular. Mais que isso: tão mártir quanto este jovem, é aquele que se recusa a fazer uma prova no sábado e é aprovado no vestibular.
Para sermos mártires – testemunhas, não precisamos morrer, mas com certeza precisamos dar a nossa vida. Quando entregamos nosso viver a Jesus Cristo, entramos nós também para a galeria dos heróis da fé, e as promessas de vitórias nos alcançam por causa de nossa fidelidade em vida. Deus não se alegra da morte penosa de seus filhos, mas vibra quando vê um jovem como eu e você disposto a despertar o mundo para as boas novas do Evangelho, para a promessa da volta de Jesus, paras as verdades bíblicas que nos foram entregues para serem anunciadas com o nosso próprio exemplo. Quando sentirmos essa vontade de falar a todos de nosso amigo Jesus, e nos dispormos a cumprir essa missão sem medo ou vergonha alguma, estaremos agindo como mártires, que com ou sem sofrimento, com ou sem sacrifício, dão testemunho do poder de Deus e caminham para a salvação.
[1] WHITE, Ellen G. Ode Conflito. São Paulo: CASA Publicadora, 1987. p. 107
[2] MOON, Jerry. In Mártires Modernos: Fé a qualquer preço. Revista Diálogo Universitário. http://dialogue.adventist.org/articles/10_1_moon_p.htm
[3] Ibdem
[4] Ibdem
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
domingo, 6 de fevereiro de 2005
02 – Onde está a Vontade dEle? - FIEL A TODA PROVA - Reflexões para o acampamento de carnaval 2005
Dinâmica*:
Distribua papel e caneta para as pessoas que vão participar e peça para se sentarem no primeiro banco. Coloque o quadro-negro ou uma folha de cartolina com as tarefas escritas, de frente para os "alunos", e deixe à vista de toda a igreja com as seguintes tarefas escritas e diga que quem terminar primeiro ganhará um prêmio:
1 - Escreva o nome da 2ª pessoa da trindade no rodapé, à esquerda da folha.
2 – Diga em voz alta o nome do homem que era Nazireu e tinha sua força nos cabelos.
3 - No alto da folha, à direita, escreva o dia do seu nascimento e depois dê um pulinho.
4 - À esquerda, separe as sílabas da palavra Paralelepípedo.
5 - À direita, desenhe uma Bíblia aberta e diga em voz alta: “Eu vou ganhar”
6 – Levante a folha de papel o mais alto que puder.
7 - Escreva o nome do assassino de Abel e em seguida dig ao nome dele para as pessoas que estão na última fila de cadeiras do auditório.
8 – Diga a pessoa à sua direita: “Jesus te ama”
9 – Faça um círculo no centro da folha e depois dê uma giradinha.
10 – Ignore todas as tarefas acima e escreva apenas seu nome em qualquer da folha e me devolva.
Obs.: Este é um teste de atenção. Ganha quem fizer mais rapidamente apenas o item 10.
Existem muitas maneiras de uma pessoa expressar sua vontade. E às vezes é preciso ser muito preciso para ter certeza que as pessoas entenderão qual é sua vontade de forma inequívoca, pois os seres humanos somos muito dados a interpretar a vontade alheia segundo seus próprios interesses, seu contexto cultural, educacional, religioso. Logo que entendeu isso, o homem criou leis e códigos escritos para que a vontade da sociedade em que vivia, que era o bem comum, pudesse ser acessada e compreendida por todos, e assim ninguém pudesse alegar ignorância quanto a essa vontade superior. Hamurábi, um poderoso rei sumério, foi um dos primeiros a criar uma lista escrita de preceitos, que continham severas regras de convivência. Sob influência do Código de Hamurábi, surgiram muitos outros códigos posteriormente. Moisés, enquanto foi educado no Egito, deve ter tido conhecimento desse código, e algum tempo depois escreveu também um código de leis cerimoniais, civis, penais e até sanitárias para ordenar o modo de vida dos hebreus. A mais famosa prova da influência de Hamurábi sobre Moisés é a frase: “Olho por olho, dente por dente”, que consta nos dois registros legais.
Mas Moisés teve muito da orientação divina para compor as leis hebraicas. Deus chegou mesmo a ditar partes inteiras das regras para que não houvesse margem de erro. Mas quando quis expressar Sua vontade para com a vida de todo ser humano em todos os tempos, Deus escreveu de seu próprio punho um decálogo – os dez mandamentos – que é o mais fantástico código de leis já escritas. Obedecendo aos dez preceitos divinos, nós conseguimos compreender exatamente o caráter de Deus, e então vivemos em perfeita harmonia com Ele e com nossos semelhantes. Numa sociedade em que todos obedecessem a Lei de Deus, esta não apenas me ajudaria a me tornar um ser humano melhor, como me protege de qualquer mal que me quisessem fazer. “A Lei é perfeita” (Salmo 19:7). Deus poderia tê-la ditado a Moisés, como fez quando o ajudava a compor o código de leis cerimoniais, mas para que Sua Vontade fosse bem inequivocamente compreendida, Ele mesmo escreveu letra por letra.
Porém, expressar a vontade por escrito não é um meio totalmente eficaz, a não ser que você conheça muito bem o autor do texto. Por exemplo, se eu fizer uma lista de compras para meu marido ir ao supermercado, sei que posso escrever simplesmente “capim” no lugar de “alface, espinafre, brócolis e acelga”, porque para ele toda verdura é carinhosamente tachada de “capim”. Mas se outra pessoa pegar a mesma lista, certamente vai desconfiar da minha sanidade mental. Só ele seria capaz de entender minha vontade nesse caso. Com a Lei de Deus aconteceu algo análogo, embora em proporções muito mais dramáticas. À medida em que o povo se afastava do convívio sincero com Deus, que deixava de manter um relacionamento próximo com Ele e se preocupava apenas com uma religiosidade de aparências, também deixava de entender a real vontade de Deus expressa em Sua Lei. Sim, porque ali havia princípios, e os princípios eram o espírito da Lei de Deus. Acontece que o povo só compreenderia os princípios se estivesse intimamente ligado com seu Criador. E infelizmente não é isso que a História registra...
No tempo em que Jesus veio à Terra pela primeira vez, a Lei de Deus havia perdido seu verdadeiro sentido, tanto os homens haviam deturpado e denegrido a vontade Suprema. Por exemplo, com relação ao mandamento do sábado, os escribas resolveram criar um código próprio para que todos guardassem o Santo Dia da forma como eles achavam certo, e não como Deus achava certo. Eles pegaram uma série de ações que consideravam impróprias para o dia de sábado – como cavar, colher, carregar peso, plantar, caçar – e subdividiram exaustivamente essas ações até o ridículo. Então uma pessoa não poderia usar dentadura no sábado porque estaria carregando peso. E pela mesma razão não poderia usar sapatos com pregos (só os ricos tinham sapatos costurados...), nem levar um agulha, uma pena ou um pão no bolso. Mas se dois homens carregassem o pão juntos, estava tudo bem. Uma senhora não poderia olhar-se no espelho, pois ao ver um cabelo branco poderia se sentir tentada a arranca-lo, e com isso estaria “colhendo” no sábado. Se alguém arrastasse uma cadeira, estaria cavando. Se cuspisse e espalhasse a saliva com o pé, também, a menos que cuspisse na calçada. Se apanhasse uma pulga estaria caçando. Se fosse alimentar as galinhas tinha de cuidar para não deixar nenhum milho no chão, se não estaria plantando. A situação chegou num nível que certo sacerdote macabeu declarou: “os pecados de todo aquele que observar estritamente toda a lei do sábado, embora seja ele adorador de ídolos, ser-lhe-ão perdoados”.[1]
Pode imaginar quão torturante era viver assim? A quantidade de judeus paranóicos em observar coisas inúteis que Jesus encontrou em seu tempo? Principalmente, você pode imaginar o quão distante de Deus esses homens estavam? Tudo isso porque o povo se ateve tanto à letra da Lei que esqueceu a Vontade de Deus. Ainda hoje existem pessoas que se propuseram a ser cristãos, mas que em algum ponto do caminho se afastaram do Cristo que dava sentido a sua religião, e esses acabam descobrindo um grande vazio dentro de si, mesmo que continuem a viver uma aparente religiosidade. Repare também que hoje temos regras administrativas e institucionais que nos auxiliam a conviver como membros de uma crescente igreja mundial. Mas é nosso dever é, antes de cumprir qualquer regra, certificar-se de estar agindo dentro dos princípios que Cristo estabeleceu para seu Povo. E isso não é uma conclusão a que se chegue apenas pelo raciocínio lógico ou pelo conhecimento teológico, mas por um profundo relacionamento com Deus. Quanto mais nós o conhecermos, mais perto estaremos de saber sua Vontade.
Obedecer a regras é fácil: muitos preferem passar a vida inteira aderindo a elas porque pensar dá muito mais trabalho. Mas Deus não nos fez para sermos condicionados como animais: Ele nos fez seres com capacidade de pensar sobre a razão da fé que professamos, e vocação para obedecê-lo por amor, não por medo, por costume, ou porque “todo mundo faz assim”. Mostramos nossa fidelidade ao Senhor e Sua Igreja quando nos interessamos em estar mais perto dEles para os conhecermos, conhecer a Palavra de Deus, a mensagem de Seus profetas, a sã doutrina, o fundamento dos ritos cristãos, e nisso, Sua vontade expressa através dos princípios que norteiam todas as formas pelas quais Ele se revela a Seus filhos. E ao conhecer Sua Vontade, é revelado o verdadeiro sentido de nossa vida.
[1] FERRAZ, Itanel. Segue-me. São Paulo: CASA, 1994. p. 140-144
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
Distribua papel e caneta para as pessoas que vão participar e peça para se sentarem no primeiro banco. Coloque o quadro-negro ou uma folha de cartolina com as tarefas escritas, de frente para os "alunos", e deixe à vista de toda a igreja com as seguintes tarefas escritas e diga que quem terminar primeiro ganhará um prêmio:
1 - Escreva o nome da 2ª pessoa da trindade no rodapé, à esquerda da folha.
2 – Diga em voz alta o nome do homem que era Nazireu e tinha sua força nos cabelos.
3 - No alto da folha, à direita, escreva o dia do seu nascimento e depois dê um pulinho.
4 - À esquerda, separe as sílabas da palavra Paralelepípedo.
5 - À direita, desenhe uma Bíblia aberta e diga em voz alta: “Eu vou ganhar”
6 – Levante a folha de papel o mais alto que puder.
7 - Escreva o nome do assassino de Abel e em seguida dig ao nome dele para as pessoas que estão na última fila de cadeiras do auditório.
8 – Diga a pessoa à sua direita: “Jesus te ama”
9 – Faça um círculo no centro da folha e depois dê uma giradinha.
10 – Ignore todas as tarefas acima e escreva apenas seu nome em qualquer da folha e me devolva.
Obs.: Este é um teste de atenção. Ganha quem fizer mais rapidamente apenas o item 10.
Existem muitas maneiras de uma pessoa expressar sua vontade. E às vezes é preciso ser muito preciso para ter certeza que as pessoas entenderão qual é sua vontade de forma inequívoca, pois os seres humanos somos muito dados a interpretar a vontade alheia segundo seus próprios interesses, seu contexto cultural, educacional, religioso. Logo que entendeu isso, o homem criou leis e códigos escritos para que a vontade da sociedade em que vivia, que era o bem comum, pudesse ser acessada e compreendida por todos, e assim ninguém pudesse alegar ignorância quanto a essa vontade superior. Hamurábi, um poderoso rei sumério, foi um dos primeiros a criar uma lista escrita de preceitos, que continham severas regras de convivência. Sob influência do Código de Hamurábi, surgiram muitos outros códigos posteriormente. Moisés, enquanto foi educado no Egito, deve ter tido conhecimento desse código, e algum tempo depois escreveu também um código de leis cerimoniais, civis, penais e até sanitárias para ordenar o modo de vida dos hebreus. A mais famosa prova da influência de Hamurábi sobre Moisés é a frase: “Olho por olho, dente por dente”, que consta nos dois registros legais.
Mas Moisés teve muito da orientação divina para compor as leis hebraicas. Deus chegou mesmo a ditar partes inteiras das regras para que não houvesse margem de erro. Mas quando quis expressar Sua vontade para com a vida de todo ser humano em todos os tempos, Deus escreveu de seu próprio punho um decálogo – os dez mandamentos – que é o mais fantástico código de leis já escritas. Obedecendo aos dez preceitos divinos, nós conseguimos compreender exatamente o caráter de Deus, e então vivemos em perfeita harmonia com Ele e com nossos semelhantes. Numa sociedade em que todos obedecessem a Lei de Deus, esta não apenas me ajudaria a me tornar um ser humano melhor, como me protege de qualquer mal que me quisessem fazer. “A Lei é perfeita” (Salmo 19:7). Deus poderia tê-la ditado a Moisés, como fez quando o ajudava a compor o código de leis cerimoniais, mas para que Sua Vontade fosse bem inequivocamente compreendida, Ele mesmo escreveu letra por letra.
Porém, expressar a vontade por escrito não é um meio totalmente eficaz, a não ser que você conheça muito bem o autor do texto. Por exemplo, se eu fizer uma lista de compras para meu marido ir ao supermercado, sei que posso escrever simplesmente “capim” no lugar de “alface, espinafre, brócolis e acelga”, porque para ele toda verdura é carinhosamente tachada de “capim”. Mas se outra pessoa pegar a mesma lista, certamente vai desconfiar da minha sanidade mental. Só ele seria capaz de entender minha vontade nesse caso. Com a Lei de Deus aconteceu algo análogo, embora em proporções muito mais dramáticas. À medida em que o povo se afastava do convívio sincero com Deus, que deixava de manter um relacionamento próximo com Ele e se preocupava apenas com uma religiosidade de aparências, também deixava de entender a real vontade de Deus expressa em Sua Lei. Sim, porque ali havia princípios, e os princípios eram o espírito da Lei de Deus. Acontece que o povo só compreenderia os princípios se estivesse intimamente ligado com seu Criador. E infelizmente não é isso que a História registra...
No tempo em que Jesus veio à Terra pela primeira vez, a Lei de Deus havia perdido seu verdadeiro sentido, tanto os homens haviam deturpado e denegrido a vontade Suprema. Por exemplo, com relação ao mandamento do sábado, os escribas resolveram criar um código próprio para que todos guardassem o Santo Dia da forma como eles achavam certo, e não como Deus achava certo. Eles pegaram uma série de ações que consideravam impróprias para o dia de sábado – como cavar, colher, carregar peso, plantar, caçar – e subdividiram exaustivamente essas ações até o ridículo. Então uma pessoa não poderia usar dentadura no sábado porque estaria carregando peso. E pela mesma razão não poderia usar sapatos com pregos (só os ricos tinham sapatos costurados...), nem levar um agulha, uma pena ou um pão no bolso. Mas se dois homens carregassem o pão juntos, estava tudo bem. Uma senhora não poderia olhar-se no espelho, pois ao ver um cabelo branco poderia se sentir tentada a arranca-lo, e com isso estaria “colhendo” no sábado. Se alguém arrastasse uma cadeira, estaria cavando. Se cuspisse e espalhasse a saliva com o pé, também, a menos que cuspisse na calçada. Se apanhasse uma pulga estaria caçando. Se fosse alimentar as galinhas tinha de cuidar para não deixar nenhum milho no chão, se não estaria plantando. A situação chegou num nível que certo sacerdote macabeu declarou: “os pecados de todo aquele que observar estritamente toda a lei do sábado, embora seja ele adorador de ídolos, ser-lhe-ão perdoados”.[1]
Pode imaginar quão torturante era viver assim? A quantidade de judeus paranóicos em observar coisas inúteis que Jesus encontrou em seu tempo? Principalmente, você pode imaginar o quão distante de Deus esses homens estavam? Tudo isso porque o povo se ateve tanto à letra da Lei que esqueceu a Vontade de Deus. Ainda hoje existem pessoas que se propuseram a ser cristãos, mas que em algum ponto do caminho se afastaram do Cristo que dava sentido a sua religião, e esses acabam descobrindo um grande vazio dentro de si, mesmo que continuem a viver uma aparente religiosidade. Repare também que hoje temos regras administrativas e institucionais que nos auxiliam a conviver como membros de uma crescente igreja mundial. Mas é nosso dever é, antes de cumprir qualquer regra, certificar-se de estar agindo dentro dos princípios que Cristo estabeleceu para seu Povo. E isso não é uma conclusão a que se chegue apenas pelo raciocínio lógico ou pelo conhecimento teológico, mas por um profundo relacionamento com Deus. Quanto mais nós o conhecermos, mais perto estaremos de saber sua Vontade.
Obedecer a regras é fácil: muitos preferem passar a vida inteira aderindo a elas porque pensar dá muito mais trabalho. Mas Deus não nos fez para sermos condicionados como animais: Ele nos fez seres com capacidade de pensar sobre a razão da fé que professamos, e vocação para obedecê-lo por amor, não por medo, por costume, ou porque “todo mundo faz assim”. Mostramos nossa fidelidade ao Senhor e Sua Igreja quando nos interessamos em estar mais perto dEles para os conhecermos, conhecer a Palavra de Deus, a mensagem de Seus profetas, a sã doutrina, o fundamento dos ritos cristãos, e nisso, Sua vontade expressa através dos princípios que norteiam todas as formas pelas quais Ele se revela a Seus filhos. E ao conhecer Sua Vontade, é revelado o verdadeiro sentido de nossa vida.
[1] FERRAZ, Itanel. Segue-me. São Paulo: CASA, 1994. p. 140-144
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
sábado, 5 de fevereiro de 2005
01 – Porque Ele é fiel - FIEL A TODA PROVA - Reflexões para o acampamento de carnaval 2005
Dinâmica*:
Solicita-se que dois ou mais competidores se apresentem no meio do grupo. Cada um receberá uma caixa de fósforo, que deverá ser aberta somente com uma das mãos e, uma vez aberta, tirar um palito de fósforo e acendê-lo. O primeiro que conseguir é vencedor.
“Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.” (I João 4:19)
Desde muito cedo somos ensinados que as pequenas e grandes vitórias da vida são fruto de nossa própria capacidade, e quanto mais individual for o mérito, mais vistosa parece a vitória. Sua mãe bateu palmas quando você conseguiu amarrar os tênis sozinho, alguns colegas o invejaram quando você tirou dez naquela prova para a qual estudou sozinho, você sentiu-se orgulhoso quanto aquela idéia que você teve sozinho deu certo. Na vida social somos constantemente avaliados, mas poucas vezes leva-se em conta o contexto dos seus relacionamentos. Nos esportes é fácil verificar isso: uma boa partida de futebol é a soma do esforço de onze jogadores unidos, mas só aparece no telejornal quem faz o gol. E isso se repete no âmbito profissional, emocional, e freqüentemente também na vida religiosa. Gostamos de conseguir coisas por nós próprios, isso nos faz sentir independentes, e a independência nos faz sentir fortes.
Mas se observarmos a natureza, que é uma das mais incríveis revelações divinas, veremos que tudo funciona melhor quando em conjunto. Desde os grandes ecossistemas, com a precisão de suas cadeias alimentares, a organização das colônias e grupos de animais, todos com funções definidas que se completam, até os menores detalhes do nosso corpo, como a perfeita sincronia de cada um dos nossos dez dedos, duas mãos, duas orelhas, dois olhos, duas pernas, dois braços, incontáveis poros ou milhões de fios de cabelo. Podemos até levar a vida sem um membro do grupo: está aí Lula sem o mindinho para comprovar! Mas certamente a vida ficará mais complicada, em maior ou menor grau, se faltar um membro na execução de certas tarefas. Eu, por exemplo, já tentei acender um fósforo usando uma mão só, e apesar de ter conseguido, consegui também uma pequena queimadura. Então você pode perguntar: “Mas para quê você precisa acender uma caixa de fósforos com uma mão só sem tem duas mãos disponíveis?”. A resposta é óbvia mas desafia outras perguntas mais profundas: porque eu quis escolher o caminho mais difícil.
Muitas pessoas que não compreenderam ainda a natureza do caráter divino, escolhem todos os dias viver sua crença da forma mais difícil: sozinhas. E eu tenho certeza que a grande maioria delas têm até as melhores intenções: querem realmente ser pessoas melhores, querem de verdade fazer o bem, querem sinceramente ser justas e fiéis. Mas por acharem que o resultado virá dos seus próprios esforços e méritos, elas não conseguem seu objetivo, e sofrem com uma desanimadora frustração. Das boas intenções para o legalismo é um passo, um largo passo para longe de Deus.
Precisamos compreender muito bem o cristianismo bíblico antes de tomarmos qualquer decisão ao lado de Jesus. Antes de tudo, precisamos desassociar dependência de fraqueza, e entender que com Deus, dependência quer dizer vitória. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e Deus, em sua própria natureza não é um só: é Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto esse imenso vazio que todo ser humano luta por tentar preencher tem o tamanho exato de Deus. Somos seres criados para andar junto com Deus, como fazia Adão antes do pecado. E andar com Deus é o conceito bíblico de perfeição, e não “fazer tudo certinho”, como o conceito humano prega. Você conhece a história de Enoque, um homem tão perfeito que foi tomado por Deus. E a sua perfeição não era ser o primeiro a chegar no culto JA, nem dar o dízimo da mesada, nem “dar um fora” naquela menina não cristã que estava a fim dele. Enoque fazia o que era certo porque andava com Deus e sabia que longe dEle não havia bem algum que lhe preenchesse o espírito. Tudo o mais era apenas conseqüência dessa amizade. “Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:05).
Na vida espiritual, certo é quando deixamos que Deus haja em nós, errado é quando decidimos fazer sozinhos. E não há espaço para meio-termos. Se você decidir hoje que quer ser um servo fiel, terá primeiro de reconhecer que é totalmente incapaz de ser fiel sozinho. Terá de aceitar que se for fiel, é porque Deus é fiel o bastante para lhe dar forças em sua decisão. E terá de entender que a a benigndidade de Deus dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração (Salmo 100:5), portanto você falhará, mas Deus, nunca. E Ele quer permanecer ao seu lado eternamente.
Quer saber quem é fiel a toda prova? Leia o Salmo 119: 140 “A tua palavra é fiel a toda prova, por isso o teu servo a ama.”E é a Palavra de Deus, em sua fidelidade inexorável que diz: “quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8: 35 – 39). Na verdade, somente você é capaz de se separar do amor de Deus, quando decide escolher o caminho mais difícil: aquele em que Deus não está.
Neste momento, estamos todos perante Deus por intermédio do seu Espírito. E ele nos olha a todos com o mesmo olhar, não importa que você se ache um adventista exemplar ou o pior de todos os pecadores, um candidato perfeito a um bom cargo na igreja, ou um caso sem solução, do qual todos já desistiram, inclusive você. Neste momento Deus vê em todos nós os traços do Seu Filho Jesus Cristo. E quer andar conosco. Não adianta que tenham preparado as mais lindas programações, não importa o quão belas e animadas sejam as músicas, não importa o quanto você se divirta com seus amigos, não importa que você escute palavras bonitas e orações fervorosas, não importa toda a beleza e alegria se você não andar com Deus em tudo isso. É a sua decisão de estar ao lado dEle a cada momento que fará a diferença entre os momentos mais marcantes da sua vida, ou só mais um acampamento de carnaval.
Esqueça a sua força, ou a força que você acha que tem, e aprenda a depender do Ser mais poderoso da universo. Esqueça seu egoísmo, e dependa de quem realmente sabe o que é melhor para você. Esqueça de si mesmo, e lembre de levar Jesus com você: então qualquer caminho, será o melhor caminho, qualquer momento, será o melhor momento, qualquer lugar, será o melhor lugar.
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
Solicita-se que dois ou mais competidores se apresentem no meio do grupo. Cada um receberá uma caixa de fósforo, que deverá ser aberta somente com uma das mãos e, uma vez aberta, tirar um palito de fósforo e acendê-lo. O primeiro que conseguir é vencedor.
“Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.” (I João 4:19)
Desde muito cedo somos ensinados que as pequenas e grandes vitórias da vida são fruto de nossa própria capacidade, e quanto mais individual for o mérito, mais vistosa parece a vitória. Sua mãe bateu palmas quando você conseguiu amarrar os tênis sozinho, alguns colegas o invejaram quando você tirou dez naquela prova para a qual estudou sozinho, você sentiu-se orgulhoso quanto aquela idéia que você teve sozinho deu certo. Na vida social somos constantemente avaliados, mas poucas vezes leva-se em conta o contexto dos seus relacionamentos. Nos esportes é fácil verificar isso: uma boa partida de futebol é a soma do esforço de onze jogadores unidos, mas só aparece no telejornal quem faz o gol. E isso se repete no âmbito profissional, emocional, e freqüentemente também na vida religiosa. Gostamos de conseguir coisas por nós próprios, isso nos faz sentir independentes, e a independência nos faz sentir fortes.
Mas se observarmos a natureza, que é uma das mais incríveis revelações divinas, veremos que tudo funciona melhor quando em conjunto. Desde os grandes ecossistemas, com a precisão de suas cadeias alimentares, a organização das colônias e grupos de animais, todos com funções definidas que se completam, até os menores detalhes do nosso corpo, como a perfeita sincronia de cada um dos nossos dez dedos, duas mãos, duas orelhas, dois olhos, duas pernas, dois braços, incontáveis poros ou milhões de fios de cabelo. Podemos até levar a vida sem um membro do grupo: está aí Lula sem o mindinho para comprovar! Mas certamente a vida ficará mais complicada, em maior ou menor grau, se faltar um membro na execução de certas tarefas. Eu, por exemplo, já tentei acender um fósforo usando uma mão só, e apesar de ter conseguido, consegui também uma pequena queimadura. Então você pode perguntar: “Mas para quê você precisa acender uma caixa de fósforos com uma mão só sem tem duas mãos disponíveis?”. A resposta é óbvia mas desafia outras perguntas mais profundas: porque eu quis escolher o caminho mais difícil.
Muitas pessoas que não compreenderam ainda a natureza do caráter divino, escolhem todos os dias viver sua crença da forma mais difícil: sozinhas. E eu tenho certeza que a grande maioria delas têm até as melhores intenções: querem realmente ser pessoas melhores, querem de verdade fazer o bem, querem sinceramente ser justas e fiéis. Mas por acharem que o resultado virá dos seus próprios esforços e méritos, elas não conseguem seu objetivo, e sofrem com uma desanimadora frustração. Das boas intenções para o legalismo é um passo, um largo passo para longe de Deus.
Precisamos compreender muito bem o cristianismo bíblico antes de tomarmos qualquer decisão ao lado de Jesus. Antes de tudo, precisamos desassociar dependência de fraqueza, e entender que com Deus, dependência quer dizer vitória. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e Deus, em sua própria natureza não é um só: é Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto esse imenso vazio que todo ser humano luta por tentar preencher tem o tamanho exato de Deus. Somos seres criados para andar junto com Deus, como fazia Adão antes do pecado. E andar com Deus é o conceito bíblico de perfeição, e não “fazer tudo certinho”, como o conceito humano prega. Você conhece a história de Enoque, um homem tão perfeito que foi tomado por Deus. E a sua perfeição não era ser o primeiro a chegar no culto JA, nem dar o dízimo da mesada, nem “dar um fora” naquela menina não cristã que estava a fim dele. Enoque fazia o que era certo porque andava com Deus e sabia que longe dEle não havia bem algum que lhe preenchesse o espírito. Tudo o mais era apenas conseqüência dessa amizade. “Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:05).
Na vida espiritual, certo é quando deixamos que Deus haja em nós, errado é quando decidimos fazer sozinhos. E não há espaço para meio-termos. Se você decidir hoje que quer ser um servo fiel, terá primeiro de reconhecer que é totalmente incapaz de ser fiel sozinho. Terá de aceitar que se for fiel, é porque Deus é fiel o bastante para lhe dar forças em sua decisão. E terá de entender que a a benigndidade de Deus dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração (Salmo 100:5), portanto você falhará, mas Deus, nunca. E Ele quer permanecer ao seu lado eternamente.
Quer saber quem é fiel a toda prova? Leia o Salmo 119: 140 “A tua palavra é fiel a toda prova, por isso o teu servo a ama.”E é a Palavra de Deus, em sua fidelidade inexorável que diz: “quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8: 35 – 39). Na verdade, somente você é capaz de se separar do amor de Deus, quando decide escolher o caminho mais difícil: aquele em que Deus não está.
Neste momento, estamos todos perante Deus por intermédio do seu Espírito. E ele nos olha a todos com o mesmo olhar, não importa que você se ache um adventista exemplar ou o pior de todos os pecadores, um candidato perfeito a um bom cargo na igreja, ou um caso sem solução, do qual todos já desistiram, inclusive você. Neste momento Deus vê em todos nós os traços do Seu Filho Jesus Cristo. E quer andar conosco. Não adianta que tenham preparado as mais lindas programações, não importa o quão belas e animadas sejam as músicas, não importa o quanto você se divirta com seus amigos, não importa que você escute palavras bonitas e orações fervorosas, não importa toda a beleza e alegria se você não andar com Deus em tudo isso. É a sua decisão de estar ao lado dEle a cada momento que fará a diferença entre os momentos mais marcantes da sua vida, ou só mais um acampamento de carnaval.
Esqueça a sua força, ou a força que você acha que tem, e aprenda a depender do Ser mais poderoso da universo. Esqueça seu egoísmo, e dependa de quem realmente sabe o que é melhor para você. Esqueça de si mesmo, e lembre de levar Jesus com você: então qualquer caminho, será o melhor caminho, qualquer momento, será o melhor momento, qualquer lugar, será o melhor lugar.
*As idéias das dinâmicas foram retiradas do site http://www.advir.com.br/JA
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
Novembro
Não consigo pensar em novembro sem sentir calor. Aliás, neste exato momento o calor de novembro me impede de sequer pensar com eficácia. E eu não gosto muito do nosso afamado calor tropical, nem do famigerado verão nordestino. Ele me deixa mole, doentia e perturbada. De tal forma que me leva até a geladeira e me deixa alguns minutos diante de sua porta aberta até que eu descubra que não fui fazer nada ali além de sentir um pouquinho de frio. Banho não resolve porque a água do chuveiro também está quente. E agora? Enquanto muitos buscam seu lugar ao sol, eu fujo dele. Piscina? Tenho alergia a cloro. Praia? Muitos problemas. Em Boa Viagem corro o risco de ser atacada por tubarões ou micoses ferozes. Debaixo do guarda-sol tenho que interromper de três em três minutos uma possível leitura por causa de um ambulante. E não dá pra ficar torrando e suando ao sol como a multidão. Solução seria seguir trezentos quilômetros ao norte para encontrar um lugar mais adequado, mas até lá eu cozinharia. Ou seja, o calor me deixa chata mesmo.
O jeito é apelar para o ventilador, um suco de acerola geladinho, e com melhor humor pensar em Deus. A Bíblia me faz refletir: o que faria um homem realmente sábio num dia quente de novembro recifense? E este pensamento me leva ao livro de Eclesiastes, cuja autoria, atribuída a Salomão, é referência em se tratando de sabedoria. Segundo uma superficial pesquisa que fiz, o Pregador, como se intitula o autor do livro, era um homem experimentado em verões. Ele usa trinta vezes a expressão “debaixo do sol”, o que leva a crer que isto era algo bem conhecido em suas sábias andanças. Mas apesar de Salomão não ter estado em Boa Viagem, é de admirar que ele por vezes parecesse tão mau-humorado. Pessimista talvez fosse a melhor palavra. O fato é que não era só o calor que incomodava Salomão debaixo do sol. No livro de Eclesiastes ele cita várias motivos de desânimo, fatos tristes e características ruins do povo e da vida em si (1:14, 2:17,3:16, 4:1, 4:3, 5:13, 9:3).
Eu imagino o sábio sentado, olhando desolado o horizonte, coçando a barba sem vontade, olhando a poeira quente parada diante de si. Tudo que vê o desanima ainda mais: “Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e desejo vão.” (2:17). Ele insiste na volatilidade, na impermanência. Mas por um momento seu olhos brilham, um leve sorriso se esboça em sua face e ele consegue divisar, em meio a todo esse quadro de pessimismo e cansaço, algo bom e belo: “gozar cada um do bem de seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu” (5:18). E mais tarde ele volta a insistir que a alegria de desfrutar o resultado de tudo em que nos empenhamos aqui é graça de Deus (8:15). “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do Sol” (9:9), ele enfatiza. E me faz pensar que focalizar e valorizar nossos objetivos, as pessoas que nos motivam, e a fé de que Deus tem tudo isso em Suas mãos, nada mais é que aquela tal felicidade. Fazendo isso nada mais nos perturbará debaixo do sol – ainda que seja o sol de novembro.
Pode parecer filosófico demais para um domingo à noite, mas seria bom que nos perguntássemos qual a razão de vivermos aqui, assim, da forma como vivemos. E achada a razão, seria interessante centrar-se nela para que tudo o mais continue a fazer sentido. Falo de viver mais para substantivos que para verbos. Temos vivido um tempo em que fazer, fazer e fazer ocupa toda a nossa existência, muitas vezes sem um porquê definido. É possível que Deus consiga driblar a nossa ânsia verbal só para nos conceder alguns momentos de contemplação que nos parecerão assustadores: o que fazer quando só estamos nós e a vida, bem substantiva? Nós, que somos ensinados a ocupar total e produtivamente o nosso tempo, nem sempre sabemos lidar com algum tempo livre inconveniente que venha a se chocar contra nós e exigir outra forma de pensamento que não a automatizada e bem traçada, segundo planos que nunca foram realmente nossos. Para quê tudo isso que nos cerca? O trabalho, o conhecimento, o relacionamento, a religião? Para quem? Deus espera na resposta. Há quem prefira dopar bem todos os sentidos com medo de arriscar responder. Há quem já esteja cansado demais e prefira simplesmente dormir. Há quem espere a resposta em outra vida, ignorando que a Graça nos alcança aqui. Mas há também quem reconheça a alegria de ter bons motivos – ainda que poucos – para celebrar, motivos que inspiram fidelidade, bondade, justiça, que elevam para as coisas que estão acima do sol. Há quem pare só para festejar esses motivos e abraça-los fortemente junto a um peito sem medo, sem vaidade, sem vão.
Um semana iluminada,
Luciana Teixeira
O jeito é apelar para o ventilador, um suco de acerola geladinho, e com melhor humor pensar em Deus. A Bíblia me faz refletir: o que faria um homem realmente sábio num dia quente de novembro recifense? E este pensamento me leva ao livro de Eclesiastes, cuja autoria, atribuída a Salomão, é referência em se tratando de sabedoria. Segundo uma superficial pesquisa que fiz, o Pregador, como se intitula o autor do livro, era um homem experimentado em verões. Ele usa trinta vezes a expressão “debaixo do sol”, o que leva a crer que isto era algo bem conhecido em suas sábias andanças. Mas apesar de Salomão não ter estado em Boa Viagem, é de admirar que ele por vezes parecesse tão mau-humorado. Pessimista talvez fosse a melhor palavra. O fato é que não era só o calor que incomodava Salomão debaixo do sol. No livro de Eclesiastes ele cita várias motivos de desânimo, fatos tristes e características ruins do povo e da vida em si (1:14, 2:17,3:16, 4:1, 4:3, 5:13, 9:3).
Eu imagino o sábio sentado, olhando desolado o horizonte, coçando a barba sem vontade, olhando a poeira quente parada diante de si. Tudo que vê o desanima ainda mais: “Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e desejo vão.” (2:17). Ele insiste na volatilidade, na impermanência. Mas por um momento seu olhos brilham, um leve sorriso se esboça em sua face e ele consegue divisar, em meio a todo esse quadro de pessimismo e cansaço, algo bom e belo: “gozar cada um do bem de seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu” (5:18). E mais tarde ele volta a insistir que a alegria de desfrutar o resultado de tudo em que nos empenhamos aqui é graça de Deus (8:15). “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do Sol” (9:9), ele enfatiza. E me faz pensar que focalizar e valorizar nossos objetivos, as pessoas que nos motivam, e a fé de que Deus tem tudo isso em Suas mãos, nada mais é que aquela tal felicidade. Fazendo isso nada mais nos perturbará debaixo do sol – ainda que seja o sol de novembro.
Pode parecer filosófico demais para um domingo à noite, mas seria bom que nos perguntássemos qual a razão de vivermos aqui, assim, da forma como vivemos. E achada a razão, seria interessante centrar-se nela para que tudo o mais continue a fazer sentido. Falo de viver mais para substantivos que para verbos. Temos vivido um tempo em que fazer, fazer e fazer ocupa toda a nossa existência, muitas vezes sem um porquê definido. É possível que Deus consiga driblar a nossa ânsia verbal só para nos conceder alguns momentos de contemplação que nos parecerão assustadores: o que fazer quando só estamos nós e a vida, bem substantiva? Nós, que somos ensinados a ocupar total e produtivamente o nosso tempo, nem sempre sabemos lidar com algum tempo livre inconveniente que venha a se chocar contra nós e exigir outra forma de pensamento que não a automatizada e bem traçada, segundo planos que nunca foram realmente nossos. Para quê tudo isso que nos cerca? O trabalho, o conhecimento, o relacionamento, a religião? Para quem? Deus espera na resposta. Há quem prefira dopar bem todos os sentidos com medo de arriscar responder. Há quem já esteja cansado demais e prefira simplesmente dormir. Há quem espere a resposta em outra vida, ignorando que a Graça nos alcança aqui. Mas há também quem reconheça a alegria de ter bons motivos – ainda que poucos – para celebrar, motivos que inspiram fidelidade, bondade, justiça, que elevam para as coisas que estão acima do sol. Há quem pare só para festejar esses motivos e abraça-los fortemente junto a um peito sem medo, sem vaidade, sem vão.
Um semana iluminada,
Luciana Teixeira
sábado, 20 de novembro de 2004
Ruminando
Se fizermos uma breve pesquisa perguntando às pessoas que animal elas gostariam de ser, vão aparecer muitas águias, leões, tigres, gaivotas, cães e peixes até. Mas não aparecerão muitos quadrúpedes. No máximo um cavalo, que denota força bruta e liberdade, mas ninguém que queira evidenciar sua inteligência o escolherá. Temos uma idéia má dos quadrúpedes, que normalmente aparecem em xingamentos e ironias. E embora eles sejam os únicos animais que aparecem na Lei de Deus (Êxodo 20:17), no nascimento de Jesus (Lucas 2:7), e sejam constantemente citados na Bíblia como sinônimo de fartura e status (Provérbios 14:4), os cristãos também não gostamos de nos parecer com eles. Por quê? Por que são burros? O burro virou sinônimo de falta de inteligência, mas que tipo de teste de QI fizeram com ele para saber disso? Acredito que ele ficou assim caracterizado porque é um animal domesticável, pacífico e submisso, como a maioria dos quadrúpedes que conhecemos. Eles são animais mansos, que se deixam conduzir. E aí está seu problema: um animal esperto – como nós – não se deixaria conduzir, mas escolheria o caminho que julgasse melhor.
Rubem Alves, em uma de suas boas crônicas¹, confessa que também não era muito afeito a vacas. Mas de repente percebeu que elas, com sua lentidão irritante teimando em existir neste século de velocidade e urgência, têm uma espécie de sabedoria que as permitiu sobreviver através dos milênios, coisa que animais mais ágeis e belos não conseguiram.
Repare em Jesus quando estava para ser aclamado como Rei por seus discípulos ao entrar em Jerusalém (Lucas 19: 28-40). Um rei conquistador teria feito sua entrada triunfal montado num cavalo, ele porém escolheu o mais manso dos quadrúpedes, um jumentinho, para dar a entender que seu reino era de paz. E quando uma multidão de gente injustiçada, cansada, magoada e ansiosa o ouvia, ele disse: “...aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Cristo poderia ter pedido que eles aprendessem a ser espertos, corajosos, fortes, poderia ter querido ensinar suas mais admiráveis habilidades, mas pôs em evidência a mansidão. Mansos? Já ouvimos por aí que quem é manso acaba por ser montado por alguém. “Não seja burro”, é a ordem do dia, “Reaja!”, “Dê o troco!”, “Não engula desaforo”, “Procure levar a melhor”.
Recentemente participei de um curso, e uma das atividades era simular uma negociação para aplicar os princípios que havíamos aprendido. E o colega que negociou comigo utilizou de todas as táticas – lícitas e ilícitas – para conseguir o máximo de vantagem possível. De fato, de todos os grupos, eu fui a que conseguiu o pior resultado. Embora eu não esperasse algo diferente disso por causa da minha extrema imperícia para assuntos comerciais, fiquei chateada ao descobrir como eu tinha sido manipulada de forma desleal (essas coisas que descobrimos todos os dias). E acabei por comentar com a esposa do meu colega que ele havia sido um espertalhão, passou por cima de todos os princípios éticos que aprendemos só pra obter vantagem, foi astuto, enganador e dissimulado. Então recebi uma resposta mais surpreendente que o comportamento do meu colega. Sua esposa disse: “Pois é, ele aprendeu comigo!”. Ela considerou minha perplexidade um elogio.
Estamos num mundo em que o que interessa é o melhor resultado, mas a Bíblia diz que “se alguém quiser demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa” (Mateus 5:40). Estamos num mundo em que manso e pacífico são adjetivos dados a ruminantes, mas a Bíblia diz que “os mansos herdarão a Terra” (Mateus 5:5) e “terão descanso para a alma” (Mateus 11:29). Estamos num mundo em que a justiça é manipulada para servir aos mais fortes, e honestidade não é mais uma arma para ser um homem bem-sucedido e respeitado, mas a Bíblia diz “calçai os vossos pés com o evangelho da paz” (Efésios 6:15). Estamos num mundo mau, que se preocupa com o imediato, mas a Bíblia nos dá a perspectiva de um mundo melhor e nos apresenta o panorama de uma eternidade. E quem deseja viver esse mundo que a Bíblia prega, quase nunca vai ser considerado muito esperto. “Como está escrito: por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro”. Mais uma vez quadrúpedes? Sim, ovelhas. E se não formos ovelhas, jamais sentiremos o carinho confortável dos braços do Bom Pastor. Mansos, que se deixam conduzir por um ideal mais alto de Justiça. Humilhados, injustiçados, perseguidos, ridicularizados, por vezes, “mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou.” (Romanos 8: 36,37)
Uma semana iluminada,
Luciana Teixeira
¹Alves, Rubem. Concerto para Corpo e Alma. 10 ed. São Paulo: Papirus, 2003. “Sabedoria Bovina”, p. 149-153.
Rubem Alves, em uma de suas boas crônicas¹, confessa que também não era muito afeito a vacas. Mas de repente percebeu que elas, com sua lentidão irritante teimando em existir neste século de velocidade e urgência, têm uma espécie de sabedoria que as permitiu sobreviver através dos milênios, coisa que animais mais ágeis e belos não conseguiram.
Repare em Jesus quando estava para ser aclamado como Rei por seus discípulos ao entrar em Jerusalém (Lucas 19: 28-40). Um rei conquistador teria feito sua entrada triunfal montado num cavalo, ele porém escolheu o mais manso dos quadrúpedes, um jumentinho, para dar a entender que seu reino era de paz. E quando uma multidão de gente injustiçada, cansada, magoada e ansiosa o ouvia, ele disse: “...aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Cristo poderia ter pedido que eles aprendessem a ser espertos, corajosos, fortes, poderia ter querido ensinar suas mais admiráveis habilidades, mas pôs em evidência a mansidão. Mansos? Já ouvimos por aí que quem é manso acaba por ser montado por alguém. “Não seja burro”, é a ordem do dia, “Reaja!”, “Dê o troco!”, “Não engula desaforo”, “Procure levar a melhor”.
Recentemente participei de um curso, e uma das atividades era simular uma negociação para aplicar os princípios que havíamos aprendido. E o colega que negociou comigo utilizou de todas as táticas – lícitas e ilícitas – para conseguir o máximo de vantagem possível. De fato, de todos os grupos, eu fui a que conseguiu o pior resultado. Embora eu não esperasse algo diferente disso por causa da minha extrema imperícia para assuntos comerciais, fiquei chateada ao descobrir como eu tinha sido manipulada de forma desleal (essas coisas que descobrimos todos os dias). E acabei por comentar com a esposa do meu colega que ele havia sido um espertalhão, passou por cima de todos os princípios éticos que aprendemos só pra obter vantagem, foi astuto, enganador e dissimulado. Então recebi uma resposta mais surpreendente que o comportamento do meu colega. Sua esposa disse: “Pois é, ele aprendeu comigo!”. Ela considerou minha perplexidade um elogio.
Estamos num mundo em que o que interessa é o melhor resultado, mas a Bíblia diz que “se alguém quiser demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa” (Mateus 5:40). Estamos num mundo em que manso e pacífico são adjetivos dados a ruminantes, mas a Bíblia diz que “os mansos herdarão a Terra” (Mateus 5:5) e “terão descanso para a alma” (Mateus 11:29). Estamos num mundo em que a justiça é manipulada para servir aos mais fortes, e honestidade não é mais uma arma para ser um homem bem-sucedido e respeitado, mas a Bíblia diz “calçai os vossos pés com o evangelho da paz” (Efésios 6:15). Estamos num mundo mau, que se preocupa com o imediato, mas a Bíblia nos dá a perspectiva de um mundo melhor e nos apresenta o panorama de uma eternidade. E quem deseja viver esse mundo que a Bíblia prega, quase nunca vai ser considerado muito esperto. “Como está escrito: por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro”. Mais uma vez quadrúpedes? Sim, ovelhas. E se não formos ovelhas, jamais sentiremos o carinho confortável dos braços do Bom Pastor. Mansos, que se deixam conduzir por um ideal mais alto de Justiça. Humilhados, injustiçados, perseguidos, ridicularizados, por vezes, “mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou.” (Romanos 8: 36,37)
Uma semana iluminada,
Luciana Teixeira
¹Alves, Rubem. Concerto para Corpo e Alma. 10 ed. São Paulo: Papirus, 2003. “Sabedoria Bovina”, p. 149-153.
domingo, 7 de novembro de 2004
Interceder - porque Deus quer conceder
Essa história é do tempo em que a primeira coisa que os filhos faziam ao acordar era pedir a bênção aos pais. E não apenas isso: pediam a bênção a tios, padrinhos e qualquer pessoa mais velha em sinal de respeito, mesmo sem saber exatamente o que isso significava. Do tempo em que as pessoas sentiam prazer em “dar a bênção”. Do tempo também em que não se comprava aspirina em supermercados, e o melhor remédio era uma oração. E olha que não faz tanto tempo assim.
Eu tinha constantes crises de enxaqueca quando era criança. Elas eram tão fortes e desesperadoras que eu ficava prostrada. Então meu pai, quando chegava do trabalho, sentava ao meu lado na cama, colocava as mãos sobre minha cabeça, e enquanto a afagava fazia uma oração. Lembro que a enxaqueca sempre passava, e eu considerava isso a coisa mais normal do mundo. Tanto quanto hoje as pessoas acham normal ver a dor ir embora depois de tomar uma aspirina. Essa foi minha primeira lembrança de intercessão.
Depois disso o conhecimento de Cristo me fez aprender a interceder também. Primeiro pelos mais próximos. Depois o culto das quartas-feiras na igreja tornou a oração intercessória uma necessidade. Algum tempo depois descobri como era bom escolher alguém por quem orar no ônibus, enquanto eu ia para a faculdade, além de ser uma ótima forma de passar o tempo já que nunca consegui ler ou conversar no ônibus sem ficar enjoada. Escolhia alguém aleatoriamente e percorria todos os aspectos da sua vida em uma oração sem pressa. Há pouco tempo, resolvi fazer um caderno para anotar pedidos por minhas necessidades e a dos outros também, sendo que essas últimas ocupam o maior espaço nas páginas. Todos os dias eu lembro de alguém que deveria estar listado no nosso caderno de orações. E sabe o que aconteceu comigo depois que deixei a oração intercessória ocupar mais e mais lugar na minha vida espiritual? Bem, não aconteceu nada! Pelo menos nada que se compare a um feito mosaico ou apocalíptico. E isso é que de melhor poderia ter me acontecido.
É certo e conhecido que a sorte de Jó foi mudada enquanto ele orava por seus amigos (Jó 42:10). Mas a oração intercessória é maravilhosa exatamente porque dela não esperamos nada para nós mesmos. Tiramos tempo para pensar no próximo ao invés de nos nossos próprios problemas. Concentramos o que há de melhor em nós numa atividade para o outro. Aprendemos a buscar o poder de Deus de forma desinteressada e nossa percepção da atuação divina cresce significativamente (II Reis 6: 17). Dessa forma nos aproximamos mais firme e rapidamente do caráter de Jesus. Sim, porque a mesma Bíblia que diz “Muito pode, em sua eficácia, a súplica de um justo” (Tiago 5:16), também diz “não há um justo sequer” (Romanos 3:10). A oração, na medida em que nos aproxima de Jesus, ativa em nós o processo de justificação pela fé, e nos faz dignos de chegarmos confiantemente ao trono da Graça (Êxodo 32: 11 e 14, Hebreus 4:16). Entendemos por isso que Deus tem limites, mas somos nós quem ditamos esses limites através da nossas escolhas: a oração interecessória “dá uma segunda chance” a Deus, de modo que Ele possa colocar a vida de Seus filhos no Seu plano original para elas. Por fim, esse tipo de oração concede respostas que não poderiam vir de outra forma: “Faz parte do plano de Deus conceder-nos, em resposta à oração de fé, aquilo que Ele não outorgaria se o não pedíssemos assim.” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 525)
Desejo que nesta semana busquemos a Deus através da oração intercessória. E que essa seja uma prioridade no nosso ideal de aprofundarmos nossa comunhão com Ele. Eu poderia contar algumas boas histórias de pessoas que ouviram a resposta de Deus quando alguém orou por elas, mas prefiro que deixemos Deus compor testemunhos sublimes em nossas próprias vidas.
Uma semana iluminada,
Luciana
Obs.: um amigo certa vez me disse que os cristãos vivem sua religião da mesma forma como os animais são adestrados: através do medo de punição e da ânsia por recompensa. A oração intercessória é o argumento mais forte contra esse pensamento, já que se baseia pura e simplesmente no amor, o qual lança fora o medo e se centra no próximo.
Eu tinha constantes crises de enxaqueca quando era criança. Elas eram tão fortes e desesperadoras que eu ficava prostrada. Então meu pai, quando chegava do trabalho, sentava ao meu lado na cama, colocava as mãos sobre minha cabeça, e enquanto a afagava fazia uma oração. Lembro que a enxaqueca sempre passava, e eu considerava isso a coisa mais normal do mundo. Tanto quanto hoje as pessoas acham normal ver a dor ir embora depois de tomar uma aspirina. Essa foi minha primeira lembrança de intercessão.
Depois disso o conhecimento de Cristo me fez aprender a interceder também. Primeiro pelos mais próximos. Depois o culto das quartas-feiras na igreja tornou a oração intercessória uma necessidade. Algum tempo depois descobri como era bom escolher alguém por quem orar no ônibus, enquanto eu ia para a faculdade, além de ser uma ótima forma de passar o tempo já que nunca consegui ler ou conversar no ônibus sem ficar enjoada. Escolhia alguém aleatoriamente e percorria todos os aspectos da sua vida em uma oração sem pressa. Há pouco tempo, resolvi fazer um caderno para anotar pedidos por minhas necessidades e a dos outros também, sendo que essas últimas ocupam o maior espaço nas páginas. Todos os dias eu lembro de alguém que deveria estar listado no nosso caderno de orações. E sabe o que aconteceu comigo depois que deixei a oração intercessória ocupar mais e mais lugar na minha vida espiritual? Bem, não aconteceu nada! Pelo menos nada que se compare a um feito mosaico ou apocalíptico. E isso é que de melhor poderia ter me acontecido.
É certo e conhecido que a sorte de Jó foi mudada enquanto ele orava por seus amigos (Jó 42:10). Mas a oração intercessória é maravilhosa exatamente porque dela não esperamos nada para nós mesmos. Tiramos tempo para pensar no próximo ao invés de nos nossos próprios problemas. Concentramos o que há de melhor em nós numa atividade para o outro. Aprendemos a buscar o poder de Deus de forma desinteressada e nossa percepção da atuação divina cresce significativamente (II Reis 6: 17). Dessa forma nos aproximamos mais firme e rapidamente do caráter de Jesus. Sim, porque a mesma Bíblia que diz “Muito pode, em sua eficácia, a súplica de um justo” (Tiago 5:16), também diz “não há um justo sequer” (Romanos 3:10). A oração, na medida em que nos aproxima de Jesus, ativa em nós o processo de justificação pela fé, e nos faz dignos de chegarmos confiantemente ao trono da Graça (Êxodo 32: 11 e 14, Hebreus 4:16). Entendemos por isso que Deus tem limites, mas somos nós quem ditamos esses limites através da nossas escolhas: a oração interecessória “dá uma segunda chance” a Deus, de modo que Ele possa colocar a vida de Seus filhos no Seu plano original para elas. Por fim, esse tipo de oração concede respostas que não poderiam vir de outra forma: “Faz parte do plano de Deus conceder-nos, em resposta à oração de fé, aquilo que Ele não outorgaria se o não pedíssemos assim.” (Ellen White, O Grande Conflito, p. 525)
Desejo que nesta semana busquemos a Deus através da oração intercessória. E que essa seja uma prioridade no nosso ideal de aprofundarmos nossa comunhão com Ele. Eu poderia contar algumas boas histórias de pessoas que ouviram a resposta de Deus quando alguém orou por elas, mas prefiro que deixemos Deus compor testemunhos sublimes em nossas próprias vidas.
Uma semana iluminada,
Luciana
Obs.: um amigo certa vez me disse que os cristãos vivem sua religião da mesma forma como os animais são adestrados: através do medo de punição e da ânsia por recompensa. A oração intercessória é o argumento mais forte contra esse pensamento, já que se baseia pura e simplesmente no amor, o qual lança fora o medo e se centra no próximo.
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